Sem grana não tem amor: O monumento personalista de Jackson e a cultura à mingua

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Prioridades eleitas do Governador de Sergipe sublinham ausência de política cultural

*por Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br


Passou batida a notícia de que o governador Jackson Barreto esteve em Brasília, mês passado, providenciando a liberação de R$ 7 milhões para a construção do Largo da Gente Sergipana. Ou, pelo menos, não suscitou as reflexões pertinentes. Não é necessário nem se ater a questões de ordem estéticas, sempre subjetivas, para condenar o projeto (de uma breguice flagrante!). Basta comparar o montante solicitado em audiência no Ministério do Turismo com o orçamento minguado da Secretaria de Estado da Cultura. O fim da picada!

Sem grana não tem amor. É por força das dificuldades pecuniárias da Secult, por exemplo, que o recém lançado edital para a composição da programação artística do Arraiá do Povo oferece o exíguo prazo de três dias para a elaboração e apresentação dos projetos candidatos. O documento, é forçoso reconhecer, atende a parâmetros desejáveis de impessoalidade no trato com a coisa pública. Em intervalo tão estreito, contudo, poucos se habilitarão à concorrência e o seu resultado restará, obrigatoriamente, prejudicado. Um armengue escandaloso.

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O arremedo de edital não surpreende quem vem acompanhando a gestão do secretário Élber Batalha com a devida atenção. A própria composição das secretarias e órgãos de cultura da aldeia depõe contra os propósitos dos gestores. Utilizado como moeda de troca eleitoral, o cargo é quase sempre exercido sem a devida atenção às demandas e ansiedades da classe artística. É desse modo que a reforma e inauguração da Galeria J Inácio, apenas para citar um exemplo sensível, se deu de maneira completamente arbitrária, à revelia dos princípios democráticos de ocupação do aparelho público. A Secult poderia ter aproveitado a oportunidade para lançar um calendário de ocupação do espaço, mediante concorrência pública, mas preferiu afagar as vacas sagradas de sempre.

Que ninguém acuse Jackson Barreto de agir por impulso, ao dispor de quantia tão expressiva em tamanho despropósito. O projeto do Largo da Gente Sergipana – um conjunto de oito esculturas medindo sete metros de altura, avançando sobre o leito do Rio Sergipe – tem objetivo muito bem definido. “É um projeto que vai marcar nossa passagem pelo governo pela grandiosidade”. Não há o que tirar nem por nas palavras do homem. Pelo visto, o prefeito João Alves Filho está fazendo escola.

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