Por que a presidenta Dilma erra tanto, chora e erra de novo? Hipóteses sob a inspiração de Chico Xavier

Dilma-Rousseff-JN

Ela em nada mostrou ser o tão propalado “coração valente”. Ali vi um “coração fraco” ou um “coração desnorteado”

*por Romero Venâncio

Hipótese um: a presidenta e seus ministros, que falam em público, acreditam piamente no jogo da rede globo e de todo o restante da mídia da casa grande. Será? Por exemplo: reconhecem que a marcha de domingo, dia 15, foi um retumbante sucesso, emparedou o governo e que foi democrática, ordeira, justa e necessária. A presidenta conhece pouco de fotografia, logo se vê. Desconhece ela que as aspirações daquela gente, na sua maioria, branca e da casa grande, eram coisa vazias. Basta ver a iconografia deles mesmos, gritos de ordem, saudosos da ditadura, etc.

Hipótese dois: a presidenta esquece-se dos reais apoios que tem (quase incondicionais) da CUT, PT, MST, Levante popular da juventude, Carta Capital, setores das universidades públicas e os milhares de cargos comissionados espalhados pelo Brasil a fora? A marcha do dia 13 pode não ter sido tão massiva quanto se esperava, mas foi sincera. Tirando o ministro da Fazenda e a ministra da Agricultura, a coisa caminha para o “socialismo bolivariano” ou coisa parecida. Isto deveria pesar na avaliação noturna da presidenta e de seus ministros.

Hipótese três: que tipo de jornalismo frequenta a presidenta e seus ministros que falam em público? Só a Folha de São Paulo; o Globo; o Estado de São Paulo? Ou será que chegam a ler o que se produz nas redes sociais e jornais e revistas menores? Está em curso a produção de uma “verdade histórica” que pretende encurralar toda a ideia de esquerda nesse país, independente do rótulo. Ou será que a presidenta não tem prestado atenção nisto? O que lhe falam os seus ministros que falam em público?

Hipótese quatro: depois da vitória da presidenta Dilma, no ano passado, o Brasil inteiro percebeu a importância das redes sociais na sua vitória. Não determinou, mas definiu. Paradoxal? Diziam a maioria dos falantes do governo àquela época. Acredito em parte na tese e vi nestas redes uma militância incansável, durante as eleições. E agora, acredita a presidenta e seus ministros que falam (em público) ainda no papel das redes sociais? Essas mesmas redes têm feito um papel importante de investigar o que de fato foi o dia 15 de março passado nas ruas. As fotos, os números, as manipulações, o papel das mídias da casa grande, entre outros.

As redes sociais vasculham tudo e acham verdadeiras pérolas que deveriam municiar a presidenta num discurso mais ofensivo, animador e de luta. Ora, vive dizendo a presidenta que enfrentou a ditadura com armas em punho (o que de fato, foi) e hoje tem medo de “fascistas de fraldas”? A fala em cadeia nacional da presidenta foi, no mínimo, fraca e titubeante. Ela em nada mostrou ser o tão propalado “coração valente”. Ali vi um “coração fraco” ou um “coração desnorteado”. Com tantos apoios nas redes sociais, por que tanto medo? Chico Xavier, guerreiro do espiritismo brasileiro, me socorra!

Hipótese cinco: lendo os artigos de Vladimir Safatle (PSOL) e Mauri Iasi (PCB), oposição declarada e sincera da política da presidenta desde as eleições, percebe-se uma crítica à esquerda. Em nenhum momento apoiam fascistas, direitistas, elitistas de plantão. Reivindicam um rumo coerente do governo da presidenta e chamam às favas aqueles que ainda se dizem de esquerda no governo e no PT. Não defendem o “impedimento” da presidenta, não fazem acusação machista, não são sexistas nos seus artigos públicos e se posicionam declaradamente à esquerda e nas reivindicações históricas da classe trabalhadora desse sofrido e enganado país.

Logo, não deveriam meter medo na presidenta e poderiam até ajudá-la a pensar e repensar no que está fazendo e com quem está se “confessando”. No caso de Safatle, vai mais longe ao afirmar que a “nova república” acabou. Então, presidenta por que tanto medo? Essa não seria a hora de mostrar força e esperança aos seus “comandados”? Será que a presidenta acha que se proporcionar uma guinada à esquerda no seu governo, ficará só? E estes tantos que lhe apoiam, não vale a pena escutá-los? Chico Xavier, guerreiro do espiritismo brasileiro, me acuda, ou, nos acuda.

Hipótese seis: o breve e curto artigo de Frei Betto, divulgado no facebook pelo bravo Cid Benjamin, e lido mais de uma vez por este servo aqui do senhor, deixa claro que a crise de fato chegou ( e não veio informada pela macha da direita brasileira), mas pela própria realidade e pelas escolhas econômicas do governo. Segundo o frade católico romano, a presidenta ainda tem uma saída: ou muda o rumo do governo e assume o “projeto popular” de seus apoiadores de primeira: CUT, PT, MST, Carta Capital, etc, e toma o caminho da esquerda corajosamente ou fica como tá e com as companhias da hora e do governo e compromete de vez o “projeto 2018”, trazendo de volta a direita: PSDB, DEM, fascistas a brasileira de toda sorte,  profetiza o frade.

Escuta a presidenta as boas palavras do bom frade? Tenho plena convicção que o ex-frade Leonardo Boff vai nessa mesma direção. Apoio e peso da esquerda católica brasileira.

Hipótese sete: E ainda tem toda uma “raia miúda” doidinha para apoiar uma mudança significativa no rumo do governo nessa hora tão crítica. Estudantes com a cara da presidenta em tudo que é lugar, trabalhadores em geral e anônimos, movimento de mulheres, negros, homossexuais que estão quase que clamando nas redes sociais por uma palavra de ordem da presidenta, e até aqui, nada sai deste “coração valente”. Diz a Bíblia cristã que o “a boca fala do que está cheio o coração”. Será que a presidenta confia realmente nestas pessoas de boa fé e de tanta vontade de ir à luta com ela? Ou prefere confiar nas avaliações em série da globo news sempre na mesma pisada o tempo todo?

*Romero Venâncio é membro da REVER e professor de Filosofia da UFS

 

3 comentários sobre “Por que a presidenta Dilma erra tanto, chora e erra de novo? Hipóteses sob a inspiração de Chico Xavier

  1. As pessoas quando enchem o saco das outras,fazem com que o criticado fique na dele.É muito constrangedor o momento para qualquer um! ter uma pessoa para te ouvir e ajudar é uma coisa,ter juma pessoa pronta para te prejudicar calado ou falando é outra coisa!!! E são centenas pelo país afora. Melhor ficar quieto,normal!

  2. Entendo, o clamor evocativo de um “espírito” latente nas brenhas e nos cafundós do socialismo prático deste partido dos “trabalhadores”. Porém, afirmo que cada “espírito” que é latente nesses ideais elaborados da teoria marxiana do comum, aquele “idealismo nacional” que teve os efeitos simulacrais na alemanha nazista (nacional-social) e na rússia soviética (nacional-social) das guerras mundiais européias!… impacte exatamente nele

    no espírito, este que está “vibrando” no clamor de um mundo mais humano no contexto universal do que nunca!

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