“Na Sala de Parto”: campanha do Coletivo Sala de Reboco dará visibilidade a experiências de maternidade

Campanha Na Sala de Parto opc. 1

As histórias podem ser enviadas para o Coletivo Sala de Reboco ou publicadas nas redes sociais com a hashtag #nasaladeparto. A campanha se encerra no dia 30 de setembro

*por Coletivo Sala de Reboco

Conhecer as vivências de diferentes mulheres e contar suas histórias na sala de parto é o objetivo principal do novo trabalho jornalístico do Sala de Reboco, coletivo de fotografia e jornalismo sensível.

Cercada por estigmas e vítima de violências milenares que são, diariamente, naturalizadas, várias mulheres passam, todos os dias, pela experiência da maternidade. Os inúmeros tabus que ainda existem sobre o corpo da mulher e o parto, entretanto, impedem que discussões importantes sejam feitas.

Para lançar luz sobre esses debates, a campanha “Na Sala de Parto”, que dura até o dia 30 de setembro, pretende mapear essas histórias e compartilhá-las. Dessa forma, as mulheres que desejam participar podem enviar suas histórias pelo Facebook, Instagram ou E-mail (coletivosaladereboco@gmail.com) do coletivo ou compartilhá-las por meio de suas redes sociais utilizando a hashtag #nasaladeparto.

EM NÚMEROS

Segundo a pesquisa “Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre o parto e o nascimento”, registro nacional que acompanhou 23.894 mulheres em 191 municípios de todos os estados brasileiros, apenas 59% das mulheres foram orientadas sobre a maternidade e as necessidades do bebê.

Além disso, a Organização Mundial da Saúde recomenda que o número de cesarianas não ultrapasse 15% em cada país. No Brasil, líder ranking na América Latina, este número chega a 56% no total e 88% em redes privadas, expondo a mãe o bebê a riscos desnecessários.

Segundo pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o SESC, uma em cada quatro mulheres no Brasil sofre violência durante a gestação ou o parto. Dentre as principais agressões, destacam-se o exame de toque de forma invasiva e dolorosa; a falta de informação sobre os procedimentos realizados; a amarração da gestante durante os procedimentos e a negligência com relação à dor da mulher.

DIREITO PARA QUEM?

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Campanha “Na sala de parto” – Coletivo Sala de Reboco

Falando em realidade, isso aconteceu com Iza Jaqueline. Seu primeiro filho estava prestes a nascer quando outro homem irrompeu seu destino. O médico, indiferente aos pedidos de ajuda da mulher, insistiu em deixá-la trancada no escuro, enquanto sua comadre esperava do outro lado da porta. Quando a segunda gestação chegou, Iza decidiu ir até a maternidade somente nos últimos minutos, mas foi só quando sentou na cadeira da sala de espera que percebeu que tinha esperado tempo demais. Aninha nasceu ali mesmo, no corredor, despida de direitos e privacidade.

Na terceira vez que engravidou, as condições de gestação, moradia e direitos para Iza eram outras. Sua lembrança mais viva do parto que aconteceu enquanto ela era interna do Presídio Feminino é a quantidade de sangue que se espalhava enquanto ela esperava seu filho. Quando nasceu, o bebê mal chegou até seus braços algemados – Iza assistiu enquanto ele ia embora nas mãos de outras pessoas e esperou.

Depois de ter seus direitos humanos violentados três vezes, a chegada de Luara foi um despertar. Iza teve sua quarta filha acompanhada de uma doula e com toda a informação necessária sobre seu corpo e o momento do parto.

DENUNCIE

É importante reforçar que violência obstétrica é crime. A denúncia deve ser feita junto ao Ministério Público, levando os documentos, uma cópia do prontuário médico e o cartão de acompanhamento da gestação. Outra opção é fazer a denúncia por telefone pelos canais Violência Contra a Mulher – 180, ou disque-saúde – 136.

O Sala de Reboco é um coletivo de jornalismo que produz reportagens especiais e ensaios fotográficos, registrando realidades invisibilizadas, pautando pessoas e suas vivências.

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