ESPECIAL 4º SERCINE: HISTÓRIA ANIMADA – LUZ, ANIMA, AÇÃO!

luz anima

Eduardo Calvet conseguiu recuperar diversos filmes perdidos ou desconhecidos do grande público, tornando assim a obra ainda mais importante para as futuras gerações de espectadores e animadores.

*por Rafa Aragão

A segunda noite de “Longas e Lançamentos” do 4º Sercine foi de boas histórias e imagens que fizeram o público viajar no tempo. Quem não se dirigiu na noite de ontem ao Teatro Atheneu, perdeu a oportunidade de conhecer, aprender e de relembrar grandes momentos da animação no Brasil. Apesar de um reconhecimento tardio e das dificuldades encontradas para sua realização, a produção de animação no Brasil tem quase um século de existência,com diversos trabalhos premiados e de destaque mundial. Se muitos dos pioneiros não tiveram o devido reconhecimento pelos serviços prestados à animação brasileira, o filme “Luz,Anima, Ação” do estreante Eduardo Calvet, tenta recompensar esses erros históricos em seus 99 minutos de projeção.

De forma bastante simples, didática e cronológica, o filme aborda  todas as fases da animação brasileira. Desde o primeiro e perdido filme Kaiser de Álvaro Marins( Seth), em 1917, o qual é  recriado em forma de homenagem durante o longa  usando diferentes técnicas de animação, até as produções de grande sucesso como “Era do Gelo”, e “Rio”, de Carlos Saldanha, é retratada pelo filme. O longa traz ótimas histórias de pioneiros como Luis Sá, Anélio Latini Filho e Ypé Nakashima. Além da história dos primeiros animadores brasileiros, Eduardo Calvet conseguiu recuperar diversos filmes perdidos ou desconhecidos do grande público, tornando assim a obra ainda mais importante para as futuras gerações de espectadores e animadores.

O momento que aborda a relação com a publicidade talvez seja o mais nostálgico. Para muitos, como eu, tiveram os primeiros contatos com a animação brasileira através de peças publicitárias exibidas na televisão – como bem lembrado pelo Allan Sieber, a “grande babá” de muitos brasileiros- é bastante saboroso rever e descobrir como surgiram alguns personagens como Sujismundo , o “homenzinho azul” do cotonete, Jotalhão, o franguinho da Sadia, as formiguinhas que voam na caixa de som, entre outros.  Um túnel do tempo animado.

O longa acerta ao não se prender apenas em alguns estilos ou naquilo que fez sucesso e traz coisas pouco conhecidas do público mais geral, como os trabalhos de experimentalismos. Também não esconde as dificuldades da profissão, que mesmo com um boom publicitário dos anos 70 e 90, assim como o cinema de um modo geral, enfrentou grandes problemas no começo dos anos 90. Um dos depoimentos mais contundentes sobre essa “fase das trevas” é sem dúvida o de Otto Guerra (Diretor de “Wood Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll”), que de tão sincero com sua tragédia particular, consegue nos fazer rir.

“Luz, Anima, Ação” além de homenagear tantos nomes importantes que fizeram e ainda fazem parte da animação brasileira, acaba sendo uma grande aula para aqueles que pouco acompanham ou até mesmo para quem está se iniciando na arte de fazer ou apreciar animação. Ainda que de maneira pouco aprofundada questões como mercado nacional, o sucesso internacional e as novas produções que vem conquistando espaço na TV e internet são tocadas durante o filme. Ao final da sessão podemos dizer  apesar de tudo a animação no Brasil vai bem, obrigado.

* Rafa Aragão é estudante de Ciências Sociais (UFS) e Jornalismo (UNIT), compõe o coletivo A Mosca

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