REVER Entrevista: Janaína Vasconcelos e Camilla Pedroza (Exposição Performance da Dor)

Camilla (esquerda) e Janaína (direita) são as entrevistadas da vez. Ao centro está Renata Voss, professora da UFS e consultora artística do projeto.
Camilla (esquerda) e Janaína (direita) são as entrevistadas da vez. Ao centro está Renata Voss, professora da UFS e consultora artística do projeto. Fotos: Divulgação


Exposição “Performance da Dor” acontece no dia 7/11. Conversamos com suas realizadoras para entender melhor a ideia por trás do projeto.

*Por Priscila Viana

 

Dor, trauma, sofrimento e sublimação. Elementos inerentes à vida humana são artisticamente abordados pelas fotógrafas Janaína Vasconcelos e Camilla Pedroza a partir da obra da pintora mexicana Frida Kahlo.

“Performance da dor” é o nome da exposição que pretende desmistificar os padrões de gênero e apresentar a fotografia, a intervenção corporal e documentação performativa de maneira inédita, no dia 7 de novembro, às 19h, na Galeria Sesc.

Na REVER Entrevista, as realizadoras Janaína e Camilla falaram um pouco mais sobre o processo de pesquisa e produção da exposição, que começou há cerca de um ano.

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Rever: Como surgiu o projeto “Performance da Dor”?

 Janaína: Mais ou menos em setembro de 2013, quando eu me aproximei mais de Camilla [Pedroza]. A gente se conhecia pouco e eu passei a conhecer mais o trabalho dela, de pintura corporal e fotografia, e eu já trabalhava com fotografia também. Tivemos uma aproximação maior e pensamos em fazer algo juntas. Eu pensava em fazer algumas fotos sobre Frida Kahlo. Já tinha conversado sobre isso com Ugo [Vêa], que foi nosso primeiro modelo na peça que fizemos. Ele gostou da ideia e disse que queria posar pra gente. Inicialmente pensamos em fazer fotos somente com ele. Escolhemos uma obra não para fazer um remake, mas uma citação, que foi “Coluna Partida”, e Camilla fez a pintura corporal nele. Escolhemos um lugar inicial para os ensaios, que foi o Cultart [Centro de Cultura e Arte da UFS], onde nos reuníamos, mas nem sabíamos qual seria a proporção e o desdobramento desse projeto. Na verdade era um germe de projeto.

 Rever: Por que a inspiração em Frida Kahlo?

 Janaína: A gente tinha iniciado inocentemente. Sempre gostei muito dela, mas não queria fazer uma Frida Kahlo ou simplesmente montar um homem vestido de Frida, mas trabalhar a fotografia, a imagem e a pintura corporal, ter esse diálogo da obra artística dela e juntar o nosso trabalho. Camilla trabalha com fotografia e pintura corporal e eu trabalho com fotografia. Então tínhamos um ponto de partida pra iniciar esse ensaio. Frida foi mais um meio, não foi bem uma finalidade. Depois do primeiro ensaio, com Ugo, gostamos muito do resultado e pensamos em nos inscrever para o edital [Edital 2014 Galeria de Arte Sesc].

 Rever: Já com o nome “Performances da dor”?

 Camilla: Chegamos a esse nome logo no começo, antes do edital, nas pesquisas que fizemos sobre dor, trauma e sublimação na obra de Frida e esse termo é usado por Marli Bastos ao se referir ao percurso da vida de Frida. Ela enxerga esse todo como uma performance da dor, na obra de Frida Kahlo. Como a gente vai trabalhar com etapas e com materiais, seria essa dor de uma forma diferenciada, ela se apresenta como uma performance mesmo.

 Rever: Antes mesmo de finalizar o projeto do edital, como vocês avaliaram a primeira experiência de fotografia e pintura corporal com Ugo Vêa?

 Janaína: Fizemos em Ugo o ensaio com base na obra “Coluna Partida”, que foi a pintura corporal da coluna, e fizemos as fotos. Fizemos também o “Veado Ferido”, que é o vídeo que vamos trabalhar. Foi uma produção bem insegura porque era o primeiro trabalho que fazíamos juntas, a primeira experiência do projeto, que a gente nem sabia que viria a ser um projeto e então pensamos em colocar pra frente e fazer mais. Não sabíamos ainda se teriam mais outros homens ou se seria só Ugo. Nos inscrevemos no edital da galeria Sesc, passamos a fazer uma pesquisa sobre qual imagem queríamos, o que a gente queria tirar de Frida. Já que a gente não quer simplesmente fazer uma outra frida, qual caminho a gente iria usar?

