I Semana da Visibilidade Trans em Aracaju: Visibilidade e Direitos Humanos

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A transexualidade ainda é um tabu e o Brasil é o país que lidera os casos de assassinatos a travestis e transexuais em todo o mundo

*por Rafa Aragão

“A questão de gênero tem de ser ensinado nas escolas, quanto mais cedo melhor. Minha morte deve significar alguma coisa. Minha morte precisa ser somada ao número de pessoas transexuais que cometerem suicídio este ano. Eu quero alguém para olhar para esse número… e corrigi-lo. Consertem a sociedade. Por favor.” (Leelah Alcorn)

O pedido da jovem Leelah Alcom, adolescente trans que cometeu suicídio no fim do ano passado não é um fato isolado. Mulheres e homens trans ainda sofrem com a marginalização imposta pela sociedade. E para sair desse contexto e “por a cara no sol” é que aconteceu em Aracaju a I Semana da Visibilidade Trans. O evento realizado na última semana trouxe inúmeras discussões e demandas para comunidade trans. Na abertura, no Teatro Atheneu, a leitura da carta de Leelah foi um dos pontos mais emocionantes.

A transexualidade ainda é um tabu e o Brasil é o país que lidera os casos de assassinatos a travestis e transexuais em todo o mundo, segundo um relatório da ONG internacional Transgender Europe. Entre janeiro de 2008 e abril de 2013, foram 486 mortes, quatro vezes a mais que no México, segundo país com mais casos registrados.

Como se não bastasse ser vitimas de violência, transexuais e travestis ainda são enquadradas como doentes mentais no Código Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde. O cenário de fato exige mudanças. “O retrato da marginalidade dessa população é igual de norte a sul do País. A violência que vivenciam se repete de forma sistemática, seja pela exclusão no mercado de trabalho, ou pelas humilhações no ambiente escolar, ou ainda a total rejeição social a que são inferidas, violações que terminam muitas vezes em assassinatos”, declarou em nota, o Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos LGBT .

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 “A falta de conhecimento gera transfobia”

“Três demandas básicas ajudariam na nossa visibilidade. A despatologização,. a Lei Brasileira de Identidade Gênero para que as pessoas sejam reconhecidas pelo seu nome social. E tem a questão da escola, de como a escola aborda a questão de gênero, do sexo. A falta de conhecimento gera transfobia” , é o que afirma Linda Brasil, estudante do curso de Letras da UFS e mulher trans. Por isso os debates e oficinas da semana giraram em torno de temas pertinentes como educação, mídia e saúde.

Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais ( Antra) 90% das mulheres transexuais e travestis estão se prostituindo no Brasil. Um número preocupante. A população trans precisa ser vista e lembrada pelas politicas públicas e tratada com dignidade pela sociedade. Só assim histórias como a de Leelah Alcom deixarão de ser uma realidade para serem lembradas apenas como uma época em que os direitos eram absurdamente negados.

*Rafa Aragão é jornalista

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