Rumo ao Encontro de Educação e Movimentos Sociais de Sergipe

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“São [… amplos setores da sociedade…] formando uma diversidade de atores sociais dispostos a questionar a lógica aparentemente eterna de “crise da educação” e apontar caminhos e soluções para as políticas públicas e para a organização da luta dos educadores e da classe trabalhadora”

*por Alexis Pedrão

Depois de junho já estamos acostumados a ouvir que o Brasil não é o mesmo. Que há uma nova situação política. Que as pessoas estão mais dispostas a lutar. Não temos apenas ouvido, mas temos visto e participado.

A recente greve dos professores do Rio de Janeiro com assembléias massivas e forte repressão dos governos e da polícia foi mais um capítulo dessa nova etapa. Para os que já estavam nas ruas, em número reduzido, mas segurando firmes as bandeiras em defesa dos direitos sociais, também houve surpresa – de alguns setores até rechaço – querendo classificar o movimento progressivo como um “golpe de direita”.

A esquerda (toda ela) acostumada a ser uma esquerda bem comportada na institucionalidade, teve dificuldade em se apresentar como alternativa diante da radicalização da luta. Em Aracaju, no auge das manifestações, um ônibus foi queimado e a prefeitura apedrejada. A revolta foi incontrolável!

Embora esse momento tenha sido importante e vitorioso, seja por conta da redução do aumento da passagem em 0,10 centavos anunciada pela prefeitura no dia do primeiro “Acorda Aracaju”, seja por conta da formação de novos ativistas que pela primeira vez na vida foram a manifestações de ruas ou ainda pela necessidade de repensarmos as formas de organização e os métodos de luta, ainda há muito por fazer.

É verdade que o aumento foi diminuído por pressão popular, mas também que mesmo assim teve aumento. Que o sistema de transporte não melhorou em nada. Que a educação, saúde, segurança, moradia, e todo o conjunto de direitos básicos ainda precisam melhorar e muito. Mas para isso, além da ação direta, da mobilização nas ruas, é fundamental o exercício da reflexão, da conscientização pelo que se luta e aonde se quer chegar. É possível ter moradia e saúde pública de qualidade no capitalismo? Essa é uma pergunta que podemos e devemos nos fazer. Basta que a passagem não aumente? Ou é necessário que não exista passagem? São reflexões que surgem durante a caminhada.

A capacidade de análise e crítica dos trabalhadores e da esquerda como um todo diante do atual momento será decisiva na organização de base para as lutas do próximo período, que pelo visto tendem a se intensificar, uma vez que os governos, a mídia, parlamentares e o judiciário parecem não ter ouvido as vozes das ruas.

Dentro desse aquecido contexto social está previsto para os dias 03, 04 e 05 de dezembro o primeiro encontro de Educação e Movimentos Sociais de Sergipe. Com base na necessidade de refletir sobre os rumos e desafios da educação pública no Brasil – que foi cobrada nas manifestações com essa e com outras palavras de ordem como “Educação Padrão Fifa”, o encontro pretende se distanciar do academicismo tradicional das universidades e terá como protagonistas, não apenas os professores doutores, mas fundamentalmente os trabalhadores e jovens que estão na luta em defesa da educação nas últimas décadas e os novos que tem se somado com as manifestações.

O encontro parte, portanto, não apenas dos debates conjunturais, mas segue na linha de recapitular historicamente a formação do Plano Nacional de Educação da sociedade civil, elaborado no calor das discussões e da mobilização da década de 90, mas que foi abafado e descumprido pelos governos FHC e Lula da Silva.

Atualmente um novo Plano de Educação está sendo gestado no congresso nacional, dessa vez, enviado como proposta do governo e não como proposta dos educadores, dos movimentos sociais e sindicais e da juventude. A necessidade de questionar as conferências governamentais que dão um “ar de democracia” aos governos e o próprio plano em curso também fazem parte do objetivo do encontro.

Mas insistimos: não é uma crítica acadêmica em seu sentido moderno, distante, neutra, mas antes uma reflexão coletiva e engajada dos setores envolvidos com a defesa da educação pública. A própria construção do encontro se diferenciou dos redundantes e chatos simpósios. Foram realizadas diversas reuniões preparatórias, plenárias abertas e convites públicos aos movimentos e entidades.Para se inscrever é necessário que sejam fornecidos dados da sua realidade em relação à educação.Assim a proposta é avançar no diagnóstico, em forma de dossiê, da realidade da educação pública em Sergipe.

São professores das redes municipais, estadual e federal, quilombolas, catadoras de mangaba, jovens do movimento Não Pago, índios, estudantes da graduação e pós-graduação em educação, entre outros, formando uma diversidade de atores sociais dispostos a questionar a lógica aparentemente eterna de “crise da educação” e apontar caminhos e soluções para as políticas públicas e para a organização da luta dos educadores e da classe trabalhadora. Para aqueles e aquelas que defendem a educação pública, fica o convite. Venham! Esse encontro é nosso! Rumo ao Encontro de Educação e Movimentos Sociais!

*Obs: para acessar o blog do encontro, saber mais informações e fazer sua inscrição acesse:
www.neteufs.blogspot.com

*Alexis Pedrão é bacharel em Direito, servidor da rede estadual de educação e colunista da Revista Rever

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