 Rever: Por que vocês escolheram trabalhar com corpos masculinos?

 Camilla: No começo a gente só queria brincar com a questão de gênero, com a ligação que Frida sempre teve com o feminino nesses corpos masculinos. A gente queria trazer a fragilidade pra esses corpos que sempre são tidos como resistentes, que não podem sentir dor, que não podem demonstrar essa dor. Esse foi o primeiro foco e por isso decidimos fazer com homens. Através desses corpos, transitamos entre o masculino e o feminino. Por isso que só trabalhamos com vestimentas femininas em todo o ensaio. São quatro homens ao todo.

 Rever: Vocês pesquisaram sobre questões de gênero, feminilidade, masculinidade… ou algo mais específico?

 Janaína: No texto de Marli Bastos ela falava um pouco sobre esse universo feminino de Frida, só que não ponderava muito questões sobre a suposta fragilidade da mulher. E a gente foi fazendo associações até pelo que a gente conhece, defende, de destruir esses padrões do que seria considerado masculino, feminino.

 Camilla: Por que essa questão da fragilidade tem que ser sempre ligada ao corpo feminino? Por que o homem também não pode mostrar essa dor? Colocar pra fora toda essa dor dele? Por que o homem não pode sangrar?

 Janaína: A gente teve esse reconhecimento e depois esse reconhecimento de corpo, de pessoa, de víscera, de sentir, de dor… de extrapolar mesmo os gêneros, ultrapassar essa questão. Começamos com essa desconstrução de gênero e depois percebemos nas pesquisas que a gente não só descontruía como também transcendia o gênero, porque a gente tá tratando de uma questão muito humana, que é a dor, o sofrimento, a fragilidade, esses fatores como pertencentes à natureza humana, então a gente não trata diretamente de nenhum gênero, a gente transcende a isso. Temos um corpo masculino representando um gênero, com trajes femininos, mas isso já tá em outro patamar, porque você tá tratando da dor, que já é uma coisa mais íntima, mais visceral, que pertence a todos os gêneros.

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 Rever: Como esses modelos se expressaram no momento da pintura, de vestir as roupas consideradas femininas e entrar no universo de uma mulher?

 Janaína: De antemão, a gente falava um pouco sobre o processo. Com Ugo foi mais raso porque a gente não sabia bem o que queria ainda, foi nossa primeira experiência. Mas depois de ter feito a pesquisa e saber qual seria nosso foco em relação às imagens que a gente queria utilizar, de saber o que a gente iria explorar nesse conteúdo, a gente sentava com eles e falava: “Olha, estamos tratando da dor de Frida Kahlo, a obra que a gente escolheu para você é tal”. Conversamos com eles, explicamos todo o projeto, o que seriam essas imagens, o que essas imagens se tornariam e percebemos que todos se entregaram, foi um convite bem receptivo, de ser usado como essa tela que a gente vai fazer. Não sei se porque convidamos homens bem próximos e de uma certa forma já ligados ao nosso círculo de amizades, mas todos sabiam bem da proposta e foram bem tranquilos com relação a isso. Vestiram uma saia e foram fotografados com prazer. Os últimos que fotografamos falaram que foi uma experiência legal, porque terem se visto como tela e se tornado tela de uma citação de uma artista como Frida Kahlo foi uma experiência incrível. Pelo menos foi o que eles disseram. Até porque naquele momento você já não é mais você, você doa o seu corpo, você é uma tela. Eles falaram que pensaram sobre a linguagem nova, de ter o corpo transformado e ver depois essa imagem que ele se transformou.

 Rever: Há quanto tempo vocês trabalham com fotografia e pintura corporal?

 Janaína: Trabalho com fotografia há uns dois anos.

Camilla: Trabalho com pintura corporal desde 2011, fotografia foi do ano passado pra cá. A minha ligação era com maquiagem pra cinema, filme trash, era o que eu amava fazer. Ainda gosto, mas no tempo que conheci Jana foi quando comecei a trabalhar com o corpo-tela, essa intervenção corporal ligada à fotografia. E foi engraçado, porque justo quando eu tava começando a pesquisar sobre isso, surgiu o convite de Jana.

