A esquerda sergipana vai além das eleições?

aracaju

“Todos dizem ter ouvido as “vozes das ruas”. Se assim fosse estaríamos organizando plenárias, protestos, debates e uma agenda de ações unificadas para 2014. Não é porque o ano anterior foi de muitas lutas que este também será”

*por Alexis Pedrão

As posições eleitorais e pré-candidaturas em âmbito nacional e local já se mostram bem avançadas. Aliás, se lembrarmos bem, desde que terminou a ultima que já se falava na próxima. Essa tem sido uma rotina imposta pelo jogo democrático-burguês.

As votações nos municípios servem de rearranjo para as disputas estaduais. Nada tem a ver com melhorias para a população ou diferenças de projeto, embora esses discursos estejam na ponta da língua de todas as candidaturas. Por isso é possível entender como em 2010 Eduardo Amorim estava com Marcelo Déda e em 2012 com João Alves em Aracaju. Também por esse raciocínio compreende-se o porquê de o PCdoB ser oposição ferrenha ao DEM em Aracaju, mas em Socorro estarem na mesma coligação. Entre os partidos que se revezam no poder, o que vale é se manter.

Entretanto, os trabalhadores e a juventude tem se mostrado bastante cansados desse modo estreito de se fazer política. As grandes mobilizações que varreram o Brasil em 2013 são uma ótima prova desse descontentamento com a representatividade, com a política partidária praticada no país, com a institucionalidade que diz estar solucionando os problemas, mas apenas aprofunda-os.

Por conta dessa conjuntura, fora o fato de os socialistas não acreditarem nas eleições como perspectiva transformadora, é preciso repensar essa “pressa” em se discutir eleições a todo o momento. Que a direita e os partidos vendidos ao sistema sofram dessa agonia eleitoreira tudo bem, mas cabe à esquerda um papel diferenciado.

Todos dizem ter ouvido as “vozes das ruas”. Se assim fosse estaríamos organizando plenárias, protestos, debates e uma agenda de ações unificadas para 2014. Não é porque o ano anterior foi de muitas lutas que este também será, embora boas demonstrações de resistência continuem acontecendo em todo o país. É preciso envolver-se na organização dos movimentos, estar atento ao crescimento da repressão, elaborar uma pauta de luta e mobilizar.

Parece óbvio, mas o apelo eleitoral sufoca a prática política de quem entendeu que os protestos foram bons, mas precisamos de muito mais. Pulsa a necessidade de novos “junhos”, massivos e vitoriosos. De certa forma queremos dizer que a prioridade dada pela esquerda ao processo eleitoral atrapalha significativamente o avanço das lutas sociais. Parece que enquanto não se definir por um programa eleitoral e candidaturas não se conversa mais sobre política no seu sentido mais amplo.

Na contramão deste processo é preciso abrir um amplo debate programático. Plenárias abertas com toda a população, reuniões de sindicatos e movimentos de luta, associações de moradores, etc. As eleições e o programa precisam ser formulados por quem vivencia as dificuldades do cotidiano e por aqueles que têm ajudado a pensar propostas alternativas para os problemas que estão postos.

O desafio está justamente em fazer o movimento eleitoral ser construído de baixo para cima, como construção coletiva democrática e não como imposição de propostas. Os setores políticos que seguirem por esse caminho tendem a se diferenciar no redemoinho das eleições, talvez não do ponto de vista de quantitativo de votos, mas de organização e avanço da consciência social. Este é, inclusive, o sentido pedagógico em aceitar participar do jogo eleitoral.

Ao se discutir um projeto programático em compasso com um método democrático de envolvimento dos sujeitos sociais ativos politicamente evidentemente que os nomes surgem. Atualmente chama atenção o burburinho que tem se ouvido no corredores da Universidade Federal, nos movimentos sociais do campo e da cidade, entre a juventude e a intelectualidade, acerca do nome da companheira Sonia Meire como possível candidata ao governo do estado.

Não precisa nem dizer que é uma excelente lembrança de nome por parte dos trabalhadores e da juventude. Professora e militante de longa história em Sergipe, Sonia Meire dispensa maiores apresentações. Mas insistiremos. Não se trata de arrumar uma salvadora da pátria ou um “bom nome”. O caminho até a escolha de uma candidatura, de um perfil e de um projeto que seja a expressão dos que lutam percorre um caminho inverso. O que pensa o movimento Não Pago sobre as eleições? E os professores e o conjunto dos servidores públicos? O Movimento dos Sem Terra ou o movimento de cultura Sarau de Baixo? As catadoras de Mangaba? Os desempregados? Os movimentos de moradia? Os ambientalistas e o movimento estudantil? As centrais sindicais?

