Aterramento: Tragédia, farsa e despedida

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“A tragédia do aterramento da Coroa do Meio repetindo a farsa da 13 de julho, Oxum vai cobrar com juros o lote que estão a lhe tomar de assalto, sem dó nem sossego nem vazante”

*por Henrique Maynart

A justiça sergipana decidiu: O rio Sergipe será aterrado. Acabou chorare, “zé fini”. O desfecho de mais um embate fraticida entre a prefeitura de Aracaju e a ADEMA, o progresso da extinção se fizera vitorioso. Não importa se nenhum relatório consistente de impactos ambientais fora formulado ou apresentado, não importa se a lei estadual vede qualquer intervenção na área classificada como “paisagem natural notável”.

Areia pra bater de testa na maré mode a garantir a integridade do concreto e do asfalto. O cimento acima do curso natural das águas turvas que dobram apressadamente a curva do Iate Clube. Progresso, tijolo e adulação.

A tragédia do aterramento da Coroa do Meio repetindo a farsa da 13 de julho, Oxum vai cobrar com juros o lote que estão a lhe tomar de assalto, sem dó nem sossego nem vazante. A capital do mangue ganha mais um conflito sócio-ambiental e eu, atabalhoado, besta e saturado das cinzas desta vida, eu perco meu refúgio de pôr do sol no encontro das três águas.

Logo agora, que o bar do Preto colocou a Antártica Original por R$ 5,50 a ampola. Uma pena, cinco doses e uma penca de lamentações. Providencio esta semana, sem sombre da falta, a despedida oficial a céu aberto no abre-alas das quatro da tarde, quando o asfalto se amorna junto com a labuta dos dias. Uma dose gorda de Seleta, a correnteza, a batida espumada das ondas na mureta, a maré, os coqueiros da Barra ao fundo no corredor do horizonte, o mar à espera das águas que lhe prometeram e finalmente a lua, graúda e amarelada como de costume, a cortar as nuvens logo acima da curva do Iate.

A negação do progresso dos homens de terno é a afirmação de outra vida possível, encharcada de contemplação, em pleno compasso com o tempo das águas. Oraiêieo Oxum, desaguando a força dos braços em guerra por outro progresso, onde a fartura coletiva esteja na mola mestra de nosso caminho.

*Henrique Maynart é jornalista

3 comentários sobre “Aterramento: Tragédia, farsa e despedida

  1. O orixá “Oxum” , não têm nada haver com isso kkk pois, ela é a deusa do Rio Oxum, a sua cidade é Oxobô que fica na região de Ijexá na Nigéria…o seu domínio é a água doce e não a água salgada (mar) aqui no Brasil esse domínio foi atribuído a Yemanjá ( mãe dos filhos peixes) senhora do Rio Ogun e sua região é Abeokutá próximo a Ondo e Ifé na Nigéria…qualquer informação sobre os Deuses da cultura Yorubá (Orisas) eu estarei disponível é só me ligar 91008909, abraços!

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