‘Meu querido Cristian Góes’ – por Rian Santos

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Nota de jornalista sergipano em apoio ao amigo Cristian Góes, profissional da comunicação condenado à prisão pelo presidente do TJSE. O motivo da condenação: um texto ficcional.

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NOTA DA REVER:

Estaremos encampando a rede de apoio e solidariedade que se forma na defesa do jornalista Cristian Góes, mas também da Liberdade de Expressão em Sergipe e no Brasil. Cristian, para além de um competente e qualificado profissional da comunicação, é histórico lutador das causas dos trabalhadores, onde já foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe. Aqui na Revista REVER é membro do Conselho Editorial e sempre colabora com sugestões, tendo agora nosso apoio incondicional diante de um caso surreal, onde está condenado por um desembargador do TJSE à prisão por um texto ficcional. O magistrado, que supostamente seria um grande entendedor da letra da lei, colabora com a abertura de um precedente jurídico extremamente perigoso.

Na data da publicação desse texto (19 de agosto, terça) às 16h, no Instituto Braços (Rua Itabaiana, 426, Centro). A pauta é única: discutirmos propostas de ações de solidariedade ao companheiro Cristian Góes e de repúdio às decisões do TJSE e do STF. A reunião é aberta a qualquer pessoa e a qualquer entidade da sociedade civil.

[I.S]
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*Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

“Rian, depois de meses de promessa, saiu! Ufa! Que este livro, uma história extraordinária, possa embalar os seus caminhos para que tenhamos, um dia, outro jornalismo”.

A dedicatória do jornalista Cristian Góes foi rabiscada há mais de sete anos. Presente maior do que o Meu querido Vlado, sempre ao alcance das mãos, aqui na estante. Naquela altura, impossível imaginar que o mundo daria uma volta tão grande e o meu amigo enfrentaria a barra dos tribunais. Uma puta ironia. Triste.

O ministro Ricardo Lewandowski e a segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitaram recurso extraordinário contra decisão do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) que condenou o jornalista José Cristian Góes a sete meses e 16 dias de prisão sob a acusação de escrever o que bem lhe dá na telha. O Supremo não julgou o mérito do caso, mas também não acatou o recurso. Lavou as mãos.

Com a decisão do STF, publicada na última sexta-feira, 15, fica mantida a prisão do jornalista, constrangido a lustrar o banco dos réus com a bunda seca após cometer a ousadia de trazer o pensamento à ponta da pena. Ainda cabe um último recurso ao próprio STF. Espera-se que o Supremo finalmente analise o caso e reafirme os princípios constitucionais que pontuam inúmeras decisões em favor da liberdade de expressão proferidas pela mesma Corte. Até lá, Cristian que se vire com a corda no pescoço.

Kafka não iria tão longe. O desembargador Edson Ulisses vestiu a carapuça, mas não se deu ao trabalho de explicar como reconheceu as próprias feições no personagem da crônica ‘Eu, coronel de mim’, dedicada a um jagunço das leis e aos conluios que moldam os labirintos do poder, num dado lugar, num dado tempo. O dedo em riste foi seu único argumento. E bastou. Em terra de Cacique (o desembargador é cunhado do finado governador Marcelo Déda), manda quem pode e obedece quem tem juízo. Eu, Rita Lee e Cristian Góes estamos fodidos.

*Rian Santos é jornalista e colaborador da Revista REVER

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