O coronel na janela

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Documentário trata de casos de jornalistas processados por “crimes contra a honra”. O sergipano Cristian Góes – infelizmente –  é uma das “estrelas”

*Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br


Água mole em pedra dura. O todo poderoso que apostar na pilha de informação inútil sobre a memória do populacho vai quebrar a cara. Bem bonito. Cultura é também resistência. E a multiplicação das janelas escancaradas por obra e graça da tecnologia desafia a extensão do pano preto que cobre as vergonhas dos magistrados. A Justiça é cega, o amigo Cristian Góes bem o sabe. Olhos de ver pra quem enxerga alguma coisa.

Cristian Góes, convém apresentar aos navegantes, é o jornalista processado pelo desembargador Edson Ulisses, do Tribunal de Justiça de Sergipe, por trazer o pensamento à ponta da pena. Não é a primeira vítima da prepotência que se esconde sob a toga de uns e outros, nem será o último. O documentário ‘Eu, o coronel em mim’, a disposição dos curiosos em um canal do Vimeo, prova. Cristian Góes não está sozinho.

O coronel em mim

Em julho de 2013, o jornalista Cristian Góes foi condenado no Judiciário por injúria em razão da crônica intitulada “Eu, o coronel em mim” publicada em seu blog. O texto descrevia um coronel fictício, afeito a arbitrariedades, mas não citava nomes, lugares nem datas.

Ainda assim, o desembargador Edson Ulisses, vice-presidente do Tribunal de Justiça do Sergipe, alegou que a crônica se referia ao então governador sergipano, Marcelo Déda, morto em 2013, e ainda ao próprio desembargador, cunhado do falecido. Dois processos foram abertos contra o jornalista, um na esfera criminal e outro na cível.


Mesmo após ter alegado uma série de irregularidades processuais, Cristian Goés foi condenado a sete meses e 16 dias de prisão, pena que foi convertida em serviços comunitários.

“Fui condenado a sete meses e 16 dias de prisão por escrever um texto ficcional narrado em primeira pessoa e essencialmente de cunho artístico”, disse.

O documentário “Eu, o coronel em mim”, inspirado na crônica de Góes, conta a história do jornalista e de outras pessoas que, em razão da publicação de textos ou expressão de opinião, sofreram processos por “crimes contra a honra”, conceito que engloba os crimes de injúria, calúnia e difamação.

O filme faz parte da campanha Solte Sua Voz, que defende que os crimes contra a honra e de desacato saiam do Código Penal, se restringindo apenas ao Código Civil. Antes que seja tarde. O escandaloso caso Cristian Góes testemunha, já passou da hora.

A prova do crime: http://wp.me/p2PU45-U9

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