Moradores de ocupação popular no Siqueira Campos temem ser despejados

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Fotojornalista, Javier Valado, fez um relato e um registro fotográfico da luta dos moradores da Ocupação Santa Maria, no Siqueira Campos

*por Javier Valado

Desde o dia 3 de outubro de 2014, 224 famílias moram na antiga Clínica Psiquiátrica Santa Maria, localizada no bairro Siqueira Campos, na cidade de Aracaju. A ocupação foi organizada pelo Movimento Sem Teto de Sergipe (MST-SE). O local estava abandonado há 4 anos, sendo utilizado como ponto de venda de drogars.

O terreno, de propriedade particular, pertencia a Ecílio Júnio, que acumulava dívidas avaliadas em mais de 15 milhões de reais. Por isso, além de ocupar a antiga clínica, o MST-SE está pedindo a desapropriação do local para que seja destinado à construção de moradias populares. Em palavras de René dos Santos Tavares, coordenador do MST-SE: “nosso Movimento representa uma oportunidade para aquelas famílias de baixa renda que moram de favor, em condições precárias, que não podem pagar aluguel, de ter um espaço pra morar, e de participar da luta pela moradia digna”. E continua: “em Sergipe se estima que existam umas 30.000 famílias sem teto esperando realizar o sonho da casa própria”.

A Ocupação Santa Maria está dividida em 3 blocos onde mora a maioria das famílias; o resto delas habita em barracos construídos por elas mesmas. Através da auto-organização em assembléia (que acontece todas as quartas-feiras), os/as moradores/as decidem os passos a seguir e dividem as tarefas comuns: limpeza, manutenção dos serviços básicos, vigilância e atividades de lazer para as crianças.

Há alguns dias, o MST-SE recebeu a ordem de reintegração de posse do imóvel por parte do Ministério Público, o que autoriza ação de despejo pela Polícia Militar, a qual poderá ocorrer a qualquer momento a partir de segunda feira (09/02). Frente a esta situação, o Setor Jurídico do MST-SE deu início às ações pertinentes para impedir tal medida, que expulsaria as 224 famílias que lá estão (aproximadamente 600 pessoas, entre elas, uma grande quantidade de crianças e idosos), deixando-as sem opções de moradia, violando, assim, o direito humano e universal à moradia digna e fortalecendo a especulação imobiliária.

René considera que o Movimento tem o apoio da maioria do bairro Siqueira Campos, e espera que o resto da cidade possa conhecer mais de perto a luta do MST-SE: “gostaria muito que a sociedade veja os movimentos de moradia como um espaço que ajuda as famílias sem casa, as pessoas mais carentes, a população de baixa renda. Convido a toda a comunidade sergipana a visitar nossa ocupação, vai ver que aqui não tem malandragem, ladrão, só famílias trabalhadoras que cotidianamente se esforçam pra construir um futuro melhor pra seus filhos”.

Através da lente da câmera fotográfica me encontro com rostos sérios que, de repente, abrem-se num sorriso; as mãos calejadas pelos anos de trabalho, as crianças brincando sem tempo, tudo isso faz parte da paisagem cotidiana da Ocupação Santa Maria. Convido a população de Aracaju a aceitar o convite de René para conhecer as famílias do movimento. Sem dúvida, os/as visitantes/as ficarão surpresos/as com a dignidade e a esperança que brota como as flores naquele arenoso terreno.

*Javier Valado é fotógrafo especializado em fotojornalismo e documentarismo

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