Albano Franco, o guerreiro imortal

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Rian Santos comenta a nomeação do empresário Albano Franco à Academia Sergipana de Letras, ato que tornou o dono da TV Sergipe mais um “imortal” da literatura local.

*por Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Templos de pedra e cal. Imortais de carne e osso. A irrelevância da Academia Sergipana de Letras, uma instituição que serve a coisa nenhuma, além do ego de uns senhores encarquilhados, é sublinhada a cada novo ato de posse. No lugar do poeta Santo Souza, aboletou-se agora o empresário Albano Franco. Faz pensar quanto custa uma cadeira fedendo a naftalina.

José Anderson Nascimento, presidente da ASL, o Judas dessa história, faz segredo dos trinta dinheiros. E ainda tem a cara de pau de defender os méritos do comércio. “É uma renovação da instituição que tem cargos vitalícios onde só são abertas novas vagas com a morte ou renúncia de um acadêmico”, declarou à emissora do imortal Albano Franco. Especula-se que a validade do cargo explique a tara do vaidoso highlander.

Certo é que já não nascem imortais como antigamente. Um único parágrafo do discurso de posse proferido pelo poeta Amaral Cavalcante vale mais do que as tantas páginas de ‘Minha trajetória na Confederação Nacional da Indústria: contra a recessão e pelo desenvolvimento’, o calço sob a inteligência do tucano, uma compilação dos 14 anos de conversa fiada à frente da Confederação Nacional da Indústria, única obra gestada no escuro de sua cabeça iluminada.

Amaral ainda está me devendo um volume de ‘O instante amarelo’, publicado sei lá quando. Não bastassem os serviços prestados com a Folha da Praia e as palavras despejadas quase diariamente em crônicas das mais inspiradas, o poeta tomado aqui como contrapeso sempre se reconheceu predestinado à faina agreste da literatura, independente dos louros aos quais acabou consagrado:

“Mais que o trapézio do circo, mais que o desejo de ser clarinetista, mais que o aventuroso destino dos caminhoneiros, fascinava-me a faina do escrivão Franscino, ocupado em preencher com tantas palavras, tantas, aqueles livros enormes. Ali, no cartório de Seu Sininho, o fascínio da escrita e o mistério dos livros me tomaram. Escrever seria o meu destino”.

Aguardemos o discurso de posse do empresário Albano Franco.

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