Lideranças negras da Bahia silenciam sobre Chacina do Cabula

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O episódio lembra outras situações de violência policial, como a agressão sofrida pela Mãe de Santo, Bernadete Souza Ferreira Santos, em 2010

por Afropress

Passados mais de 15 dias, as principais lideranças negras da Bahia mantém total silêncio, sobre o caso que está sendo chamado de “Chacina da Cabula”, em que a Polícia Militar da Bahia, executou 12 jovens, na madrugada de 06/02, a maioria dos quais sem passagens pela Polícia.

Segundo testemunhas, os jovens – que na versão da PM baiana foram mortos numa suposta troca de tiros – estavam rendidos e desarmados e foram executados. A “Chacina do Cabula” tem provocado indignação e manifestações de revolta nas redes sociais, não apenas pela violência, como também pelas manifestações do governador Rui Costa, do PT, e do seu secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa, que justificaram os assassinatos.

Execuções

“Nós defendemos, assim como um bom artilheiro, acertar mais do que errar. E vocês terão sempre um governador disposto a não medir esforços, a defender o praça ao oficial, a todos que agirem com a energia necessária, mas dentro da lei’ disse Costa, numa defesa aberta das execuções.

“Eu defendo a vida dos meus policiais e isso é o que importa: a vida dos policiais e a vida da sociedade, que está sofrendo com essas ações delituosas. A resposta é essa. O Estado tem que atuar de forma enérgica no combate a criminalidade e ao crime organizado. Defendo muito a vida dos meus policiais, o que importa é a vida dos policiais e da sociedade”, disse o secretário ao Jornal “A Tarde”. Governador e secretário são responsáveis pelas ações da PM baiana.

Os policiais envolvidos na operação, das Rondas Especiais (Rondesp) continuam trabalhando normalmente e sequer foram afastados das ruas.

O governador também continua a se recusar a receber em audiência Átila Roque, diretor da Anistia Internacional, que pediu investigação minuciosa à denúncias de que os jovens já estavam rendidos.

Silêncio cúmplice

Lideranças como João Jorge Rodrigues, diretor executivo do Olodum, Antonio Carlos dos Santos, o Vovô, do Ilê Aiyê, a ex-ministra da SEPPIR, Luiza Bairros, o ex-deputado Luiz Alberto, não se manifestaram até o momento para cobrar uma atitude do governador que ajudaram a eleger. O silêncio também se estende a líderes vinculados ao PT e ao PC do B, e a entidades como a Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), e a UNEGRO, que tem adotado postura de extrema cautela. Ambas as entidades tem nomes ocupando cargos no Governo de Rui Costa.

O episódio lembra outras situações de violência policial como a agressão sofrida pela Mãe de Santo, Bernadete Souza Ferreira Santos que, em 2010, foi jogada num formigueiro – quando estava incorporada por uma entidade do candomblé – por policiais militares em Ilhéus, no Sul do Estado.

À época, lideranças ligadas negras vinculadas ao PT e ao PC do B, chegaram a articular uma reunião com o então governador Jaques Wagner para pedir a apuração do caso.

Compromissos partidários dessas lideranças, porém, fizeram com que a reunião não resultasse em qualquer medida e ninguém foi punido. Segundo analistas que tem acompanhado a repercussão do caso da “Chacina do Cabula” a situação é semelhante e explica o silêncio e a omissão dos principais líderes.

Racismo

Curiosamente, o mesmo João Jorge Rodrigues, líder do Olodum, que não esboçou reação a “Chacina”, utilizou sua página no Facebook, para dar visibilidade a um caso de racismo que teria sido sofrido por um homem no camarote Planeta Band, mantido pela TV Bandeirantes no último dia 13/02, sexta-feira.

Segundo o relato da pessoa identificada como Leandro Oliveira, que se apresentou como advogado e compositor, ele teria sido impedido de entrar no camarote mesmo vestido com a camiseta apropriada. O diretor executivo do Olodum fez questão de disponibilizar sua rede social para reproduzir na íntegra a denúncia.

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