O amor não combate o racismo

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Segurança alveja estudante da UFBA e fica em Complexo Penitenciário enquanto aguarda decisão da Polícia Federal

por Diogo de Oliveira

Na quinta (11), o estudante de primeiro semestre do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Daniel Sodré Vinícius Baltazar da Silveira, de 28 anos, foi alvejado pelo segurança Reginaldo Conceição, funcionário da empresa MAP, terceirizada da UFBA. O estudante de ciências sociais já saiu do hospital e o segurança terceirizado foi encaminhado para a Cadeia Pública de Salvador, no bairro da Mata Escura.

Sobre a arte revolucionária

A pichação “Deus + Você = Amor”, foi realizada no campus da Ondina, no muro do Laboratório de Estruturas S. P. Timoshenko, próximo as escadarias que levam ao campi da Politécnica, por Daniel. Ainda em 2013 (06 e 07 de junho), a universidade pautou, através da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FFCH), o debate sobre pixação com sociólogos e artistas de rua de Salvador, com o tema “Pixação e o Direito a cidade”.

O sociólogo, Sergio Franco, no artigo publicado em Le Mond Diplomatique Brasil, sintetiza a ideia sobre pixação na arte da seguinte forma: “Hoje, já não podemos considerar a paisagem metropolitana sem notar a pixação. Ela é uma organização social complexa que age para modificar valores da sociedade em relação aos mais pobres. Manifesta-se como luta contra a invisibilidade social”.

Sobre a estrutura do racismo

Reginaldo Conceição, funcionário da empresa MAP, tem vinte anos de experiência na área de segurança. Depois de se entregar à Polícia Federal, na segunda (15), o segurança afirmou em depoimento que atirou uma vez para o alto, para alertar o estudante e o segundo disparo ocorreu ao abaixar a arma.

De acordo com o assessor de imprensa da UFBA, Marcos Antônio Queiroz, o uso de armas na instituição foi permitido em áreas de risco. “Esse foi um caso absurdo, contrário às instruções. O vigilante porta arma para uma situação extrema de defesa, mas não para atirar ou prender pessoas da universidade”, disse Queiroz. O vice-reitor, Paulo Miguez, explicou com minucias a situação “Ele [Daniel] disse que foi advertido, mas não ouviu porque estava usando fone, mas que, depois, ouviu um disparo”.

A Justiça Federal tem até essa sexta (26) para resolver a situação de Reginaldo Conceição. A UFBA disse aos jornais que revisaria o contrato com a MAP e a empresa terceirizada não se pronunciou.

Desmilitarização e terceirização da segurança pública

A jornalista e professora da universidade, Malu Fontes, apresentou a questão da segurança na universidade como um problema social com duas vertentes. “Um aspecto não pode ser perdido de vista: é possível ter uma UFBA segura numa cidade insegura? […] A segunda questão é mais complexa e diz respeito à absoluta falta de consenso sobre o que significa ser atendido em um pedido de socorro quanto à insegurança pública”, questiona Malu Fontes.

Os professores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFCL-USP) se manifestaram em 2011, quando aconteceu o debate mais intenso sobre a presença de militares na instituição. Em carta, eles indagam: Por que a insistência no trauma, na indignidade, no modo custoso e descabido? A verdade é que a militarização, ou terceirização da segurança, deriva da privatização em curso da USP.  A professora da USP, Raquel Ronilk também está alinhada com Malu Fontes quando faz tal pergunta: “Então na USP não pode, mas na cidade toda pode? Que PM é essa?”.

No caso específico da UFBA, o segurança negro, Reinaldo, era quem segurava a arma quando esta foi disparada.

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