Roteiro para Entender o Futebol Nordestino – Parte 1: Introdução

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Santa Cruz, de Flávio Caça Rato, finalmente saiu da Série C. Novos tempos para uma potência do futebol Nordestino.

REVER preparou série de artigos que ajudam a compreender o atual momento do futebol nordestino e os motivos que fazem de 2014 um ano especial para os clubes locais

*por Irlan Simões

O fim da “temporada” – um termo bem europeu, no Brasil se vive um “ano” – trouxe várias mudanças no cenário geral do futebol brasileiro, em especial o futebol nordestino. O destaque fica na mudança do “escalão” dos principais clubes da região, quando colocadas as suas posições a nivel nacional.

A série de 4 textos, que seguirão com o título “Roteiro Para Entender o Futebol Nordestino”, tentará avaliar os diferentes aspectos que interferem no futebol da região. Um ano especial com uma grande quantidade de acontecimentos que merecem uma análise mais profunda e cuidadosa dos elementos que o fizeram um marco histórico.

Falamos aqui do “Futebol Nordestino” compreendendo a sua particularidade enquanto espaço social futebolisticamente destacado. Principalmente após o resgate da Copa do Nordeste, popularmente já conhecida como “Lampions League”, ponto que é central nessa análise que seguirá, e será destacado na terceira parte da série.

A Copa do Nordeste é o único torneio de âmbito regional – dentre todos lançados nas ultimas décadas – que teve sucesso de público, reconhecimento dos torcedores e resultado financeiro positivo. Muitos fatores explicam essa particularidade, como cultura, proximidade geográfica e relação de disputa nacional.

O aspecto mais importante a se colocar é que a competição que reune os melhores colocados de cada campeonato estadual da região já teve impactos importantes na dinâmica geral do futebol nordestino. Principalmente quando falamos da postura adotada pelas diretorias de cada clube de massa da região. Seus planejamentos, suas prioridades e até a forma como se colocam publicamente provam o impacto do Nordestão.

Conjuntura em 2014

O Futebol Nordestino hoje tem uma configuração bem indefinida. Na Serie A são tres clubes, onde Vitoria e Bahia se mantiveram, com o acesso do Sport para o ano de 2014. A queda do Nautico mantém um numero semelhante de clubes na Serie B, com Ceará, Icasa, ABC, America e a grata presença do Santa Cruz, após a longa trajetória para sair do inferno da Serie C.

Na mesma Serie C, torneio que tem configurações distintas das etapas superiores, estão Fortaleza, CRB, Treze, os recem ingressos Botafogo-PB e Salgueiro, e por fim o rebaixado ASA. Uma competição mais curta, com pouca atratividade financeira e um regulamento que não contribui com os times que fracassam em cada edição.

A comparação dessa atual conjuntura com aquela que se deu nos anos anteriores será feita com maior profundidade na segunda parte da série, mas é possível afirmar que com 3 clubes na Serie A, 6 clubes na Serei B e 6 clubes na Serie C, o Futebol Nordestino vive o seu melhor momento desde o advento da Serie D em 2009.

Os numeros foram iguais (A3-B6-C6) em 2012, mas quando for feita a comparação com os clubes de São Paulo e os “novos médios”, também na parte 2 da série, será possível afirmar que a mudança das posições e divisões ainda é favorável à parte nordestina. Logicamente ainda é muito cedo para apontar que isso se deveu ao impacto da Copa do Nordeste.

Nos textos que seguirão serão discutidas os seguintes temas: 2) Copa do Nordeste; 3) A Realidade de Cada Estado e 4) Os Apontamentos para o Futebol Nordestino.

Campinense de Bismarck, campeão da Copa do Nordeste de 2013
Campinense de Bismarck, campeão da Copa do Nordeste de 2013

Questão dos “mistos”

É importante colocar um elemento cultural em especial que surge de um fenômeno recente. Muito acostumados, e as vezes até condicionados, a optar por um clube do Rio de Janeiro ou de São Paulo, a relação indivíduo, torcida e clube tem tido novas formas de manifestação, em especial na região Nordeste.

A discussão já corre há tanto tempo que até categorias já foram criadas. Os “mistos” seriam os torcedores que tem relação com um clube da sua localidade, mas que também reivindicam outro clube. Os mais escolhidos são Flamengo e Vasco do RJ, e Corinthians e São Paulo, de SP.

Há diversos motivos para explicar esse fenômeno, mas é possivel resumir essa interminavel discussão a partir de uma leitura muito simples: sendo o futebol um produto midiatizado, a exaltação de determinados clubes e ídolos, devidamente selecionados pelos principais meios de comunicação, é o que leva muito nordestinos a escolher clubes que só conhecem pela TV, e não pelo que vivenciam no estádio.

É a partir dos seus devidos interesses comerciais que a Industria do Futebol define qual o clube mais adequado a se exaltar, e principalmente financiar. Assim que conseguiu num primeiro momento ampliar o leque de consumidores do seu produto a um número muito superior àquele que vai aos estádios, esses que diminuem ano a ano.

O que acontece nos últimos anos, no entanto, é a formação de um bom numero de grupos de torcedores que atuam como “militantes” do futebol de suas regiões. Como uma resposta à opção passiva e meramente consumidora dos tais “mistos”, esses grupos se organizam principalmente através das redes sociais e organizam ações presenciais e virtuais muma especie de disputa ideologica clubística.

Em termos gerais, o que da para se perceber é que com as novas formas de interação entre os torcedores, com agilidade e sem intermediação da mídia esportiva, seja nacional ou local (que também atuam nesse sentido), nem de seus jornalistas e muito menos daqueles que os financiam, o futebol nordestino vive um momento curioso de engajamento de seus torcedores, interessante de se observar, e que de fato dá resultados. Mais: vai além das tradicionais organizações de torcedores.

Esse assunto daria um longo texto, o que não será feito nesta série por se tratar de um fenômeno muito recente. A verdade é que a detentora dos direitos televisivos da Copa do Nordeste, a TV Esporte Interativo, vem apostando fortemente nas redes sociais e na exaltação das massas torcedoras do futebol nordestino. Vale acompanhar esse aspecto em especial nesse momento histórico.

*Irlan Simões é jornalista e membro da diretoria da REVER

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