Um mergulho no brasileiro

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Apesar de situado no nordeste, ‘Largou as botas e mergulho no céu’ é um filme sobre todos os brasileiros

por Rafa Aragão

Ano passado vi com empolgação a divulgação do filme Largou as botas e Mergulhou no Céu. Porém confesso que diante da vida memética e frenética das redes sociais, não consegui acompanhar quando o filme foi devidamente lançando.  Agora 2017, descubro-o disponível na internet. Enfim a espera acabou e não houve frustração na expectativa.

O filme é um road movie, meio documentário, meio ficção gravado em diversas cidades do nordeste se divide em capítulos curtos , nove ao todo,  contando histórias variadas, mas com algo bastante comum entre eles. Nele vamos  encontrar personagens reais e fictícios muito próximos,  que são devidamente costurados em cada capitulo. Os diretores Bruno Graziano, Paulo Silva Jr., Raoni Gruber e Cauê Gruber , demonstram um olhar curioso, que muito mais quer entender do que explicar.

As histórias acontecem no período entre o natal e carnaval, época bastante significativa dentro da cultura popular. O sincretismo religioso, a folia, amor, violência doméstica, sonhos, tá tudo lá, cada uma contada de uma forma, porém fazendo parte do mesmo universo. Apesar de situado no nordeste, os diretores apresentam o filme como um “filme sobre o brasileiro”  e de fato o é.

A história que dá nome ao longa parte de uma senhora trabalhadora rural que de repente rompe com sua rotina e decide ir com toda família conhecer o mar. Uma história bonita, que é brilhantemente finalizada com uma animação ao som de “Compre” do grupo recifense Café Preto. Recife é também o local escolhido para representar o carnaval, e guiado pelo polêmico Cláudio Assis, tentam captar o melhor da catarse da festa de momo.

Outro aspecto a se observar é a trilha sonora composta em quase toda sua totalidade por artistas nordestinos. Uma mostra de novos e antigos sons que casam perfeitamente com os temas e locais filmados.

A viagem feita por ‘Largou as botas e mergulhou no céu’ não vai parecer exatamente nova para os mais cinéfilos,  com certeza haverá comparações com filmes com ideia similar como “Viajo porque preciso, volto porque te amo”( 2009), entre outros, porém é um filme bastante interessante de ser visto, pois como dito, os realizadores buscam muito mais entender do que explicar seus personagens, traçam suas histórias, mostram cotidianos sem nenhum tipo de forçação de barra, sem maquiar. Apenas um mergulho no Brasil.

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