“Viva La Brasa” – o livro, jornalismo alternativo e memória para uso diário

ADOLFO SÁ_VLB_Cinform

Se virtualmente o “Viva La Brasa” já era memória viva da cena alternativa em seus sete anos de existência, o livro recém-lançado consegue ir além.

*por Rafa Aragão 

Se dizem que brasileiro tem memória curta, o que dizer especificamente dos sergipanos? Nós que ainda buscamos definir a tal “sergipanidade” temos dificuldade de rememorar e reverenciar aqueles que fizeram história no passado. E se os fatos e personagens estiverem no chamado underground, o limbo pode acabar sendo o caminho mais próximo. No entanto, nos últimos anos diversos realizadores vêm buscando reverter esse problema histórico por meio de curtas, mostras, fotografias, literatura entre outros. Agora chegou a vez de o jornalismo dar sua contribuição.

Porém, não é qualquer jornalismo, esqueça o feijão com arroz. Aqui é jornalismo gonzo, chapado, punk. Adolfo Sá é jornalista, blogueiro, zineiro e mais umas coisinhas que também terminam com ‘eiro’, como ele mesmo se define, já teria seu nome gravado na história do jornalismo independente sergipano por ter integrado a trupe que editou na década de 90 o “Cabrunco Zine”, que está entre os melhores zines já feitos no Brasil. O zine acabou e como quase todo zineiro, Adolfo não deixou de escrever, porém migrou para os blogs e criou o “Viva La Brasa”.

De 2005 a 2012 o “Viva La Brasa” cobriu os assuntos mais pertinentes do chamando mundo alternativo. Mundo porque Adolfo jamais se limitou a falar apenas o que acontecia aqui na terrinha das araras e dos cajus. Fosse algo interessante na música, politica, cinema, quadrinhos ou do surf, caía na rede do homem-brasa. Estão lá Leonardo Panço, Silvio Campos, Cleomar Brandi, Autoramas, Renegedes of Punk, Allan Sieber , Adão, Tarja Preta,  Reação, Plástico Lunar, The Baggios, entre outros. As primeiras marchas em Aracaju da Maconha e das Vadias, Rock Sertão, Projeto Verão, Rua da Cultura, Notívagos, Aperipê,  Clandestino e tudo mais que fez movimentar a cena.

Se virtualmente o Viva La Brasa já era memória viva da cena alternativa em seus sete anos de existência, o livro recém-lançado consegue ir além.  Pois não estão apenas os melhores posts feitos ao longo dessa última década. Adolfo compilou textos da época do “Cabrunco”, colaborações recentes (como as que fez para revista “Cumbuca”), além de crônicas e textos dos comparsas de longa data. Não à toa, no livro se lê “Adolfo Sá e amigos” como autores.  São vinte anos de jornalismo independente resumidos em belíssimo livro com a arte gráfica assinada pela competente Gabi Etinger.

“Viva La Brasa – o livro” não preenche completamente a lacuna da nossa memória cultural. No entanto, é leitura obrigatória para quem quiser conhecer mais sobre o que rola por fora do mainstream e pretende se aventurar na praia do jornalismo cultural. Para nós de Aracaju é de extrema importância conhecer um pouco mais sobre nós mesmo e ver que há muito tempo tem gente na correria. Viva la Brasa, viva la vida.

*Rafa Aragão é jornalista e membro da Rever 

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