Os movimentos, sindicatos e a esquerda de forma geral necessitam retomar urgentemente a sua capacidade produzir sínteses e de priorizar a luta social em detrimento da institucionalidade sob pena de o conjunto da classe trabalhadora ser derrotada mais uma vez com os partidos apresentando nomes bons ou ruins.

*Alexis Pedrão é servidor público da rede estadual de educação e colunista da Revista Rever.

3 comentários sobre “A esquerda sergipana vai além das eleições?

  1. Fico preocupado com os servidores que um dia caia na desgraça de ser comandado por um energúmeno politico tipo Johan Bezerra, leia o texto inicial ou analfabeto funcional, mas já que você mudou o foco imagine 4.000 servidores principalmente os que moram no interior do estado e que vive exclusivamente dos parcos reais recebidos mensalmente chegar ao fim de dois meses sem receber nada. Os servidores do DETRAN que tiveram corte nos salários tem padrão de vida tipo Alexis, Acorda da inercia politica ou será sempre um tarefeiro sem rumo politico e sem possibilidade de fazer uma leitura descente da realidade.

  2. Movimento sindical por sí só é limitado????
    Realmente,quando se busca o limite da sua covardia,de se limitar a dizer que:-“O poder do estado é infinito”.
    Quando temos nos nossos quadros sindicais representantes que usam de artífícios ilegais para se perpetuar no poder,representado os interesses da classe dominante. Tô falando em disputar uma eleição em chapa única desrespeitando o estatuto do Sintrase e a própria Constuição federal em seu art.. 16 .
    Tô falando em se acovardar na luta,fazendo teatrinho,não buscar mecanismos para informar e formar a classe trabalhadora.Curso de formação sindical pra quê,pra questionar direção sindical pelêga depois???
    Vender vitórias de grupos,que cansados da inoperância de uma direção sindical,se mobilizam de forma independente e contribuem e muito pra essas conquista fácil .Quero ver é re conquistar a categoria,voltar a fazer atos grandiosos-que infelizmente foram em vão- quero ver ter a dureza da direção do Sidetran e não a covardia de muitas direções Sr,Waldir Rodrigues!
    Chega de tatrinho,faz de conta,discursos falaciosos.
    Que já vai pra luta com medo do inimigo,tem uma grande chance de ser derrotado.
    O movimento por sí só e limitado enquanto essas direções jurássicas de 23 anos continuarem no poder. #AcordaServidor!

  3. MOVIMENTO SINDICAL POR SE SÓ É LIMITADO
    Meu caro todo movimento que busca conquistar algo no tempo presente, por se só não é revolucionário! E por consequência fica limitado as fronteiras politicas muito próxima do umbigo, tipo, conquistou foi pouco merecíamos mais, não conquistou ferrou porque não se consegue discutir mais nada a não ser o tropeço do bendito “fracasso”, e tudo isso é alimentado pelas oposições que maleficamente lutam pelo fracasso de quem está nas direções, afinal em nossa sociedade qualquer puder é puder, “veja a briga dos vigilantes da rede pública”. Sem contar que muito poucos sindicatos pode se dar ao luxo de ter em suas direções maiorias que pensem ideologicamente, na maioria das vezes buscamos aqueles que se destacam nas lutas e conseguem mobilizar, mas quando vamos ver o cara é ligado ao DEM e dai! Exemplo nítido disso é Rafael de Jesus que veio para nossa Direção como Coordenador mesmo sendo Presidente do PSDB de Tobias Barreto e mesmo assim o moço achou pouco, o movimento sindical não é revolucionário por ser altamente limitados, cabe aos partidos políticos saírem do gueto e buscarem os revolucionários que atuam nos diversos seguimentos e da um rumo organizativo com planejamento e estratégias bem elaboradas sempre do ponto de vista plural respeitando o pensamento minoritário tanto o mais estreito quanto o mais factível. Ai sim terá um movimento que busque uma transformação social com radicalidade revolucionaria que no nosso chão encontrará uma tuba de gente sonhando com a tal Classe Média consumista.

Comentar

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s