ESPECIAL 4º SERCINE: Em busca de um caminho – Cinco Maneira de Fechar os olhos

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“Cinco Maneiras de Fechar os Olhos” consegue ser interessante, mesmo que nem todas as histórias que ele conta sejam consistêntes

*por Rafa Aragão

A terceira noite de “Longas e Lancamentos” do 4º Sercineexibiu dois filmes concebidos como trabalhos de conclusão de curso. Um curta e um longa. O curta é uma produção sergipana,com direção de Artur Pinto.“10 Segundos”(2014) aborda os bastidores das famosas provas de arracanda e a paixão por velocidade. Como muitos esportes, a arracanda ainda passa pelo seu momento de afirmação e aceitação da sociedade. Ligada diretamente aos chamados “rachas” ou “pegas de rua”, as provas de arrancada vivem um processo de marginalização semelhante o que viveu o MMA no inicio dos anos 90 quando ainda era chamado de “Vale-Tudo”. “10 Segundos” é bastante feliz nas falas dos seus personagens que buscam explicar sua paixão pelo perigo e desmistificar os preconceitos com o esporte. Tecnicamente o filme não erra,e consegue transformar oficinas em belíssimos cenários. A montagem constrói uma linha narrativa cronológica sobre as corridas de competição em Sergipe.Sabemos que um curta tem suas limitações e desconheço os detalhes de como foi o processo de produção, mas o único pecado do filme é não ter nenhuma imagem das corridas. Nenhuma foto, recorte ou vídeo. Fica difícil para espectador imaginar a adrenalina descrita pelos pilotos sem ver os carros em ação. É uma lacuna que não deixa o filme ruim, mas que com certeza o engrandeceria bastante.

O longa “Cinco Maneiras de Fechar os Olhos” é uma produção gaucha feita por alunos o curso de Produção Audiovisual da Famecos/PUC-RS. É um filme pretensioso mesmo sendo realizado por um grupo de jovens diretores (Filipe Matzembacher, Abel Roland, Amanda Copstein T. S., Emiliano Cunha e Gabriel Motta Ferreira.) e talvez por isso esbarre em alguns clichês. A história gira em torno da notícia da morte de uma jovem e das quatro narrativas que se apresentam a partir dela. Daí somos apresntados a mãe recém separada e ainda em crise com o marido, se dividindo entre um restarante e os dois filhos. O filho mais velho em plena adolescência, vivenciado todas as indecisões e cobranças da juventude. A jovem modelo fotográfica que parece realizar o sonho da mãe, no entanto também esta buscando se encontrar. E o executivo que leva uma vida padrão, mas quese realiza de verdade quandose transveste e sobe ao palco para um show de dublagem.

Os personagens se cruzam, mas isso não quer dizer que necessariamente que suas histórias mudem por isso.O ponto em comum entre eles é que todos estão em busca de um caminho, mas não estão muito seguros sobre isso. As atuações são convincentes, principalmente a de Carlos Paixão que consegue ir de um executivo a diva dos palcos com bastante brilhantismo.Em alguns momentos por conta da sua carga psicológica pesada e da temática suicido sempre presente, me fez lembrar outro filme gaúcho “Os famosos e os duende da morte” (2010). Só que bem menos tedioso.

“Cinco Maneiras de Fechar os Olhos” consegue ser interessante, mesmo que nem todas as histórias que ele conta sejam consistêntes. É um filme que pelas circustâncias em que foi produzido, é bastante correto, enxuto. E mesmo com com alguns erros de fotografia, ou tentativas estilíticas nem sempre bem sucessidas, não é um filme ruim. Sua narrativa não dá respostas, mas aponta para o tirar de máscaras que muitas vezes é necessário.

* Rafa Aragão é estudante de Ciências Sociais (UFS) e Jornalismo (UNIT), compõe o coletivo A Mosca

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