Evento reunirá indígenas de Sergipe e Alagoas na UFS

Curumins na retomada indígena Kariri-Xocó
Curumins na retomada indígena Kariri-Xocó

Sexta-feira Indígena na UFS, que acontecerá na próxima sexta-feira, 4, irá reunir os Xokó de Sergipe e os Kariri-Xocó, Xucuru-Kariri, Karapotó, Tingui-Botó e Aconã, de Alagoas

por Geilson Gomes

Em abril de 2015, indígenas de várias etnias organizaram a Mobilização Nacional Indígena. Foi um momento de muitos embates nas ruas, nas fazendas e na Esplanada dos Ministérios também. Além da pauta que defendia o fim do genocídio dos povos tradicionais, existia no seio da luta, uma reivindicação para que o Estado não aprovasse a PEC/215 – que tem a intenção de transferir do poder executivo para o poder legislativo os procedimentos de demarcação de terra indígenas, quilombolas e áreas de proteção ambiental.

A PEC/215 tem estreita relação com os interesses da bancada ruralista. Isso não é nenhuma novidade e também não é de se espantar. É tanto que, dias depois do assassinato do indígena Guarani-Kaiowá, Semião Vilhalva, morto a tiros no dia 29 de agosto, deputados fortaleceram a necessidade da aprovação desta PEC. Inclusive, nesta quarta-feira, dia 2, acontecerá a votação do parecer favorável a PEC/215 na Comissão Especial da mesa diretora da Câmara dos Deputados.

E o que podia não piorar, piorou. E muito! Agora, com uma roupagem de salvação para a nação, o Estado propõe a Agenda Brasil. Dentre as inúmeras propostas conservadoras, elitistas e racistas deste documento tenebroso e carregado de interesse de classe, tem duas que batem de frente com os direitos dos povos tradicionais. A primeira pretende revisar os marcos jurídicos que regulam as áreas indígenas, como forma de compatibilizá-las com as atividades produtivas e a segunda define uma simplificação no licenciamento para construção na orla marítima e unidades de conservação.

Deste modo, mais uma vez, os herdeiros da casa grande legalizam o genocídio de um povo, matando também, aos poucos, sua história. Será que realmente está nas mãos de Calheiros e dos capitalistas que lucram com a exportação da soja o poder de decidir sobre a vida dos indígenas?

Sexta-feira Indígena na UFS

Com o intuito de abordar temas relevantes da luta dos indígenas, a Sexta-feira Indígena na UFS, que acontecerá na próxima sexta-feira, 4, irá reunir os Xokó de Sergipe e os Kariri-Xocó, Xucuru-Kariri, Karapotó, Tingui-Botó e Aconã, de Alagoas. Muito mais do que ir na contramão do retrocesso político brasileiro, este dia também será de compreensão dos elementos da linguagem, educação, história e protagonismo indígena.

Conforme o professor de Letras da UFS, Beto Vianna, a questão indígena desperta o interesse de algumas áreas do saber, como a educação, a história, e, claro, a antropologia. “Porém, a grande responsabilidade ao se tratar desta questão, em qualquer aspecto, é a sua importância política. É um momento de afirmação política e cultural da presença dos povos indígenas entre nós”, afirma.

Ele ainda coloca a importância deste tema. “O atual governo, tal como os que o antecederam, tem demonstrado como o Estado não só é omisso mas se coloca, muitas vezes, ativamente ao lado dos setores anti-indígenas. Mais do que discutir questões acadêmicas, é uma oportunidade de conclamar toda a sociedade para se unir em defesa dos modos de vida indígenas, sejam eles muito diferentes ou semelhantes aos nossos, mas, acima de tudo, respeitar as suas escolhas, o que é benéfico para todos nós”, conclui.

O encontro contará com mesas redondas abordando aspectos da vivência indígena e de suas relações com a sociedade envolvente e apresentação das manifestações culturais, na forma da dança e do artesanato. Além disso, o indígena Aílton Krenak vai participar dos debates e lançar o livro Aílton Krenak, organizado por Sérgio Cohn e prefaciado por Viveiros de Castro. A obra reúne textos e entrevistas concedidas ao longo da vida de Aílton.

Confira a programação do evento:

9h30 às 12h30 – Mesa redonda “Linguagem e educação indígena em Sergipe”, com Edinéia Tavares Lopes, Beleni Salete Grando, Beto Vianna e Apolônio Xokó
14h às 15h – Apresentação do Toré com os povos Xokó, Kariri-Xocó, Xucuru-Kariri, Karapotó Terra Nova, Karapotó-Aplaquiô, Tingui-Botó e Aconã
15h às 18h – Mesa redonda “Fazendo a diferença: história e protagonismo indígena”, com Ugo Maia Andrade, Beatriz Góis Dantas, Aílton Krenak e Cacique Bá Xokó – Como parte do Ciclo de Debates em Antropologia, organizado pelo PPGA
18h às 21h – Lançamento do Livro Ailton Krenak e debate com o líder indígena

Das 9 às 21h – Exposição e venda de artesanato indígena de Sergipe e Alagoas.

Mais informações no site: http://sextafeiraindigena.blogspot.com.br/

 

Comentar

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s