Sercine 2015: Regaste ao passado e crítica atual

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Rubras Mariposas e Brasil S/A fecham quinta noite do festival Sercine

 *por Rafa Aragão

Os trabalhos finais da quinta noite do Sercine começaram com Rubras Mariposas de Anderson Craveiro. O filme se passa em Londrina e conta com o talento de Maria Alice Vergueiro, atriz de diversos trabalhos no cinema e teatro, conhecida da geração mais jovem pelo vídeo Tapa na Pantera, sucesso nos primeiros anos de Youtube com milhões de views. O filme é bastante poético e mostra o auge e a decadência da boêmia londrinense quando era “Capital Mundial do Café”. Com ótima fotografia, as cenas em Super 8mm dão um gostinho de memória retomada e aumentam o valor artístico da obra.

Tudo é contado através das lembranças da cafetina Jussara (Maria Alice Vergueiro) e sua vida nos cabarés. Essa é a busca do filme, contar um pouco da história da cidade por um ângulo marginal. “Mariposas” é como eram chamadas as moças que chegavam à cidade para o trabalho sexual. No entanto o filme mostra que havia algo além do entretenimento sexual, outras veias pulsavam nas casas de diversão.  Poesia, música e politica também estavam presentes.

Para quem conhece Maria Alice Vergueiro apenas por seu personagem cômico da internet, terá uma surpresa com o show de interpretação da atriz. O final com imagens de uma jovem Maria Alice, dão ar quase que documental ao filme. Rubras Mariposas é um ótimo filme

Um Brasil nada legal

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Brasil S/A longa de Marcelo Pedroso fechou a noite.  O filme não trilha pelo caminho da simplicidade. Sua ironia é sofisticada e seu estilo de filmagem não se encaixa em rótulos. Esse sem duvida é seu maior mérito, traz reflexão diante do jogo de cenas e imagens. Sem falas, o filme se explica por meio de suas ações. Ou por sua trilha sonora. Como na cena que um culto mudo é sobreposto por “The sound of Silence”.  Algumas cenas do filme lembram outro do próprio Marcelo. Quem já assistiu ao curta Em Trânsito, vai se familiarizar rapidamente com Brasil S/A. Estão lá as máquinas, os carros cegonhas, a critica à industrialização e até o personagem Elias faz sua participação no longa. Apesar das semelhanças a abordagem é diferente.  No curta, Marcelo direciona sua critica aos discursos de Eduardo Campos e Dilma Rousseff, já no longa a coisa parece vir das raízes do Brasil. Em vários momentos você sente uma analogia entre passado e presente como se quisesse explicar os dias atuais.

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O filme alterna momentos empolgantes com cenas monótonas. Nem tudo é perfeito, mas ninguém pode dizer que Marcelo apelou pelo caminho fácil. Isso sem dúvida deve ser levado em consideração. Não sei se todos os presentes na sessão do Sercine conseguiram compreender as referencias e ironias expostas ou fazer a reflexão que o filme propõe e acredito que seu diretor não está preocupado com isso. Nem eu sei se consegui captar tudo que foi colocado em seus 72 minutos. O que é importante dizer é que o Brasil S/A é um filme bastante original, crítico, que apesar de ficcional expõe diversas verdades inconvenientes do nosso país. É Recife, mas poderia ser Aracaju, ou qualquer outra cidade que passa pelos mesmos processos de desenvolvimento econômico desigual e agressão à natureza.

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