Ato Libertário, a maior banda sergipana de Reggae dos últimos tempos

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Ato Libertário afirmou definitivamente naquele palco singelo que são uma das iniciativas do gênero mais criativas da atualidade

*por Igor Bacelar

Aviso de antemão, como o título já berra aos ouvidos oculares de quem se debruça neste textículo, que este é um relato marcadamente parcial, um lapso descuidado, porém autêntico de um indivíduo que foi se divertir em mais uma noite aborrecida da capital sergipana.

Na madrugada da sexta-feira para o sábado, dia 8 de novembro, aconteceu o show de lançamento do novo registro da galera do grupo de reggae Ato Libertário no Che Petiscaria, localizado na Farolândia.

Quem esteve por lá não apenas testemunhou uma das mais convincentes apresentações musicais por essas bandas, mas protagonizou um espetáculo emocionante cantando em uníssono grande parte das composições, que já se instituem como verdadeiros hinos do reggae sergipano. A maré composta pelo público bailava fervorosamente na cadência tranquila e quase etérea dos ritmos surgidos na Jamaica lá pros anos 60 e incorporados a outras culturas desde então (abraçados intensamente na cultura musical brasileira).

Ato Libertário afirmou definitivamente naquele palco singelo, sob uma iluminação que contribuía para a intensidade daquela performance primorosa, que são uma das iniciativas do gênero mais criativas da atualidade.

Eles fogem do tradicional e investem em experimentações rítmicas (tempos quebrados e influências progressivas) executadas com maestria pela cozinha de Vitor Lahiri, Rodrigo Mago, Douglas Trindade e o próprio Robson Lira, principal mente produtiva do septeto.

Aliás, devo frisar que me impressionei particularmente com Vitor. O batera conduzia as canções com sua característica pegada forte (herança dos tempos de rock) na medida, precisão cirúrgica (típica dos jazzistas) e sotaque fluente e dançante, necessário na música latina, africana e caribenha (responsáveis por aquela sensação hipnótica e instigante).

Pouco antes da apresentação, estava rolando as faixas do novo disco e eu comentei sobre o pouco que ouvi da prévia com Trindade, baixista e ocasionalmente tecladista (pois, ele divide o posto de baixista com o também vocalista, escaletista e o escambau, Robson Lira). Estava visivelmente impressionado com as timbragens das guitarras, teclado e o bom gosto da seção rítmica das gravações. Ele, da mesma forma que eu, relatou que aquilo era resultado desta identidade que estavam buscando, um reggae com a cara deles.

Devo dizer, meu amigo, que não enxergo em um momento sequer que se enviesaram por esse ou aquele caminho contrário a esta premissa. Atingiram na essência aquela centelha primordial, que virou brasa, que virou tocha, ardendo em chamas não só a “Lenha na Fogueira”, mas centenas, milhares (e sei lá se há limites para esse som que ecoa pelo espaço) de intelectos inconformados, apaixonados, fervorosos, revolucionários, que em um momento, seja ele breve ou perene, compreenderam a mensagem.

A mensagem, e sensações provocadas por ela, foi transmitida pela poesia contestadora e positiva cantada por quem crê e vive, coisa escassa nos dias de hoje. Igualmente projetada pela execução minimalista daqueles músicos de desempenho extremamente performático como raramente se vê por aí. O episódio configurou-se como mais um daqueles momentos épicos da vida humana.

Quando no dia seguinte as ruas mais decrépitas se enchem de vida, os rios molestados pela negligência das rotinas urbanóides se tornam potencialmente estuários de uma atitude renovada oposta ao status quo e a inteligência mais pessimista adormece ou desperta (ou por que não os dois?) questionando sua participação nessa coisa toda. Coisa essa que é espessa, viscosa, coisa na qual estamos afundados desde que aprendemos a reproduzir doutrinariamente comportamentos e hábitos sociais.

*Igor Bacelar é músico, estudante de jornalismo e contista

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