UM ZIZEK PARA ADOLESCENTES OU UM TANTINHO MAIS

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“O livro em questão, procura revelar um Zizek “polemista provocador”, cuja extensa obra apresenta uma preocupação filosófica com o senso difundido de catástrofe mundial iminente e suas causas ideológicas subjacentes”

*por Romero Venancio

Não há dúvidas, concordando ou discordando dele, Slavoj Zizek é um fenômeno de público e de venda. O filósofo mais midiático que conhecemos, ele está em todas. Da critica de cinema à psicanálise; da filosofia à militância politica; da polêmica ao desacato; de discípulos a detratores, Zizek esta sempre presente nos principais debates dos últimos 15 anos.

Considerado o “filósofo mais perigoso do Ocidente” pelo jornal conservador New Republic, e o “messias da nova esquerda”, pelo jornal Observer, o esloveno inspira marchetes radicais e mobiliza auditórios para escutá-lo.

Em português já temos vários trabalhos que tentam interpretar seu pensamento, desde coletâneas até trabalho de mestrado acadêmico (como é o caso de: “O direito na filosofia de Slavoj Zizek de autoria de Marcelo Gomes Franco, editora Alfa-omega). Mais recentemente foi apelidado de “Elvis Presley da filosofia”, por seus trabalhos publicados tanto em revistas acadêmicas quanto em catálogos de roupas de marcas famosas.

Para mim, que tenho grande dificuldade de entender boa parte de sua obra, me limito a procurar auxilio em comentadores apropriados ao nível de pensamento como o dele. Foi nessa busca que encontrei a recente tradução da editora Leya intitulada Entendendo Slavoj Zizek: um guia ilustrado de Christopher Kul-Want (diretor de mestrado em belas-artes na Byan Shaw School of art de Londres) e Piero (Ilustrador e artista gráfico de Londres). O “livrinho” faz parte de uma coleção inglesa que já algumas traduções no Brasil de livros ilustrados sobre pensadores e temas importantes da história.

Cada livro é escrito por um reconhecido especialista do assunto e ilustrado por algum artista gráfico. O livro em questão, procura revelar um Zizek “polemista provocador”, cuja extensa obra apresenta uma preocupação filosófica com o senso difundido de catástrofe mundial iminente e suas causas ideológicas subjacentes.

Zizek publicou vários artigos em periódicos e na internet e cerca de 50 livros – numa velocidade às vezes maior do que um livro por ano! – Ao contrário de muitos filósofos, a escrita de Zizek nasce de uma abordagem retórica do pensamento e do discurso, e isso explica, em parte, o prazer tanto de ouvi-lo (mesmo que pela internet) quanto de ler seus textos (mesmo que difíceis na maioria das vezes para iniciantes em filosofia, psicanálise ou teoria do cinema), mas o estilo de escrita e de intervenção dele, demonstra “claramente” sua abordagem comunicativa. Isto percebemos logo de inicio no livro ilustrado em quadrinhos.

O livro não tem índice e sai destacando temas e frases de Zizek numa determinada ordem cronológica, o que facilita um pouco situar-se na “evolução” do seu pensamento marcado por sobressaltos. Vão de “Uma abordagem oratória” “A liberdade de uma realidade inacabada”, títulos atraentes e presentes em obras do filósofo. A cada tema temos ilustrações em forma de quadrinhos ou alguma fotografia e charge.

No decorrer da obra, ficamos sabendo da forma de escrita de Zizek ou de como avalia não-avaliando seus alunos; da sua relação umbilical e critica com a psicanálise; de seu marxismo singular ou da sua militância politica incansável “em defesa das causas perdidas” (titulo em português de uma de suas obras). O cinema é um caso presente sempre em Zizek. Filmes de Hollywood ou Chaplin, Hitchcock, Lynch ou filmes de grande bilheteria, todos passam pela sua pena e no livro em questão têm tratamento privilegiado.

O melhor é a explicação que temos em um balão na forma de citação: “Exploro esses temas porque acredito que eles levantam questões ideológicas e políticas problemáticas. Mas também porque me sinto mais engajado com questões filosóficas por meio destes temas”. Uma dica interessante para quem trabalha com filosofia e não sabe muito que fazer com ela.

Como uma divertida e um pouco séria introdução á filosofia de Zizek, o livro é de ótima opção e desde que também não queiramos de um livrinho ilustrado e com algumas frases de/sobre Zizek um manual para a leitura de suas obras. Vejo o livro como uma tentativa humorada de ser mais uma introdução ao denso pensamento desse filósofo esloveno.

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*Romero Venâncio é docente do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Sergipe e escreve sobre cinema para a Revista Rever.

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