O QUE ESTA ACONTECENDO NAS RUAS DAS CAPITAIS BRASILEIRAS?

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Em uma leitura sobre as mobilizações populares que estouraram em todo país, Romero Venancio avalia como ficaram incrédulos os velhos burocratas da política nacional, a grande mídia acostumada em doutrinar e domesticar movimentos e os velhos “formadores de opinião” que viraram motivo de chacota.

* Por Romero Venâncio 

Hoje (18 de junho), o jornal da manhã da rede globo de televisão fez uma matéria de 35 minutos sobre as manifestações da segunda feira de ontem. Priorizou o Rio Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, porto Alegre, Salvador, Vitória, Maceió, Recife e Fortaleza.  As reivindicações são claras: redução da absurda tarifa do transporte urbano e a reorientação dos recursos para a Copa do Mundo.

Algumas coisas são notórias de cara: cresce as mobilizações e o movimento nas ruas; a televisão da casa grande brasileira esta perdida e procurando factóides para justificar seu trabalho, o silêncio dos governos ou entrevistas bobocas sem sentido e os governistas que se dizem de esquerda atônitos nas redes sem saber o que dizer/fazer.

Algo novo está acontecendo em termos de mobilização com reivindicações concretas, como as do “Movimento Passe Livre”, do “Não Pago” e dos Partidos de esquerda que não são governistas.

Em uma semana de manifestações, algumas coisas nos indicam a perceber algumas coisas importantes: a polícia e sua herança ditatorial que vem de muitos anos, entra em crise e pode ser motivador de mais protestos; uma grande maioria das pessoas (estudantes, trabalhadores, desempregados, anarquistas, punks, esquerdistas de toda sorte, etc…) estão tocando em pontos concretos da “tragédia urbana”. Preço exorbitante do transporte urbano, ônibus ruins e superlotados, entraves na mobilidade urbana, somas absurdas investidas numa “copa do mundo” em detrimento da saúde, da educação, da moradia e o pior, indica uma brutal concentração de renda patrocinada pelos governos (sempre aliados de donos de empresas de ônibus nas grandes cidades, isto, sendo fato nos dias atuais).

Não tem bolsa família que sustente o que acontece com os mais pobres e uma classe média proletarizada nas grandes cidades brasileiras. Era uma bomba relógio e que os governos municipais, estaduais e o governo federal se negaram a perceber e ficaram nos seus discursos empolados e em franca aliança com a mídia dominante de plantão.

 Deu no que deu e vai dar mais. Duas obras merecem aqui ser lembradas: “A sociedade do espetáculo” de Guy Debord e “CypherPunks: liberdade e futuro da internet. Entrevista com Julian Assange”. Por que a citação? As duas indicam um limite para a propaganda empresarial/governista… Imaginava-se com a copa e com todo o aparato propagandístico e publicitário, um povo feliz e correndo atrás de jogadores de futebol bobocas. Pelas redes sociais (e-mail, facebook, twitter, etc.) começou a se fazer uma outra forma de jornalismo e a mídia hegemônica do Brasil passou a perder espaço e passou a não ser mais ouvida.

A reação nas ruas à Rede Globo foi grande, chegando a vaiar e expulsar Caco Barcelos, jornalista diferenciado nesse pântano que é o jornalismo brasileiro. As marchas nas ruas crescem e ampliam suas reivindicações como já aconteceu em outros momentos históricos. Começa com uma reivindicação popular e vai crescendo em termos de exigências que vão sendo gestadas nas ruas.

Por fim, é sintomático as preocupações mais detidas da Rede Globo, da TV Record, da Bandeirantes e de TVs acabo e ao mesmo tempo como elas estão perdidas nas análises e ainda, idiotas como Arnaldo Jabor viram motivo de chacota e de motivação para as lutas nas ruas. A coisa esta só começando. O melhor pode e deve começar.

*Romero Venâncio é professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Sergipe

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