Futebol Sétima Arte

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Na sexta noite do Sercine, Campo de Jogo de Eryk Rocha traz futebol não gourmetizado  

*por Rafa Aragão

O longa da sexta noite do Festival Sercine foi de um velho conhecido do evento.  Eryk Rocha já teve outro filme  exibido em terras aracajuanas, a diferença é que este ano ele participou da exibição e de um bom bate-papo pós filme. Mais uma bola dentro da organização do festival.  Para que gosta de futebol, seu novo filme é de empatia instantânea. Apesar do Brasil tem o futebol impregnado em sua cultura, o cinema abordou muito pouco o esporte bretão.  Mas se engana quem acredita que Campo de Jogo é um filme para amantes da pelota.  O filme pode ser visto e digerido mesmo por aqueles que não conseguem enxergar sentido em vinte dois homens correndo atrás de uma bola.

Filmado durante um campeonato de times de favelas, Eryk Rocha acaba construindo um contraponto ao processo de elitização que vive o futebol brasileiro desde que passamos a organizar grandes eventos, em especial a Copa do Mundo de 2014. Ali é futebol pulsando em sua forma mais verdadeira. As câmeras passeiam pelos jogadores, como se não fosse um jogo e sim uma dança. Não espere jogadas plásticas ou coisas que reforcem o ideal de “futebol-arte” que supostamente existe no DNA brasileiro. O filme mostra toda a catarse do esporte, mas por meio do olhar e da voz da torcida, a fala dos técnicos, as expressões dos jogadores, a tensão do juiz.

O som é um elemento que se destaca na produção. Como não há entrevistas, todas as falas, xingamentos e efeitos colocados no pós-produção acabam por ser o fio condutor da narrativa. Além da música clássica como trilha sonora, reafirmando a ideia de dança, arte e poesia.  Quem está acostumado com documentários sobre futebol com a linguagem próxima do que é feito nas transmissões da tv, terá um choque. E quem não gosta de futebol talvez entenda porque dizem que o esporte é “mais que um jogo”.

Se um dia iremos recuperar o status perdido após o 7 a 1 e os sucessivos escândalos e tropeços envolvendo nosso futebol, ainda não sabemos. No entanto a  obra de Eryk Rocha prova que a essência do futebol sobrevive nos lugares onde talvez muitos não acreditem, mas que sempre forneceram craques para o mundo. Os campos de pelada.

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