Antes de postar algo no facebook, mude o título da matéria. Isso pode ajudar muito!

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Entenda porque pode ser útil mudar o título de um link ao publicá-lo em redes sociais – principalmente em casos de grandes manifestações

*por Irlan Simões

Imagine a situação: você é um repórter fotográfico de um grande jornal brasileiro e sai às ruas para cobrir uma manifestação contra o aumento da tarifa de ônibus. Sabendo da possibilidade de “confronto de manifestantes com a polícia” – para usar o termo tradicional da mídia comercial brasileira –  o seu editor lhe mune de uma câmera fotográfica de alta qualidade e uma câmera mais leve, portátil, para que possa registrar em vídeos a confusão e se deslocar com facilidade.

Depois da barbárie promovida pela Policia Militar após Junho de 2013 – período que se notabilizou pelo número de vítimas de armas não-letais – muitos desses meios tem servido seus funcionários com capacetes e máscaras para evitar ferimentos mais graves (como perfurações nos olhos, como foi um dos casos mais graves), mas, mesmo assim os editores não deixaram de colocar seus trabalhadores (sim, jornalistas são trabalhadores – dos mais fodidos) na linha de frente da repressão, para registrar a ação de policiais mais exaltados e, se possível, de manifestantes em comportamento facilmente criminalizador.

Como de costume, o pau quebra. Agressão gratuita, bala de borracha, bomba de efeito moral e muita truculência por parte da PM. Ao presenciar tudo o que aconteceu, você enquanto repórter retorna à redação para preparar o material que será publicado. Ajeita o vídeo, constrói o texto (talvez um colega faça isso) e espera sua publicação.

Após passar pelo crivo do editor você percebe que o título foi alterado e o conteúdo foi deturpado. A matéria é publicada com o título “Tropa e manifestantes protagonizam noite violenta em São Paulo; assista“, ainda que o vídeo que você tenha preparado não tenha sido (talvez por falta de tempo) alterado, ainda revelando as atrocidades cometidas pelos PMs.

Por que fazer isso?

Repórteres de rua só não estão abaixo de zeladores, porteiros e motoristas na cadeia alimentar de uma redação. São eles que vão para a rua enfrentar essas verdadeiros massacres que se tornaram qualquer simples manifestação no Brasil. Também são os que vão para interiores remotos registrar fotos de cadáveres de algum homicídio, por mais banal que seja.

Ou seja: dispõem de pouquíssimo poder dentro daquele ambiente. Não tem direito de reclamar de alguma alteração promovida pelo seu superior num conteúdo, por menor que seja. Apenas assistem silenciosamente, porque estão sob constante pressão: seu salário é baixo, o mercado de trabalho está saturado, a grande mídia está em crise e ainda trabalha num dos ambientes mais autoritários dentre os quais trabalhadores “qualificados” (com ensino superior) atuam.

Mas enquanto público é possível reverter isso, ao menos parcialmente. Ao alterar o título de uma matéria, resgatando o que há de mais relevante no seu conteúdo original, como o caso do vídeo explicitado acima, destaca-se a parte que o editor, mesmo com pressa, fez questão de omitir parcial ou integralmente. Muitas vezes o conteúdo continua, mas o título se altera, inclusive pra resgatar aquele público típico de caixa de comentários de portal: que adora xingar manifestantes de vagabundo.

Essa “técnica” era muito utilizada em pegadinhas na internet, com chamadas absurdas para notícias comuns ou até para sites fictícios (geralmente com a imagem de Sergio Mallandro fazendo “gluglu ié ié”). Mas até a própria Veja já foi flagrada alterando o título original de uma matéria pra que ele soasse mais absurdo no facebook.

Mudar o título é bem fácil

Segue um tutorial de como mudar o título de um link antes de jogá-lo no facebook, em poucos passos.

1 – O óbvio: copie o link que deseja compartilhar

2 – Jogue no seu facebook e aguarde o carregamento completo do link
tutorial 1

3 – Não esqueça de apagar o link original após o carregamento completo. Geralmente ele contém as informações do título original. Mesmo que o link seja apagado a postagem continuará.

4 – Clique sobre o título e uma caixa de texto surgirá, permitindo a edição do mesmo!

5 – Coloque o título que traga a informação que seja mais relevante naquele conteúdo
tutorial 2

6 – Você também pode mudar o subtítulo. Após concluído basta clicar normalmente em “Publicar”
tutorial 3

Pronto!

Outra saída

O título é a forma de chamar mais atenção. Em tempos de redes sociais e de imensa velocidade de difusão de informações, há também a velha mania de compartilhar um conteúdo apenas pela sua chamada principal. Quem mais tem notado isso são editores de conteúdo para redes sociais dos grandes portais, na busca por mais cliques. O UOL, por exemplo, não se incomoda mais em fazer de suas postagens no facebook um jogo de adivinhação para que você entre no link para saber a resposta.

Lembre: clique é acesso, acesso é audiência e audiência é venda de publicidade. E isso é dinheiro. Inclusive, por saber disso, gente contrária à grande mídia comercial criou o “Naofo.de – Encurtador higiênico de chorume“, um site que cria um “espelho” de qualquer página e que permite seu compartilhamento sem que renda cliques-acesso-audiêcia-dinheiro para esses portais especializados em difundir inverdades. Não tratávamos exatamente disso, mas também é uma informação importante.

Portanto, a internet permite que o “consumidor” de notícia seja um pouco mais do que isso. Agora podemos usar esses macetes e ferramentas a favor das lutas e da informação real. Basta saber como usar, entender sua funcionalidade e (por que não?) ter um pouco de solidariedade com os jornalistas da raia miúda.

*Irlan Simões é coordenador da Revista REVER

6 comentários sobre “Antes de postar algo no facebook, mude o título da matéria. Isso pode ajudar muito!

  1. fiz o passo a passo, mas não abre possibilidade de alteração do título; quando tento clicar, ele abre o link em nova guia; não apareceu caixa de texto com possibilidade de edição.

  2. 1) UOL e Folha são fontes desonestas de informação;
    2) Uso bloqueador de propaganda.
    Portanto, quando sem querer entro nas tais páginas eles me lembram que não posso acessá-las.
    1) Porque não quero;
    2) Porque elas não deixam.
    Estou duplamente protegido. Pelo Adblock e pelas fontes.

  3. Atrocidades não foi só da PM. Teve policial mutilado, mas a mídia não cobre esses fatos. Manifestar pode, porém o que vimos foram marginais saqueando e destruindo tudo.

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