Beatriz Nascimento: memória viva neste 25 de julho

beatriz

*por Ingrid Mendes Guimarães

O processo de invisibilização da mulher negra e da sua condição é produto do racismo e do sexismo que assolam a sociedade brasileira, pois apesar de no Brasil, 25% da população ser formada por mulheres negras, e da maioria delas se localizarem no nordeste, nós, mulheres negras nordestinas, não nos vemos representadas nos espaços de poder e de tomadas de decisão. Majoritariamente, somos condicionadas a ocupar os piores trabalhos, com salários mais baixos, resultado de uma política de exclusão social originada no período pós-abolição.

Diante de tanta contradição presente nessa sociedade e da falsa democracia racial, a negação da cidadania efetiva para milhares de mulheres negras já não pode mais ser aceita, é preciso que o papel social que nos atribuem seja questionado e transformado, é imprescindível que os espaços de poder sejam também ocupados pelas mulheres negras. Até mesmo os movimentos feministas mais plurais, ainda hoje, sentem dificuldade em reconhecer a luta de muitas mulheres negras que estiveram presentes nos movimentos sociais e políticos. As heroínas e intelectuais negras, sofrem um processo de total invisibilização ao longo do processo histórico.

Portanto, o feminismo negro, enquanto movimento social e político surge a partir da necessidade de superar as limitações dos movimentos feministas centralizados nas demandas das mulheres da classe dominante, trazendo a pluralidade para a discussão de gênero e rompendo com a invisibilidade da mulher negra.

25 de julho

Nesse sentido, o marco do dia 25 de julho foi idealizado a partir da constatação, no I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, em 1992, de que a condição da mulher negra latino-americana é predominantemente, uma condição de exploração, exclusão e opressão, por residirem em países periféricos onde a desigualdade social é estrutural e a pobreza, de certo, incide majoritariamente sobre elas, por sua condição de subordinação interseccional, oriunda da imbricação de dois grandes eixos de subordinação, o racismo e o sexismo.

Assim, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, comemorado no dia 25 de julho, traz como bandeira de luta o enfrentamento e a superação da condição imposta à mulher negra, em especial da mulher negra latino-americana, proporcionando visibilidade e reconhecimento à presença e à luta das mulheres negras nesse continente, mas, mais do que isso, é um marco internacional de luta e resistência da mulher negra contra a opressão de gênero, o racismo e a exploração de classe.

Memória sergipana: Beatriz Nascimento e sua luta por direitos

Logo, em alusão a este dia, a Auto-organização de Mulheres Negras Rejane Maria/SE, pretendendo fortalecer cada vez mais o feminismo negro interseccional em Sergipe, sensibilizar as mulheres negras sergipanas, do campo e da cidade- tendo em vista que 70% das mulheres sergipanas são negras, e instigar nelas a luta pelo enfrentamento e superação de suas condições – promoverá, nesta segunda, 27, uma roda de conversa com a professora e pesquisadora Solange Rocha, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), sobre a trajetória política da sergipana Beatriz Nascimento.

Filha de Aracaju, mulher, negra, nordestina, quilombola urbana, historiadora, poeta, ativista, roteirista e idealizadora do documentário “Ôri” – militante que durante sua vida deu visibilidade ao enfrentamento contra o racismo, sexismo, discriminação, preconceito e demais desigualdades raciais e sociais, e se tornou numa das maiores inspirações à luta das mulheres negras. Convidamos todxs a participarem desse enriquecedor e instigante momento.

O QUÊ? PALESTRA: O FEMINISMO NEGRO E A TRAJETÓRIA POLÍTICA DE BEATRIZ NASCIMENTO

QUANDO? 27 DE JULHO. ÀS 18H.

ONDE? SINDIPETRO – RUA SIRIRI, N.629 – CENTRO

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*Ingrid Mendes Guimarães é militante da Auto-organização de Mulheres Negras Rejane Maria/SE.

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