Em Sergipe, a greve geral depende dos negros e negras

Para colunista, a presença e contribuição do povo negro são essenciais para o sucesso da greve geral marcada para o dia 28 de abril 

*por Alexis Pedrão

As centrais e sindicatos estão convocando uma greve geral para 28 de abril. O objetivo é enfrentar o desmonte dos direitos sociais pelo governo Temer, expresso em diversos projetos como a reforma da previdência, trabalhista e a terceirização ampla e irrestrita. Em todos os estados plenárias, reuniões e atos de preparação para o dia 28 estão sendo organizados. Sergipe faz parte desse processo, mas gostaria de chamar atenção para uma questão já que se trata de algo tão grandioso como uma greve geral: em nossa opinião é impossível organizar uma greve geral da classe trabalhadora sergipana sem o engajamento dos negros e negras.

Pauta concreta, unidade das direções políticas e mobilização de base ajudam a construir uma greve geral. Na cidade, mas também no campo. Lá, por exemplo, estão os quilombos. Como está a mobilização em Brejão dos Negros? Acontecem plenárias na Mussuca? As negras marisqueiras e catadoras de mangaba, estão prontas pro embate? No setor industrial, quem é a “peãozada”? No comércio e setor de serviços? As estatísticas estão postas, mas mesmo que não existissem enxergamos a cor da nossa classe

Numa greve geral paralisar somente o setor público não adianta. Tem que parar tudo! Estamos dialogando com os cobradores e motoristas? E as mulheres negras da Alma Viva? As empregadas domésticas vão parar nesse dia ou terão de trabalhar enquanto os patrões protestam? Garis e margaridas quem são, senão o exército negro da limpeza urbana? Na construção civil, não temos dúvidas, é a massa negra que levanta a cidade. E os milhares de funcionários da MultServ, devidamente negros e negras, já estão mobilizados na batalha contra o governo golpista? Petroleiros, funcionários de escola ou trabalhadoras da saúde, eu não me engano. A negrada é linha de frente.

Os atingidos pelas chuvas nas comunidades? Não seriam negros e negras a dominar as ocupações urbanas? E na informalidade? Não esquecemos das vendedoras de CajuCap e “chips” de telefone. Sempre negras, com pouquíssimas exceções. As mães adolescentes e a garotada do rap? “Pegando carrego” na feira, não são crianças negras? Quem está desempregado ou morando na rua? Os excluídos também entram em greve ou sequer possuem esse direito?

Parece bem óbvio, mas não é. O sindicalismo está longe de realizar um diálogo efetivo com a classe trabalhadora negra. Por isso a provocação. Ou vamos onde o povo negro está ou a greve geral não será “tão geral” assim. Pode ter um impacto, mas ainda insuficiente para balançar as estruturas e impor uma derrota à burguesia e seus governos. Para chegar a este ponto é preciso radicalizar. E nada mais radical que a mobilização dos negros e negras em todas as frentes de luta.

A esquerda sergipana se encontra diante de uma grande possibilidade. Mas, para aproveitá-la ao máximo, é necessário estar atenta à realidade que nos cerca. Sem o povo negro, não tem greve geral!

*Alexis Pedrão é colunista da Revista Rever

Comentar

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s