Rever Entrevista: Sagaz das Atalaias

Foto: Pedro Sales
Foto: Pedro Sales

Rapper sergipano conta sobre a sua trajetória musical e o novo EP – Arapuca

por Geilson Gomes

Os astros não metem. Eles indicam caminhos, nos ensinam a contar a nossa própria história, e por que não, cantar a nossa própria música. No universo musical, a palavra astro ganha uma pomposidade que destoa de sua verdadeira essência. Astro pode ser cometa e pode ser estrela. Astros são todos os corpos. Ademais, eles nunca estão sozinhos.

Sem muita viagem espacial, mas sabendo que estamos conectados nesse mundo holístico, apresentamos um dos artistas mais influentes do rapper sergipano, Sagaz das Atalaias,  um astro do universo do rap em Sergipe – cenário que conta com muitos outros astrxs.

Com o seu novo EP – Arapuca, lançado no último mês, Sagaz nos mostra que o confinamento criativo na caverna e o tempo de meditação musical foi importante para o crescimento de seu som. No mais, confira a entrevista que realizamos com Sagaz, no qual ele conta sobre o novo trabalho, seu trampo com rap e sobre o show de lançamento do EP, na próxima sexta-feira, dia 20 de janeiro, no Che Music Bar.

ReverConte-nos sobre a sua trajetória musical

Sagaz – Minha história com a música é um tanto inusitada. A primeira vez que subi ao palco para uma apresentação foi numa banda de forró pé de serra, ao lado do cordelista Chiquinho do Além-Mar, por volta de 2007. Era responsável por uma parte da percussão, basicamente triângulo e pandeiro. Aprendi a tocar pandeiro ainda criança, acompanhando algumas rodas de boa música de amigos dos meus pais. A escrita também sempre esteve presente em minha vida. Escrevia diários e algumas poesias quando era criança, e a leitura era parte do meu dia. Anos depois, aos 18, comecei a escrever minhas primeiras letras de rap, algo ainda bem primitivo e com bastante revolta, coisa normal para um jovem. Mas era interessante, a escrita era uma espécie de diálogo comigo mesmo. Coisas que eu queria desabafar, mas não tinha coragem de expor ao mundo, até pela minha falta de maturidade e minhas dúvidas. Em 2010 fui morar em Recife, e o movimento Hip Hop pernambucano é muito forte. Nelson Triunfo é o pioneiro da cultura no Brasil, o próprio Chico Science era B-Boy, ambos de Pernambuco. Comecei a frequentar as batalhas por lá, principalmente a Batalha da Escadaria. Lá conheci os irmãos da Chave Mestra, recebi o convite para fazer parte de uma música, e começamos a criar laços mais fortes, até que fui inserido ao coletivo. De lá pra cá foram vários shows, algumas viagens, batalhas, freestyles, e sinto que está apenas começando.

Rever E suas referências musicais?

Sagaz – Ainda hoje escuto muita música nacional, coisas como Jorge Ben, Cazuza, Adriana Calcanhoto. Aprecio a poesia, a simplicidade e as melodias das músicas mais antigas. Cresci também ouvindo reggae. Bob Marley, Alpha Blondy e Edson Gomes. Forró é paixão de todo nordestino, pelos menos os nascidos nos anos 90. O rap entrou no nas minhas fitas cassete em 1999, aproximadamente. Marcelo D2, D-Crime, Pavilhão 9, Cypress Hill e Eminem foram minhas primeiras referências. Depois disso comecei a consumir cada vez mais músicas do gênero, e rock’n roll também. Hoje em dia estudo muito os estrangeiros, principalmente norte americanos. Querendo ou não, além de serem os criadores, são os que estão mais à frente em termos de mercado e tendências.

Rever – Como anda a parceria com outros artistas?

Sagaz – Faço parte do coletivo Chave Mestra, sou integrante solo do grupo há 4 anos, aproximadamente. Represento a Chave Mestra em Sergipe. O grupo é original de Paulista, cidade periférica ao centro Recife. São vários Mc’s que integram o grupo, funcionando tanto com formatos solo, quanto o grupo completo no palco. Nomes importantes do cenário nacional atual são da Chave Mestra.

Rever – Conte-nos sobre a criação do Ep. Arapuca.

Sagaz – Arapuca é uma experiência com o trap, um subgênero do rap. Com elementos eletrônicos, batidas mais intensas e geralmente com um ambiente noturno como cenário das músicas. A palavra trap significa armadilha, em inglês. Arapuca é um tipo de armadilha indígena, totalmente apropriado para nosso contexto.

Rever – Qual a expectativa para a apresentação de lançamento do EP?

Sagaz – Cada show, por mais que tenhamos já um tempo de estrada, é uma novidade. A adrenalina toma conta e é isso que mantém o músico vivo. Esse show de lançamento vai ser uma noite de celebração. Convidei amigos de Aracaju e Recife pra agitarem esse baile comigo. Será uma noite de mistura de ritmos, coisa dançante. Somos do nordeste, o forró corre na veia, o gingado e a malandragem do brasileiro. Será uma noite maravilhosa!

ReverQual sua análise sobre a cena do rap sergipano na atualidade?

Sagaz – É incrível ver a evolução e expansão do rap em nosso estado. Temos grupos em todas as partes da capital, de alguns interiores surgem grupos e mc’s, isso é motivador, ver que a cultura está sempre se renovando. É importante sempre tentar se destacar em meio a tanta gente produzindo. Procurar a identidade mais original possível, ir de encontro a toda a massa igual que vem surgindo. Fico muito feliz com esse crescimento, quando comecei minha jornada, tinha-se pouca notícia sobre rap em Aracaju, por mais que o movimento já fosse forte. Era forte e pouco aparecia, hoje em dia está cada vez mais forte e visível.

Rever Sagaz, fique a vontade pra complementar com algo que não foi perguntado

Sagaz – Não tem como fechar os olhos para o crescimento e profissionalização da arte em nosso estado e no país. Tanto o rap quanto o graffiti, o break, que estão inseridos no movimento hip hop, estão cada vez mais presentes no cotidiano, na televisão. É preciso que se tenham mais acessos nas escolas, a arte salva, tira as crianças da rua, do crime, que é o maior fator destrutivo, assim como a corrupção no nosso país. Estamos no meio do fogo cruzado, e a arte é uma fuga desse inferno em que estamos inseridos! Precisamos e exigimos mais respeito. É isso!

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Dê o play e escute a trilha Manda Chuva, do EP Arapuca

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