O primeiro passo foi dado: o Dragão subiu e o futuro do futebol sergipano

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Torcedores recepcionam time no jogo decisivo das quartas-de-final, o último passo para a Série C. (todas as fotos são de Filippe Araújo).


Após o fracasso de 2008, o Confiança deu a volta por cima e finalmente fez valer o grito “Vamos Subir Dragão”. Qual a importância deste feito e como ele pode impulsionar o futebol sergipano?

*por Felipe Leite

 

Nos primeiros anos da atual década, o futebol sergipano esteve agonizando. O Campeonato Sergipano perdeu força, com os clubes sem estrutura, poderio financeiro e, principalmente, atrativos tanto para atletas de qualidade quanto para os torcedores. Se a média de público da última década foi ruim, a da atual é praticamente a metade, ou seja, péssima. Certamente, muito disso tudo se deve à má fase que Confiança, Itabaiana e Sergipe vivenciaram nestes últimos anos.

O Sergipe viveu uma fase ruim que durou quase 10 anos, chegando inclusive a brigar contra o rebaixamento em duas oportunidades. O Itabaiana passa por uma crise pós título de 2012, que perdura até os dias de hoje. E o Confiança, apesar de não passar por uma grande crise, não teve o equilíbrio necessário na reta final dos Estaduais.

Em má fase, nossos representantes foram meros participantes a nível nacional. Para piorar, tínhamos um histórico nada favorável.

Filippe_Araujo - H.SãoLucas-5090

Histórico desfavorável

 De 1972 até 1986, o futebol sergipano teve no mínimo um representante na elite do futebol brasileiro. Chegamos a escrever boas campanhas como a do Confiança em 1977, destacada pela Revista Placar. Mas após a disputa política na CBF, na qual Octávio Pinto Guimarães foi sucedido por Ricardo Teixeira, e da criação do Clube dos 13, o futebol de vários estados foi renegado a um segundo plano.

 Este foi o primeiro degrau descido pelo futebol sergipano. E a sina de bater na trave surgiu e perdurou entre nossos clubes. Em 1992, nem mesmo com a Divisão Classificatória, que previa o acesso de 12 clubes para a elite, nós conseguimos. O Confiança chegou a disputar a vaga contra o Vitória em Salvador, mas ficou no quase.

 Em 1994 e 1995, o Sergipe vivia o auge da década de ouro. E também ficou no quase, terminando em 8º e 6º, respectivamente. Foram nossas oportunidades de retornar à elite nacional. Em 1996, o Sergipe sagrou-se hexacampeão sergipano, mas já sem mostrar a mesma força dos outros anos. E acabou rebaixado para a Série C, mas beneficiado pela famosa virada de mesa pró-Fluminense, celebrada por Álvaro Barcelos, presidente tricolor, com champanhe e tudo mais.

 Em 1997 não teve jeito. Descemos mais um degrau no futebol nacional. E a tal sina do quase continuou nos perseguindo. Em 1998, o Itabaiana chegou ao Quadrangular Final, mas não conseguiu. Já em 1999, o Sergipe acabou em 9º, sucumbindo diante do Náutico. Retornamos à Série B em 2001, após mais uma virada de mesa. Mas o Sergipe teve uma campanha irregular e foi rebaixado na repescagem, contra o Criciúma.

 Entre 2002 e 2008, a tal da sina do quase permaneceu incomodando. Em 2003, o Confiança terminou em 9º, perdendo para o Botafogo (PB). E em 2008 chegou ao Octogonal Final, mas fraquejou nos últimos jogos e ficou a 1 ponto do acesso. Já em 2009, foi criado o último degrau: a Série D. E o Confiança não resistiu à “tentação”. Fez uma campanha aquém das expectativas e acabou rebaixado. Já o Sergipe poderia minimizar o rebaixamento proletário e manter o futebol sergipano fora do limbo. Chegou até a fazer uma campanha boa, mas foi eliminado contra o Alecrim, sacramentando nossa descida.

