Rever Ateliê: Todo lugar é lugar – Pedro Bomba

trabladores

O poeta de rua, Pedro Bomba, em mais uma experimentação poética. Desta vez, o sergipano juntou a palavra e a música, dando à palavra o poder de ser pulsante e rítmica. Segundo Pedro, a palavra é o maestro dos ritmos, sons e barulhos. A oralidade dançante da cabeça e do corpo. 

TODO LUGAR É LUGAR

Lugar de pobre é em todo lugar
Mesmo sabendo que nem todo lugar é de pobre
Salão nobre, shopping, eventos aqui e acolá
Tudo sendo navalha de corte

Lugar de pobre é na porta
Na beirada
Na margem do rio
Da estrada
Da cana

Lugar de rico
É fama
É sushi,
Sashimi,
Comida italiana
Passaporte pra viajar pra fora
Londres, Cancun,
visitar parentes em Juiz de Fora
Mas não é assim com o pobre…

Quer viajar e não pode
Passear com as crianças
Nem pensar
Domingo é dia de praia
Mas nem sei se o ônibus vai passar
Passou e eu perdi
Agora só de hoje a quinze
Domingo que vem trabalho em Paraty
Condomínio fechado tudo nos trinques

Lugar de pobre é aqui ói
Na cabine de porteiro
Dando bom dia pra juiz
Advogado, fazendo bico de pedreiro
Abrindo e fechando o portão
Zelando
Pela vida
Do patrão

Lugar de pobre
Não é na cozinha
Na dispensa
No puxadinho
No quartinho de empregada
Debaixo da casa
Lugar de pobre é em todo lugar
Mesmo sabendo que ainda nem todo lugar
É de pobre
Os ricos que se preparem
Pois iremos
Pobrematizar as vidas.

 

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