Visgo de jaca: Yalorixás enviam cartas contra o racismo religioso

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No decorrer das eleições de 2014 as chamadas minorias políticas não encontram políticas públicas para suas demandas

*por Diogo Oliveira

No dia primeiro de setembro deste ano, a Yalorixá Edelzuita do Ilê Obá N’Lá, publicou na página do Ilê no Facebook, uma carta em desaprovação à candidata da presidência, Marina Silva. No texto, a Sacerdotisa, pontua “Eu, Mãe Edelzuita, nasci e me criei no Candomblé, cultuo uma pedra de Xangô que veio de um raio do céu para a terra. Essa pedra veio da África, da região do Daomé a 168 anos, e só com a minha pessoa a tenho à 72 anos. E por esse motivo senhora candidata eu não poderia deixar de me manifestar quando a senhora diz que o Candomblé não é religião. Sendo os Orixás os primeiros habitantes da terra que até então a presente data de 2014 eles se manifestam em trilhões e trilhões de seus fiéis. Candomblé é o culto à Deus e a natureza!!! A Mãe Edelzuita que nasceu e criou – se dentro do Candomblé não vê diferenças, pois Deus ao criar o mundo, não criou religiões, ele disse: ” crescei e multiplicai.” E também disse: ” Amai uns aos outros.” …. Por esse ensinamento que Deus deixou, eu sou do Candomblé, da Irmandade do Coração de Jesus e também Conselheira Nacional e Regional do Estado do Rio de Janeiro de uma congregação protestante.  Neste mundo temos que fazer a política da “boa vizinhança”. Deixe o povo de Raízes e Matrizes Africana em paz. Não criamos política nem desavença com ninguém. Observe a Constituição e a Carta Magna de nosso país”.

A Yalorixá, natural de Cachoeira (BA), Mãe Beata Iyemonjá, do Ilê Omiojuara, explicou em carta a presidenciável onde ela erra ao tratar candomblé como uma seita. “Quando dizem que o Candomblé é seita por que cultua satanás. E nós não cultuamos satanás. Cultuamos Olorum, Obatalá, Ododuá e Exú, que é o grande dinamizador. Cultuamos os inquices e os vodunces que são deuses como Dafé e Jeová. Cultuamos deuses de energia da natureza que é a coisa mais suprema que pode existir. Por que somos natureza, filhos da natureza. Ao qual a Senhora terá um grande compromisso de preservar essa natureza que pede socorro, pelo descaso de pessoas inconsequentes”, afirma Mãe Beata e avança ao reprovar o posicionamento de Marina Silva em relação aos gays e lésbicas. “Sobre o amor, me pergunto se a Senhora sabe o que é o amor. Quando a senhora fala do casamento entre casais do mesmo sexo (casamento iguais), esquece dos nossos filhos gays e lésbicas que merecem respeito. A senhora ama os seus filhos? E os filhos não pediram para nascer.
Eu me julgo uma mãe do mundo por que sou de Iemanjá, Orixá que dos seus seios brota a água suprema, que é o leite que amamenta aqueles que a sociedade repudia a exemplo dos gays e das lésbicas. . Eu sei chorar com olhos do meu irmão e abraçar esses”.

Mãe Beata e Mãe Edelzuita manifestaram seu posicionamento depois que esta candidata afirmou que o candomblé é uma seita e levando em consideração a mudança de posicionamento da mesma em relação a união civil estável.

Correu pelo whatsapp um texto de Gustavo Arja Castañon, que escreve para o blog Quem tem medo da democracia?, sobre as mudanças de posicionamento daquela candidata no decorrer das eleições desde o momento em que abandona o catolicismo e integra o fundamentalismo cristão através da Assembleia de Deus, o alinhamento partidário final com o PSB, e daí a sintetização final de todas as demandas direitistas, das quais destaca-se o fim do casamento gay e a intolerância religiosa. Bastou alguns twittes de Silas Malafaia para Marina Silva mudar o plano de governo.

Nos Anais da religão da Revista Piauí, ainda em 2011, na edição 60, a chamada da do perfil de Silas Malafaia é a seguinte: Com uma leitura singular da Bíblia, o pastor Silas Malafaia ataca feministas, homossexuais e esquerdistas, enquanto prega que é dando muito que se recebe ainda mais. Contra o casamento casamento gay Malafia apoiou Marcos Feliciano, enquanto presidia a Comissão de Direito Humanos e este, por sua vez, saiu impune da comissão mesmo praticando racismo, homofobias e machismo. O também candidato a presidência, Pastor Everaldo, não foi apoiado publicamente por Silas Malafaia.

*Diogo Oliveira é jornalista e correspondente da Rever em Salvador-Ba

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