Lula e o ataque da Mídia Alternativa

juventude_com_lula72450Como um guardião de um tesouro, ou talvez como um protetor de interesses escusos, uma parcela da mídia alternativa vem defendendo com unhas e dentes o discurso do governo petista

*por Geilson Gomes

Uma batalha midiática está acontecendo agora na tela de nossos computadores. De um lado está a grande mídia – imponente até então, e do outro se encontra uma parcela da mídia independente. Nessa disputa, cada postagem revela o grau de compromisso que cada meio tem. Com um poder desigual e imensurável, a grande mídia não cansa de noticiar na TV, portais e rádios um suposto fim do ex-presidente Lula. Já a mídia radical, focada nos ativistas das redes, tenta de maneira criativa, na guerra dos memes e gifs, convencer os internautas de que está acontecendo um golpe no país.

O que mais me intriga nesse confronto é como esta parcela da mídia independente age. Como um guardião de um tesouro, ou talvez como um protetor de interesses escusos, ela defende com unhas e dentes o discurso do governo petista. E não é a primeira vez que há uma irrupção em massa da mídia que não é de massas. Lembro-me que na última eleição presidencial o exército de Dilma trabalhou muitos nas redes sociais, com videozinhos e hashtags, utilizando todas as artimanhas da web 2.0 – participativa e dialogável.

Quais os reais interesses dessa mídia alternativa? Se olharmos para a questão da democratização da comunicação, pauta que une todos os coletivos, midiativistas e movimentos sociais, o governo do PT não chegou nem perto de discutir tal tema. Ao invés disso, preferiu manter o monopólio nas comunicações, renovar concessões e continuar derramando verbas estatais em grandes mídias. Não custa nada lembrar que 2005, em meio a uma crise no governo Lula, Hélio Costa foi nomeado para ministro das comunicações. O que será que um dono de um veículo de comunicação vai priorizar em sua pasta?

Quando falo mídia alternativa, estou me referindo ao modelo de comunicação que não é o hegemônico, ou seja, um instrumento que contrapõe a lógica central da mídia dominante e que veicula uma mensagem destinada à transformação social. Ademais, ela, ideologicamente, não é aliada as organizações de poder social, político e econômico.

Lula lá e eu aqui

Tudo nesta vida tem um sentido, quando estamos falando da realidade concreta. Por isso, sem abstrações, o real sentido da defesa de Lula por parte de uma parcela da mídia independente pode ser explicado pelo segundo movimento realizado pelo governo petista na área da comunicação.

O PT, desde o seu primeiro mandato, vem realizando uma série de investidas em uma parte da produção alternativa. Com a política de editais públicos, muitas experiências de comunicação independente, movimentos sociais e coletivos de cultura e juventude se mantêm ativas pelo país afora, inclusive em lugares esquecidos pelo poder público, como nas periferias. Além disso, o governo também injeta verba pública em canais alternativos, através de propagandas.

Segundo dados do Blog do Fernando Rodrigues, em 2014, o jornal Brasil de Fato recebeu cerca de R$ 300 mil, o Diário do Centro do Mundo cerca de R$ 200 mil, a Carta Maior R$ 480 mil, a Fórum quase R$ 100 mil e Caros Amigos R$ 440 mil (fonte: http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2015/07/02/publicidade-federal-para-midia-alternativa-vai-a-r-92-milhoes-em-2014/). Sem contar as relações que existem entre o governo e outras experiências como o Brasil247 e o Fora do Eixo (FdE).

O Fora do Eixo, sem dúvida, é o que mais se destaca, pois, com sua filosofia de autogestão e conhecimento compartilhado se estrutura hoje como o braço esquerdo do governo petista. O Fora do Eixo é o único “movimento/rede” que dialoga com o PT. Não tem MST, CUT e UNE. Ele é bem articulado com o Ministério da Cultura. Inclusive, na última eleição de Dilma, foi realizado um vídeo de apoio a presidenta com algumas figurinhas que encabeçam o FdE.

Falar do FdE é sintomático porque eles estão articulados em quase todo o território, integrando vários canais de comunicação independentes e o seu poder de alcance e cobertura chega a incomodar a grande mídia. Quem não se lembra que em 2013, em meio as grandes manifestações, a globo foi obrigada a transmitir imagens do Mídia Ninja (braço do FdE) em seus telejornais.

Defender Lula e o PT para uma parte da mídia radical vem se tornando caso de vida ou morte. É uma pena, pois o que diferencia um modelo alternativo e um hegemônico é o seu projeto de sociedade, e o projeto do governo petista, de genocídio do povo negro e indígena, do agronegócio e de ataque aos trabalhadores não é o mesmo de um meio transformador. Parafraseando o grande Eduardo Taddeo, muitas vezes conseguimos ver o extermínio e quem atira, mas não enxergamos de fato quem é o exterminador.

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