‘O dia é outro depois de um Pedal Madruga!’

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Em Aracaju, rolé notívago de bike ganha adeptos ao promover novos hábitos, a ciclocultura e o cicloativismo. Um dos idealizadores do Pedal Madruga nos explica a ideia.                                               

 *por Irlan Simões

Imagine-se acordando antes do galo cantar e saindo para a rua de bicicleta. No meio do caminho você encontra outros 20 companheiros de “aventura” e juntos seguem até a praia para ver algo como isto:

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O sujeito em questão – fazendo essa pose esquisita para fotografar o sol nascendo na praia – é Victor Balde, idealizador de um rolé inusitado: a pedalada de madrugada, ou mais precisamente o “Pedal Madruga”. Foi com ele que buscamos entender qual é a ideia que norteia essa coisa de reaprender a curtir a vida num horário que estamos acostumando a dormir praticamente todos os dias.

Em tempos de infinitas ferramentas tecnológicas, redes sociais, sites bobos e outras distrações que funcionam 24h por dia, acordar cedo parece ter se tornado um ato torturante, um martírio obrigatório. Para Balde nem tanto.

“Sempre tive o hábito de acordar cedo e quando comecei a pedalar, comecei a ter essa experiência de pedalar na madrugada, em busca de um horário que fosse mais suave o pedal, sem as buzinas e finos de motoristas que muitas vezes não vêem o ciclista com bons olhos”. Victor Balde, que é fotógrafo profissional, conta que começou a utilizar a bicicleta como meio de transporte em fevereiro de 2013, mas que hoje já vê a magrela como parte de sua vida.

A verdade é que a iniciativa se propagou rapidamente a partir das redes sociais. O próprio explica: “Através das fotografias que passei a fazer durante esse pedal o interesse das pessoas começou a surgir. E é certo de todo pedal rolar esse momento fotográfico, que é um meio difusor bastante importante”. Os registros são únicos e dispensam maiores explicações.

No início da aventura eram apenas 5. Nas últimas edições, como nos conta, o número cresceu bastante. Uma pedalada mais recente para um destino mais distante, na região de Matapuã, chegou a reunir 21 “madrugueiros”.

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A onda fez tanto sucesso que recentemente os idealizadores foram convidados a participar do projeto “Imagina na Copa”, para explicar melhor a origem da ideia. Vale a pena conferir. Também participa do material o co-autor do Pedal Madruga, o cicloativista Thiago Souza Santos, parceiro de Balde.

 Segundo Balde, após o vídeo, 8 pessoas já teria entrado em contato com ele para participar das edições seguintes do Pedal Madruga. “Estão surgindo várias pessoas novas interessadas, não se restringe mais a um ciclo de amigos e sempre ouvimos depoimentos bem instigantes das mesmas, do tipo ‘o dia é outro após um Pedal Madruga'”, conta.

Quando perguntei sobre o lado mais sério da coisa – as condições para quem usa bicileta em Aracaju – Victor ressaltou que o Pedal Madruga tem mais o viés do lazer, mas ressaltou que atualmente faz parte da Ciclo Urbano, uma ONG que trata diretamente desse assunto. “Acredito que a magrela é uma forma de protesto, um meio de ocupar um espaço que está cada vez mais infestado pelas eficientes campanhas das concessionárias automobilísticas”, pontua o cicloativista.

 Para ele há um grande avanço recente na discussão do uso da bicicleta em Aracaju, e lembra da importância dessa educação pró-bike. Como um dos produtores do Festival Zons,  teria pensado em ofertas de promoções para os que chegassem de bicicleta aos eventos. Confirmou que essa ideia seguirá para as próximas edições.

 Ainda assim, Balde pontua que na sua concepção “há muito ciclistas em Aracaju, porém pouco cicloativistas”. Para ele é de grande importância inserir esses “carros a menos”, como gostam de lembrar, em organizações que possam cobrar estrutura adequada para o deslocamento nas magrelas.

 De prática curiosa e descontraída de um grupo de amigos o Pedal Madruga vem se mostrando uma ferramenta muito interessante de estímulo à cultura da bicicleta e o pensar e agir pedalando.

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