 Janaína: Mística!

 Camilla: E foi engraçado, porque eu tava começando a ver que… pincel, tinta, vai ser massa!

 Rever: Em quais profissionais vocês se inspiraram pra criar a ideia dessa exposição?

 Camilla: A minha maior referência, não só visualmente, mas também no processo dela, que é Alexa Midi, ela é famosa no meio da pintura corporal e tinha esse lance do corpo se esvaindo. Tem um trabalho dela que mexe com leite, que é a pintura se desfazendo e eu a peguei como referência na parte de pintura. Mas já no próprio desenvolvimento do projeto lemos muito sobre psicologia, sobre a dor que perpassa pela vida de Frida.

 Janaína: Uma análise da dor corporal e de como isso se refletia na obra dela, no que ela fazia, como o sofrimento que ela passou na vida se refletia a partir da criação dela. Lemos Marli Bastos, principalmente sobre traumas e sublimação ligados à vida de Frida. Esse foi um norteador no meio do projeto, que foi a nossa pausa. Quando o projeto foi aprovado pelo edital, a gente teve esse tempo de leitura e pesquisas pra ver qual ligação a gente fazia mesmo. Até porque também queríamos discutir esse padrão de gênero, só que vendo a biografia de Frida e entrando mais, vimos que tinha muito mais que mexer.

 Camilla: Sem falar na ligação de Jana com a fotografia expandida, que era o que ela queria trabalhar…

 Rever: Como funciona esse lance da fotografia expandida?

 Janaína: A gente fez essa pesquisa na obra de Frida Kahlo relacionada à dor e juntamente a isso também fizemos uma pesquisa sobre a fotografia expandida e sobre a imagem, que a gente trabalhar esse processo de criação e esse processo do próprio fazer da imagem não só como resultado e não só como um ato de tirar uma foto, mas como a gente constroi isso, como isso depois vai desencadear, como essa imagem vai interagir com as outras fotos, seria um conjunto de vários elementos ligados à fotografia, não só a fotografia em si. Fotografia, plasticidade… um meio de ter um híbrido de várias linguagens em um formato de fotografia. Você vai utilizar esse suporte que é a fotografia, mas dentro desse suporte também a pintura corporal, a plasticidade, artes plásticas, trabalhar a imagem além da própria fotografia, além da técnica fotográfica.

 Rever: O projeto está sendo financiado com recursos do edital?

 Janaína :Não, o edital da galeria preve apenas a utilização do espaço e o coquetel de abertura. A parte financeira, nós que estamos bancando. A gente faz umas fotos no final de semana, tira um dinheiro extra, eu sou bolsista, Camilla é estagiária, chamamos os amigos para fazerem trabalho gráfico, o amigo que faz assessoria de comunicação, a gente faz os vídeos, edita, e por aí vai.

Equipe divulga projeto no Sarau Debaixo.
Equipe divulga projeto no Sarau Debaixo.

 Rever: Além de vocês duas, quem faz parte da equipe de construção do projeto?

 Janaína: O projeto tomou uma proporção grande. E uma produção bem amarrada, porque ninguem está recebendo nada e cada um contribui com o que sabe fazer, participa muito do processo. Estamos fazendo uma construção coletiva e unificada do projeto, da montagem. Como estamos trabalhando com peças muito grandes, sempre precisamos de pessoas para fazer com a gente, e tem essa ajuda. Não são só funções, é um coletivo. A distribuição das funções é só pra organizar, mas todo mundo acaba contribuindo de uma forma mais ampla.

 Camilla: Foi muito fluido, chegamos a um consenso de quem poderíamos chamar e de quem a gente ia precisar pra essa construção. O curador aconteceu no começo porque a gente precisava de alguém para orientar. O Marcelo Prudente é muito experiente e eu já tinha esse contato com ele, ele já tinha feito curadoria no Sesc. Tentamos edital e conseguimos. O resto da equipe eu conhecia por Jana. Elze [Juliane Elizabeth] foi engraçado, porque a sintonia foi muito rápida, ela é quem escreve os textos. Ela foi a primeira a entrar no processo criativo, eu nunca tinha tido nenhum contato com ela e fluiu, ela sabia minha necessidade, porque como eu tinha que fazer intervenção antes de a gente começar a fotografar, eu sempre precisava de alguém, que era Jana. Mas nesse tempo a gente já estava começando a documentar esse processo, viabilizando a fan page. E Elze chegou sem ninguém precisar dizer nada. Ninguém precisou falar e ela já foi entrando na ideia. Depois vieram Felipe Ferreira e Clara Macedo…

