‘O Corpo é Meu’ – doc pauta o protagonismo da mulher contra a estigmatização midiática

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Lançamento do documentário ‘O Corpo é Meu’, da sergipana Luciana Oliveira, lota sala de projeção da UFS e resgata o debate feminista à pauta 

*por Bárbara Nascimento

Sala cheia, olhares atentos. Muitas mulheres, muitas mulheres negras. Nesta quarta-feira, 22, o Cine Mais UFS exibiu pela primeira vez o documentário O Corpo é Meu, dirigido por Luciana Oliveira. Convicta, a diretora confessou, assim que terminou a exibição: “a partir da filmagem eu me reconheci como mulher negra”.

O doc reúne mulheres para falar sobre as representações femininas na mídia.  A partir de percepções diversas, um elemento é comum: a mulher que vemos na tevê, seja nas peças publicitárias, nas novelas, nos programas de auditório e entretenimento, não representa as mulheres do mundo da vida.

Essa representatividade pode ser questionada por diversos elementos, entre eles a associação de mulheres aos trabalhos domésticos, a utilização do corpo feminino para a venda de produtos como carros e cervejas, a pouquíssima aparição de mulheres negras e nordestinas, ou o aparecimento destas em lugares fixos e estigmatizados – em papéis secundários ou como símbolos sexuais.

Realizadoras de "O Corpo é Meu" no lançamento do filme na UFS
Realizadoras de “O Corpo é Meu” no lançamento do filme na UFS. Foto: Tâmara Carvalho

Um filme escrito e realizado prioritariamente por mulheres, o que nos mostra uma olhar comprometido com o protagonismo feminino não apenas na escolha da temática ou das entrevistadas, mas também na condução de todo um projeto desenvolvido desde novembro de 2013. Se verdade que as mulheres são mal representadas nos meios de comunicação, também é verdadeira a afirmação de que existem poucas mulheres a frente da produção audiovisual e a melhor forma de combater essa desigualdade é assumindo a tarefa de ser protagonista das próprias vidas e histórias.

Para tornar possível esse projeto, os velhos impasses apareceram. Faltaram recursos e foram escassos os apoios. O filme é uma realização da Visagem Audiovisual, com coprodução da Cacimba de Cinema e Vídeo e apoios do Café da Gente, SeteNove Audiovisual, Segrase , Ateliê Gourmet, Axtrall  Records, Sesc e Sebrae – estes dois últimos possibilitaram a ida da equipe à São Paulo, cidade onde gravaram o depoimento de Rachel Moreno, autora do livro A Imagem da Mulher na Mídia.

É certo que todas as mulheres que puderem ter contato com esse trabalho serão tocadas em um ou mais momentos. O filme cumpre seu papel e marca uma posição importante na cena do audiovisual sergipano, trazendo o debate feminista à tona.

Também se pode destacar o trabalho cuidadoso com a trilha sonora, que reflete a ancestralidade africana ao som da Banda Afoxé Di Preto e que traduz em melodia a luta de tantas mulheres a partir da belíssima composição entoada pela Banda Samba de Moça Só. Além da costura a partir da poesia que carrega o mesmo nome do documentário, de autoria e interpretação de Debora Arruda, integrante do Sarau Debaixo. Hoje gritamos “o corpo é meu”, “meu corpo, minhas regras” para que um dia possamos afirmar, livre de amarras e opressões, que o corpo é uma festa.

Confira o teaser do doc.

*É jornalista, mestranda em Comunicação e Sociedade e militante do Coletivo de Mulheres

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