 Foi contra esse histórico que Confiança e River Plate disputaram a Série D de 2010. E fraquejaram, sendo eliminados ainda na 1ª fase. Em 2011, o River Plate repetiu o feito, comprovando a má fase do futebol sergipano. Em 2012, o Itabaiana montou um bom time, mas não deu liga e também foi eliminado na 1ª fase. Finalmente, em 2013, passamos de fase. O Sergipe fez uma campanha razoável, com um início avassalador, mas foi caindo no decorrer das rodadas. Acabou eliminado contra o Tiradentes (CE).

 Em 2014, sem nenhum clima de oba-oba, o Confiança encarou a Série D. Tropeçou na estréia diante do Porto (PE) mas mostrou tranquilidade para evoluir rodada após rodada. Ao fim da 1ª Fase, com a melhor campanha dentre os 41 participantes, já demonstrava que algo importante estava sendo escrito. Com um elenco equilibrado, o time não sentiu os vários desfalques que teve na caminhada. Ainda por cima, superou a dificuldade de não ter o Batistão. E ao empatar em 0 a 0 contra o Jacuipense (BA), levando o futebol sergipano a subir o primeiro dos 4 degrais do futebol nacional. Ou seja, conseguiu ser um ponto fora da curva.

 Nunca foi fácil sair do limbo do futebol nacional. Em 1999, o Fluminense disputou a Série C. E justamente neste ano, o regulamento foi alterado, reduzindo o número de participantes pela metade e incluindo a partida extra no mata-mata. Alterações que minimizaram consideravelmente um possível tropeço.

 A dificuldade é confirmada por milhões de torcedores. Clubes como Bahia, Guarani, Náutico, Paysandu e Vitória já vivenciaram o inferno e sabem bem o quão difícil é sair dele. O caso mais emblemático é o do Santa Cruz, que disputou a Série D de 2009 a 2011 e penou para subir, mesmo com mais de 40.000 tricolores lotando o Arruda em vários jogos. Sem esquecer, é claro, do Remo, que novamente ficau pelo caminho e terá que garantir a vaga na Série D de 2015 pelo Campeonato Paraense.

Filippe_Araujo - H.SãoLucas-5620

 Perspectivas

 Qual a maior importância do acesso proletário? Mostrar que é possível é importante, mas não salvará nosso futebol. O fato de termos, em 2015, dois clubes em Campeonato Brasileiro já é algo a comemorar. Mas precisamos ir adiante. Seja o Confiança subindo à Série B ou ao menos permanecendo na Série C, seja o segundo representante subindo para a Série C.

 Nossos irmãos nordestinos dão bons exemplos a serem seguidos. Em Alagoas, ASA e CRB vêm alternando entre a Série B e C, dando chance para um terceiro clube possa representar bem o estado, seja na Copa do Brasil e também na Série D. Este ano, o Santa Rita fez uma campanha brilhante na Copa do Brasil e o CRB conquistou o acesso à Série B, confirmando a consolidação do futebol nas Alagoas.

 Paraíba e Maranhão estão na caminhada para a consolidação. Sampaio Correa e Botafogo (PB) são os últimos campeões da Série D. O clube maranhense conseguiu o acesso a Série B no ano seguinte e já fez uma campanha regular na Série B, enquanto seu rival, Moto Club, ficou no quase acesso à Série C, parando no Tombense (MG). Na Paraíba, o Treze disputou as últimas três edições da Série C. E é a prova viva de como este é o mais difícil dos degrais. Nas três, brigou rodada após rodada contra o rebaixamento, mas por se tratar de uma competição equilibrada, conseguiu inclusive a classificação para as Quartas de Final, chegando a disputar o acesso contra o Vila Nova. Não conseguiu e este ano foi rebaixado. Mas em 2015, os paraibanos terão 3 representantes no Campeonato Brasileiro.

 É com base nestes exemplos que devemos encarar a temporada de 2015. Que o Amadense consiga montar um bom time para a Copa do Brasil, afinal só de conseguir avançar para a 2ª Fase, já é algo louvável e que conta pontos para o Ranking Nacional de Federações (RNF). Que o Confiança tenha ciência da responsabilidade que terá a sua participação na Série C. E que o nosso representante na Série C dispute o acesso. O caminho já foi mostrado.

*Felipe Leite é torcedor do Confiança 

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