 Janaína: Eles trabalham com design, e como tínhamos proximidade e conheço mais ou menos o trabalho dele, expliquei a proposta da exposição e pedi pra que eles construíssem uma identidade visual que não fosse uma identidade como uma marca, mas que soubessem de todo o processo, que tivessem conhecimento sobre nossa proposta, os temas que a gente queria abordar, e a identidade visual ser realmente uma identidade de todo o processo. Eles construíram isso e os materiais gráficos, todo esse tipo de trabalho de design. E Clara entrou também nessa parte do material gráfico e ajudou muito nessa parte de laboratório de experimentos e nas impressões, eles trabalharam com a gente fazendo essas obras também. Depois entrou Manoela Veloso, uma pessoa que a gente já conhecia e tem muita afinidade com produção, essa agilidade, facilidade de trabalhar em equipe. Chamamos ela pra compor e, por último, Ayalla Anjos, que faz a assessoria de counicação. Bruna Távora entrou conosco logo no início, ajudou a escrever os editais, elaborar melhor as ideias e colocar no papel.

 Rever: A exposição é composta por quantas peças?

 Janaína: Bom, são cinco etapas, cada uma com mais ou menos duas obras, sendo que uma é uma obra única, mas com várias peças. Os homens que pintamos ainda não viram o resultado final. Porque como estamos trabalhando a fotografia também em suportes diferenciados, por exemplo, a gente vai trabalhar com madeira, vidro, tecidos e com vídeo – uma das obras é uma vídeo-instalação. Os homens-modelos têm conhecimento do que foi feito fotograficamente, mas o resultado final que é essa obra, junto com as intervenções que a gente vai fazer também, eles não têm conhecimento ainda.

Rever: Que tipo de reação vocês acham que uma exposição tão complexa poderá gerar no público?

 Janaína: É uma pergunta difícil, mas eu penso que é uma maneira de apresentar a fotografia de uma maneira diferente, mas não única, porque isso já acontece há muito tempo e em vários lugares. Mas é uma apresentação mais minuciosa sobre a fotografia, porque você vai ver a fotografia de outro jeito, como a fotografia em madeira, que também será outra imagem gerada a partir daquela fotografia que você tem. É uma experiência nova com linguagens que as pessoas já conhecem. A linguagem da imagem, a linguagem do vídeo, mas como essa composição nova pode gerar um sentido diferente em cada pessoa. E também pode visualizar a obra de Frida de uma maneira diferente, não é só pensar na obra dela como uma pessoa vestida de Frida Kahlo, caracterizada. Mas ver características da obra e da personalidade de Frida Kahlo em outras linguagens também. O que eu espero é a experiência, que cada um experiencie da forma que quiser.

Camilla: É tudo muito amplo, nem sei… porque como eu também trabalhei com essa plasticidade desse corpo, eu penso como essas pessoas vão receber essas intervenções corporais, como isso vai chocar elas, se vão entender o que a gente quis passar, ou não, ou se vão entender de outra forma. O que eu acho também muito interessante chegarem pra mim e falarem que entenderam de outra forma. Vai ser muito construtivo também, ver que tem outros olhares sobre algo que eu demorei um ano fazendo. Que venham e que passem essa ideia sobre o que acham. Quem não gostar também, acho bom.

 Rever: Nesse tempo em que vocês vêm realizando essa pesquisa sobre dor, de que forma tudo isso tem se refletido na vida de vocês, na visão de mundo e das relações, de que forma vocês vêm absorvendo essa leitura para além do projeto?

 Janaína: Acho que o processo tem duas vias – uma é a que você recebe muitas informações e passa a decodificar todas as coisas de maneira diferente, porque você tem essas informações, elas fazem parte do seu repertório. Mas também começa a se conhecer mais, o processo serve tanto pra você externalizar uma coisa que existe quanto pra você conhecer isso que você vai externalizar. Eu acho que a visão nova que a gente tem é muito mais uma visão interna dos nossos processos, que se transformaram em obras e vão sendo tecidas. É como se fosse um divisor de águas, a gente vai se transformando conforme o processo se transforma e vai se materializando, a gente vai aprendendo muito.

