Não Pago volta às ruas para protestar contra aumento do buzão

Policiamento ostensivo marcou o primeiro ato do Movimento Não Pago em 2014 (foto: Geilson Gomes)
Policiamento ostensivo marcou o primeiro ato do Movimento Não Pago em 2014 (foto: Geilson Gomes)

Primeiro ato do movimento no ano demonstrou o que virá pela frente na luta contra o aumento da tarifa do transporte coletivo em Aracaju em 2014

*por Geilson Gomes

“É só olhar as condições dos terminais, dos abrigos e dos ônibus”, foi a resposta dada pelo estudante Cariolando dos Santos para justificar seu argumento contrário a um novo aumento da tarifa do transporte coletivo. Ele falou enquanto observava, juntamente com centenas de pessoas, a movimentação que acontecia nesta quinta-feira, 29, no Terminal do Centro, por volta das 18 horas, horário de pico.

Era o ato do Não Pago que destoava do fragor e do vai e vem de inúmeros trabalhadores que todos os dias se estressam nos terminais de integração, “justamente” no horário de pico. Dizia uma fala ao microfone: “todo início de ano é a mesma história. Os empresários do transportes apresentam uma proposta de reajuste argumentando que o aumento é necessário para melhorar o sistema de transporte, mas não é isso que vemos. A prefeitura municipal, através da SMTT, aprova o reajuste sem consultar a população e o aumento é aprovado. O povo não aguenta mais pagar o lucro do empresário”.

O manifestante falava aos transeuntes sobre a notícia de que a Setransp já iniciou os estudos para enviar à SMTT uma proposta de aumento da tarifa do transporte coletivo na Grande Aracaju. Conforme informações da Setransp, a solicitação do reajuste está sendo baseada nos custos de serviço definidos pela planilha tarifária.

Cariolando, que também é produtor e editor de vídeo, aproveitou a oportunidade e tirou sua câmera do bornal e começou a registrar depoimentos de pessoas dentro do terminal. “Vou chegar atrasado no trampo mas não posso deixar de registrar”, afirmou. Ele estava realizando o papel que muitos jornalistas não estavam fazendo. E jornalista era o que não faltava no local. Guardas municipais também.

O ato começou na praça General Valadão, centro de Aracaju, e seguiu até o Terminal do Centro. Chegando ao terminal, sete viaturas da guarda municipal aguardavam os manifestantes, depois chegaram mais três. O uso da guarda municipal e da policia militar – órgãos do estado que têm a função de reprimir e prender “criminosos” -, já assusta as pessoas, imagina-se o clima com um efetivo numeroso e todas aquelas luzes que emanavam das viaturas.

Com isso, a prefeitura utilizou mais uma vez da repressão para criminalizar o movimento social e barrar qualquer mobilização da população. Conforme o integrante do Não Pago, Isaac Giusseppe, o objetivo do ato foi de conversar e dialogar com a população acerca do novo aumento da tarifa que a Setransp propôs. Ademais, ele acrescentou que a proposta dos manifestantes era de realizar o “catracaço” no terminal.

“Catracaço” é a tática utilizada pelo movimento que se resume no fechamento da catraca dos terminais, liberando a passagem de graça por um determinado tempo. Porém, com o grande número de guardas a tática não foi realizada. Esta tática já tinha sido empregada em outros atos no passado e sempre teve muita aceitação da população.

O professor Lauro Xavier, define que o transporte está imbricado com toda estrutura da cidade. “Para as pessoas irem à escola, posto médico e para o trabalho elas precisam pegar um ônibus. O problema é que o transporte não é público, ele é controlado pelo setor privado. O controle deveria ser da população, do estado. Com isso tiraria o lucro dos empresários. Por que ceder para as empresas privadas a concessão dos transportes?”, indaga.

Este foi o primeiro protesto realizado pelo movimento no ano. Um outro já está marcado para o próximo domingo, dia 2 de fevereiro, às 16h, no Terminal da Atalaia. O manifestante Leandro Pel acredita que novas mobilizações virão no intuito de impedir o acréscimo. “No ano passado, milhares de pessoas foram às ruas e protestaram contra o descaso do transporte público. Os “acordas” simbolizaram um grito de negação ao sistema privado de transporte que não atende aos usuários. Os “acordas” tomaram proporções que forçaram o poder público a congelar a tarifa em algumas cidades do país”.

Pelo que observamos no dia a dia, nada mudou de lá para cá. A situação dos transportes ainda continua precária. O primeiro ato do ano já deu para dar um parâmetro de como será a luta em defesa do transporte público em Aracaju em 2014: os lutadores nas ruas e muita indignação da população. Mas se depender da prefeitura e de seus agentes repressores será mais um ano de arbitrariedade e agressão para quem discorda e protesta.

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