Os clandestinos ocupam a cidade

foto: Raiane Souza / REVER

Na falta de espaços acessíveis para realizar shows, a cena underground de Aracaju inova – e se renova – levando o som pesado do punkrock e do hardcore para espaços públicos. Sem pedir autorização a ninguém.

*por Pedro Alves

Os skatistas que andavam de carrinho na pista de skate Cara de Sapo na Orla de Atalaia,  tiveram uma grande surpresa na noite da quinta, 8 de Novembro. Ao lado da piscina de skate, um monte de loucos se reunia para mais uma ação subversiva na cidade.

Caixas amplificadoras no chão, microfones e bateria montada, guitarra e baixo na mão, gerador ligado. Mais uma edição do Projeto Clandestino tomou de assalto a pequena cidade de Aracaju, desta vez com a participação da banda paulista Leptospirose e a banda sergipana The Renegades of Punk.

 O projeto Clandestino, segundo Daniela Rodrigues, vocalista da Renegades, é a retomada de uma ação que já existia em Aracaju nos anos 80. “A proposta do Clandestino já existia há 20 anos, quando Punks mais antigos da cidade se reuniam, alugavam equipamentos , ocupavam as praças, puxavam a energia do poste e tocavam”.

 Naquela época, as dificuldades para encontrar espaços e casas de shows para fazer eventos de punk rock eram imensas e, instigados em tocar, os punks da cidade transformavam às ruas no seu espaço. Os anos se passaram, mas a conjuntura da cidade pouco mudou. Os espaços são cedidos para shows de forró, pagode, axé e todas as suas vertentes vendidas em enlatados, prontos para o consumo.

 Porém, quando o lance é barulho, rebeldia e punk rock as portas se fecham. “Por muito tempo, nós fomos nas casas de shows para alugar os espaços, mas sempre era negado. Cansamos de procurar espaços, clubes, casas. Isso nos deixou angustiado, é ai onde surge o Clandestino”, afirma.

 O Clandestino é construído de forma colaborativa e com a socialização de equipamentos. O local ocupado só é divulgado no dia do evento. “Nós alugamos o gerador, juntamos o equipamento dos amigos, escolhemos o local e divulgamos só no dia do show para evitar problemas com a polícia, chamamos as bandas e vamos para rua tocar”, afirma Dani.

foto: Raiane Souza / REVER

Serginho, baterista da banda Leptospirose, de Bragança Paulista, acredita que espaços como esses são fundamentais para democratizar a cultura. “Tem muita gente que curte som, mas não tem condições financeiras de pagar para ver o show. Colocar hardcore num contexto como esse, numa pista de skate, de graça, tem a pontencialidade de agregar cada vez mais gente. De juntar mais pessoas que percebam a importância de fazer som na rua. A médio prazo isso pode tomar grandes proporções e as pessoas perceberem que tem gente fazendo rock, fazendo a parada acontecer”, afirma o batera.

 Num pequeno espaço de três metros,  jovens,  mulheres,  homens e crianças dançavam livremente ao som do punk/hardocre. Todos que dançavam, cuidavam do outro para não deixar que ninguém caísse na piscina de skate. “Você tocar para essa galera, todo mundo junto, amontoado, sem palco, de igual para igual é realmente muito animal”, afirma Serginho.

 Sem portões, sem classificação e sem ingressos. Tudo de forma livre e clandestina.

foto: Raiane Souza / REVER

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