 Camilla: Mesmo sendo um processo só a gente vai conversando e vendo o que isso gera pra cada pessoa em particular. Vemos que esse é um processo também muito individual nesse coletivo. Pra mim foi criando uma coisa sobre a qual quero pesquisar mais, me aprofundar. Ainda tenho essa ligação muito forte com a performance, e ao mesmo tempo já é outro lado com essa ligação, que vale pra você também. Agora ninguém sabe o que vai dar da performance, mas a gente já percebeu o que essa ligação vai levar. Mesmo em trabalhos individuais, essa ligação ainda ficou muito forte.

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 Rever: Vocês acham que essa construção de técnicas e diferentes linguagens que vocês estão explorando são abordadas no curso de graduação de Comunicação Social da universidade, nas aulas?

 Janaína: Não, nós aprendemos por nós mesmas, a nossa fada madrinha era uma professora da UFS, Renata Voss, a gente até tinha feito um curso com ela antes de começar a escrever o projeto.

 Camilla: E até foi ela que percebeu que existia essa veia que poderia vir a se tornar uma exposição. No começo a gente era muito ingênua, só queriamos produzir, fazer fotos, a gente não via essa possibilidade e é tanto que uma das primeiras obras foi ela que deu o estalo de como isso poderia se materializar. Ela não ensina mais na UFS, mas ajudou a gente com material bibliográfico, com referências de artistas, com tudo. O que a gente aprende na UFS é a tirar fotos.

 Rever: Mas vocês não acham que um projeto como esse pode se reverter para o curso, para os estudantes que estão chegando agora?

 Janaína: Acho sim, porque um projeto assim trabalha muito o processo de criação, coisa que não se vê na universidade. Basicamente você tem um conteúdo técnico ou então teórico e ele é muito desvinculado de tudo o que você pode fazer com ele. É desassociado. E quando você sabe que tem o conhecimento de algumas técnicas, mas que você alimentando isso de construir, de trablhar um processo criativo, de trabalhar num projeto com outras pessoas, de construir ideias, é uma coisa que pode ser repensada pra educação, tanto na escola de cinema quanto na escola de artes. Acho que esse processo de construção deve ser melhor abordado, não só de aprendizado. Porque você aprende duas vezes, quando você constroi, você aprende o que já tinha assimilado e aprende fazendo, se descobrindo, descobrindo as coisas.

Camilla: E também aprende a não se prender a um mecanismo, a uma técnica, a um jeito de fazer, a um autor, e conseguir achar uma sintonia entre esses vários recursos, acho que isso é o mais bacana. Foi tudo muito fluido, até porque a gente fez essa pesquisa, que é muito importante essa parada pra ver o que a gente vai fazer agora.

 Rever: Por falar em técnicas, quais são os equipamentos que vocês utilizam para a construção do projeto?

 Janaína: A gente teve um caminho de pesquisa e aprendizado não só teórico e de processo de criação, mas também de pesquisar técnicas e de testes e de um formato bem de laboratório, porque durante o processo todo da construção da exposição, a gente imaginava o processo para as impressões. A gente ia atrás das técnicas e aprendia sem nenhum professor, ninguém. E esse novo aprendizado serviu também de laboratório para a gente. A técnica da madeira, a técnica do vidro, a técnica do tecido…

 Camilla: Usamos as nossas câmeras, uma Cannon T3i. O dispositivo técnico não foi levado em consideração pela produção. A gente não colocou a câmera como prioridade, mas o processo de construção. Também priorizamos a iluminação natural, não utilizamos rebatedor, a gente escolheu a fotografia que era uma forma de congelar esse momento nosso, dessa construção. E o vídeo fizemos com a T3i também.

 Rever: Vocês pensam em dar continuidade a esse projeto ou estender o assunto pra outros projetos?

 Janaína: A gente inscreveu recentemente em um edital e está esperando resultado. Pensamos em inscrever em editais e circular mesmo, mostrar outros tipos de cena, outras pessoas, para as pessoas terem cada vez mais conhecimento desse tipo de construção que estamos fazendo. Mas sobre essas linguagens, essas construções, aumentar mesmo o repertório das pessoas, compartilhar, trocar experiências…

 

 

Confira o evento da “Exposição Performance da Dor”: https://www.facebook.com/events/305754906285153/?fref=ts

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