Sergipe ganhará casa de acolhimento para população LGBT

Fotografia: Matheus Brito

Intitulado CasAmor, o projeto está em andamento e visa atender pessoas em situação de vulnerabilidade social, além de oferecer cursos e oficinas para seu público

*por Luciana  Nascimento
Fotos: Matheus Brito

Um lugar para morar com amor e afeto, é tudo que qualquer pessoa comum gostaria, certo? Mas, infelizmente, nem todo mundo pode vivenciar esses sentimentos tão bonitos, devido às ligações afetivas que carrega.

Dentre quem tem a coragem de dizer o que sente, diante um mundo que ainda é mesquinho e desumano, a população LGBT ainda é uma das que mais sofre com a rejeição familiar. Externar a verdade, faz com que muita gente acabe indo para as ruas. Somando com a rejeição social, essas pessoas acabam se deparando com uma situação de extrema vulnerabilidade.

Linda Brasil, ativista LBGT e uma das maiores referências da causa trans em Sergipe, relata que, só no Brasil, 90% da população LGBT ainda vivencia o mundo da prostituição. Ela comenta que este se torna o único caminho para muita gente e, especialmente, quem se encontra em transição.

Mudanças por vir

Para quem não sabe, o país vivencia um momento de libertação: várias pessoas procuram se encaixar dentro de suas verdades e o número de pessoas transexuais tem crescido.

Apesar de uma novela de um canal aberto estar abordando a causa Trans de maneira sensível, a discriminação em cima de pessoas que se encontram em transição ainda é grande em Sergipe.

Linda, que também é professora de Letras quer mudar essa realidade. Motivada a modificar esse capítulo triste no Estado, de forma paciente ela sempre se mostra disposta a mover as caixinhas fechadas.

O ativismo que cresce

Atualmente, Linda movimenta um novo projeto, dentre tantos outros que tem arquitetado no Estado: uma casa de acolhimento para pessoas LGBT.

“Inspirada na Casa 1, em São Paulo, e na Casa Nem, no Rio de Janeiro, percebi que poderia trazer essa ideia para Sergipe. Ainda temos muito o que fazer, como estruturar a casa, ver como podemos torna-la autossustentável e o que poderá ser oferecido para quem passar pela casa de acolhimento. A princípio, a casa será de passagem, mas tudo dependerá do que for decidido com o encaminhamento das reuniões”, expõe.

No último domingo, 3, Linda abriu as portas da residência para mostrar como é a instalação. Uma votação aberta na internet, já deu ao local um nome: CasAmor. Timidamente, as reuniões foram explorando o que poderia ser feito a princípio e com a divulgação da ideia, mais pessoas têm abraçado a causa.

Ativistas colaboram com a formação da CasAmor

Como participar

Advogados, jornalistas, publicitários, psicólogos, professores, estudantes de diversos cursos universitários, pessoas comuns, em busca de exercer a cidadania e a humanidade, já somam a causa em busca de dar apoio ao projeto, levantar os cômodos e poder oferecer a população LGBT, em situação de vulnerabilidade social, dignidade e perspectiva de que o mundo é feito para todos.

Localizada no Inácio Barbosa, a residência ainda precisa de reparos e com urgência. Afinal o número de pessoas que precisa de apoio e acolhimento cresce todos os dias e você pode ajudar. O alojamento precisa de móveis. Futuramente, alimentos. Com o objetivo de torna-la sustentável, a ideia dos voluntários é criar uma horta comunitária e ampliar o espaço para o oferecimento de cursos, para que os assistidos possam ter um ofício quando tiverem que deixar a CasAmor.

Curioso? Você pode participar. A Casa fica na Rua I, e seu logradouro fica em frente ao Espaço Emes. Todo profissional de qualquer área pode ir às reuniões, que acontecem aos domingos, no período da tarde. Você pode levar ideias e sua boa vontade. A entrada é livre.

*Luciana Nascimento é jornalista

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