Nota de Leitura: Lupicínio Rodrigues faria 100 anos em 2014!

LUPICINIO-RODRIGUES

A autora faz uma análise das 12 músicas, destacando alguns temas recorrentes á produção deste gaúcho genial: saudade, traição, dramas amorosos vários e o amor nas suas diversas faces. Lupicínio tornou-se uma espécie de “filósofo do bolero” brasileiro”

*por Romero Venâncio

No corrente ano o cantor e compositor Lupicínio Rodrigues faria 100 anos e uma forma de homenagear figura de tão rara qualidade poética é indicar uma breve leitura sobre uma obra marcante de sua lavra.

 Trata-se de um desses “livrinhos” que se lê numa tirada. Trata-se de “LUPICÍNIO E A DOR DE COTOVELO” de Rosa Dias, editora Língua Geral.  A autora é estudiosa em filosofia do tema da música em Nietzsche. A coleção em que foi publicado o “livrinho” vem do NUCAM (Núcleo de Estudos Musicais) no Rio de Janeiro. Segundo a própria editora, a ideia é “oferecer ao leitor livros de bolso sobre discos importantes da música popular brasileira”.

 Uma pequena obra-prima, o ensaio em questão. Tem como tema central o último trabalho em álbum do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues: “Dor de cotovelo”. A autora faz uma análise das 12 músicas, destacando alguns temas recorrentes á produção deste gaúcho genial: saudade, traição, dramas amorosos vários e o amor nas suas diversas faces.

 Lupicínio tornou-se uma espécie de “filósofo do bolero” brasileiro, temperado em samba-canção e nisto, foi um dos melhores. Gravado em 1973, “Dor de cotovelo” trouxe clássicos como “Judiaria”, “Caixa de ódio”, “Loucura”, “Castigo” e outras. O disco sintetiza as principais imagens dos desencontros amorosos presentes na “poética” do compositor. Maior representante deste bolero-samba-canção, Lupicínio compôs pérolas da canção brasileira desafiando tristezas, lamentos, noites solitárias e desavenças amorosas variadas e recheadas de lágrimas e saudades.

 A filósofa Rosa Dias destaca alguns aspectos da poética de Lupicínio através das letras e declarações do compositor. Partindo da “dor” como motor criativo do disco e da música de Lupicínio, a autora oferece um passeio sentimental e conceitual sobre a vida e a obra desse artista. Aos mostrar que a dor das letras foi, muitas vezes, também a dor do compositor, Rosa Dias escreve um texto elucidativo, apaixonante e didático sobre a música e sobre os sentimentos que povoam nosso cancioneiro popular.

 As músicas de Lupicínio frequentaram desde bares badalados, serestas apaixonadas a cabarés de todos os estilos. As músicas de Lupicínio marcam vidas concretas em seus sentimentos sinceros de amados e amantes e uma boa filosofia não podia deixar de fazer reflexão sobre este gigante do bolero brasileiro e de sua “filosofia dos sentimentos amorosos”. Livro curto como a vida, mas longo nas reflexões como a saudade que não passa!

*Romero Venâncio é professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Sergipe 

Um comentário sobre “Nota de Leitura: Lupicínio Rodrigues faria 100 anos em 2014!

  1. Há algumas semanas, li o “Foi Assim”, uma reunião de crônicas escritas pelo próprio Lupicínio para o jornal Última Hora, entre os anos de 63 e 64, de Porto Alegre. Nele, o cronista Lupicínio fala de como nasceram pérolas “Cadeira Vazia”, “Felicidade”, “Nunca”, inclusive a ácida e visceral “Vingança”, além de contar causos da noite boêmia de Porto Alegre da época. O rapaz era um sacana apaixonante, um poeta irresistível, e ainda filosofava e conceituava a boemia e o que é ser boêmio. ¨Sempre que falo do bem, gosto de falar do mal, porque eles são companheiros inseparáveis. Sem um, não haveria o outro. Ninguém pode saber o que é bom sem ter conhecido o mal”. Ainda segundo ele saudade é vontade de ver de novo. Na crônica “Fim de Carnaval”, ele amanhece com uma vontade louca de brigar com Deus, diz que não é dele este verso e sim de um poeta que acorda, “depois de beber alguns traguinhos, com aquele gosto horrível de colher de pau e, repetindo aquela eterna frase de irmãos: opa, nunca mais vou beber”. Enfim, Lupicínio Rodrigues criava com o que sofria como todo grande artista – e ele sofria com gosto.
    Feliz em saber do livro da Rosa Dias. Obrigado pela indicação.

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