REVER Ateliê: Um amor para Quitéria

terra

*Moema Costa

Quitéria chegou, não sei por que veio. Se por meu desejo ou curiosidade. Sacodiu as cartas na mesa como quem diz: “Desnecessárias!…” Tinha tudo ao alcance da língua. Especialmente o que lhe convinha na arte do deboche. Chegou imponente, balançando a barra do vestido.  Derramou impressões pela sala. Tratou de mapear o espaço… Olhou atentamente para o quarto ao final do corredor, séria… e, de repente, sorriu. Sorriu ironicamente como quem vislumbra as razões mais secretas… Com aquele ar intransigente, Quitéria foi se desenovelando um amor de pessoa. Vez em quando advertia: “Mato e não sinto remorso. Tudo a mando do santo”. E se diverte. Curte as trevas… Talvez por afinidade ou excesso de disposição, Quitéria resolveu realizar o “serviço” – sem que eu pudesse lhe ofertar os cigarros, o que para ela não tinha a menor graça. Cheirou algumas vezes a boca da garrafa de Montilla, perfumou o pulso… Sem muitas perguntas, propôs uma, duas, três macumbas: proteção, verdade e amor com uma dose generosa de doçura. Em troca, Quitéria me gozou, testou e pediu auxílio: “Enterre essa moeda na planta que você mais gosta. Quero um amor pra mim também”. Todo aquele cuidado e brandura, os esclarecimentos – sem cigarros -,  Quitéria ia se permitindo, se reconhecendo e transformando… Ah! Se Quitéria soubesse o bem que me fez, a saudade que deixou e o Amor que se criou… nem cultivava moeda em planta!

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