Feira organizada por mulheres dá exemplo de Economia Criativa Real e Solidária em Aracaju

tamanho

Pela quarta vez, a Feira Artesanal acontecerá com uma edição voltada para a chegada da Primavera. Evento valoriza a arte manual, os artistas e artesãos sergipanos e será sediado no Bairro Atalaia neste sábado, 23.

* por Luciana Nascimento

Em tempos tão chuvosos, que afastam os aracajuanos das ruas esburacadas em diversas partes da capital, o sol timidamente começa a ressurgir com a chegada da primavera, que se inicia hoje, sexta-feira, 22.

E para comemorar essa temporada tão esperada pelos moradores que curtem as altas estações, a quarta edição da Feira Artesanal promete abrir a fase primaveril com as melhores energias possíveis. O evento acontece no Bairro Atalaia, amanhã, 23.

Este ano há uma grande novidade, de acordo com Valéria Machado, organizadora do evento. Segundo Valéria, é a primeira vez que a feira está sendo feita em formato Loja Coletiva. A decisão veio com os experimentos anteriores, como a loja coletiva ‘Natal Artesanal’, a edição de Feirinha do dia das Mães, dos Namorados e agora a edição de Primavera.

O que é?

“A Feira Artesanal é resultado de outro movimento. Antes de realizarmos a Artesanal, que tem um formato restrito para artesanato e produtos diferenciados em termos de qualidade e design, fizemos cinco edições do Bazar Coletivo, mais genérico, abrindo espaço também para produtos industrializados”, explica.

Apesar de estar organizando eventos deste estilo, ela afirma que nunca esteve só, por isso sempre utiliza os verbos no plural.

“Embora eu seja a idealizadora, em ambos movimentos – Bazar Coletivo e Artesanal -formaram-se pequenos grupos executivos ao meu redor para gerir os eventos e fazê-los acontecer.  Embora o grupo não seja fixo e tenha variado de evento para evento, somos sempre mulheres artesãs, organizadas em torno da militância por uma economia horizontalizada e que beneficie um número cada vez maior de pequenas empreendedoras artesanais”, revela.

Valorização

Mas você deve estar querendo saber de onde surgiu a ideia, não é mesmo? Bem, a idealização é a mesma desde sempre, conforme Valéria: promover e potencializar a economia criativa abrindo espaços de comercialização e valorização do trabalho artesanal.

A idealizadora aponta que a diferença do Bazar Coletivo para a Artesanal é que nesse novo formato todas só aceitam artesanato mesmo. Valéria diz que só o “handmade” e, de preferência, produtos autorais.

“Aprendemos muito no caminho e fomos trabalhando na seleção e formação de um público que valoriza a arte e a originalidade. Mostramos nas últimas edições que tem muito artesanato de qualidade e excelência na cidade e que é possível ter peças artesanais exclusivas, sem pagar tanto assim por isso – comprando direto do produtor”, comenta.

Como isso é feito?

Valéria explica que isso é garantido através de uma curadoria apurada de produtos para garantir peças de qualidade e bom acabamento, com designer moderno e com conceito contemporâneo. A equipe prioriza sempre peças artesanais produzidas fora da lógica do consumo de massa.

“Cremos que, potencializando o comércio justo e o consumo responsável, estamos cooperando com o desenvolvimento local e construindo uma nova economia, uma economia voltada para as pessoas, para a valorização do trabalho e dos talentos de quem trabalha”, exalta.

Além de promover um estilo de vida saudável, sustentável e inclusivo, a Economia Real Solidária – alicerçada na valorização de pequenos empreendedores –  promove a geração de renda para várias famílias envolvidas com a produção artesanal na cidade, segundo Valéria Machado.

O que é essa Economia Real Solidária?

Ela também salienta que todo o projeto, de uma militância pessoal em prol de uma Economia Real Solidária, cria e restabelece laços comunitários e redes de cooperação social.

“Sou socióloga de formação, trabalhei com políticas públicas e educação por muitos anos e ao chegar em Aracaju, e me redescobrir artista, artesã de bonecas, e ao me deparar com a dificuldade de comercialização do artesanato de qualidade, diferenciado daquele feito exclusivamente para turistas, resolvi investir tempo e trabalho nesse projeto de feiras de negócios”, conta.

Estando em Aracaju no ano de 2014, Valéria explica que conheceu a Feirinha da Gambiarra, idealizada pela modelo Isabele Ribeiro. Com isso, ela passou a acompanhar a cena nacional e percebeu que essa era uma tendência nas principais capitais: Feirinhas com foco na Economia Criativa, no empreendedorismo artesanal e no encontro das artes. A partir disso, o grupo resolveu que deveria atuar na direção, criando espaços de comercialização a arte criada.

Sucesso e mais ideias

“Devido ao sucesso de vendas e excelente repercussão, e atendendo a pedidos do público em geral, resolvemos repetir a dose, entretanto mudando o formato – de Loja Coletiva para Feira. Acreditamos na importância de conhecer o produtor, poder saber mais do produto, trocar impressões e saber como foi feito ou idealizado”, expõe.

Valéria também aponta que isso dá abertura ao público de ter a possibilidade de negociar diretamente com o produtor e chegar a um preço justo, sem intermediários.

“A festa de arte fica sempre mais bonita quando promove encontros de técnicas, artistas e sonhos, fica todo mundo mais feliz”, justifica.

Empreendedorismo feminino

E você sabia que a Feira é organizada apenas por mulheres? Valéria conta que a Artesanal é um movimento local, solidário e formado por mulheres artesãs. Às vezes, elas recebem homens para expor com elas, mas a organização é toda de mulheres.

“Nessa área do artesanato, nós mulheres somos maioria. Eu não saberia citar a porcentagem corretamente, mas creio que mais de 80% das pessoas envolvidas na produção artesanal no Brasil seja de mulheres. Dessa forma é fácil a gente ser maioria”, enfatiza.

Contudo, ela expõe que ainda não é visto como comum ver mulheres, artesãs, se libertando dos modelos formais-empresariais de organização de espaços de negócios e comercialização artesanal.

Veja a programação e não perca!

“Aí a gente incomoda um pouco, quando foge da lógica de negócio proposto pelo capitalismo mais selvagem da concorrência (até desleal às vezes) e propõe formatos mais humanizados, colaborativos de construção coletiva. Não é fácil, mas é possível! A gente acredita e por isso segue nesse caminho, digamos, ‘alternativo’ de organização e comercialização”, diz.

E aí? Que tal ter um dia inteiro de comprinhas especiais, música ao vivo, oficinas, comidinhas gostosas e muito mais em um espaço para toda a família com entrada gratuita? Que tal colocar no seu sábado a Feira Artesanal? Ela acontecerá no dia 23 de setembro, das 10h às 18h no Restaurante Bioma Vida Natural – Praia de Atalaia, localizado Rua Francisco Rabelo Leite Neto, 320. Na Programação, você poderá ver:

> Feirinha Criativa com 28 artistas-artesãs.

> Live Paint – Pintura ao Vivo – Dia todo – com a Artista Plástica Nayane Cabral.

> Oficina Gratuita de Jardinagem Prática – 11h

> Oficina Gratuita de Horta na Cozinha – 15h

> Exposição fotográfica ‘Quando eu Flor’ – de Rafaela Rodrigues, Fotógrafa e Jardinista.

> Intervenção artística da Cia Os Tripulantes, com apresentações circenses e pintura de rosto – para crianças

> Show com Thiago Ruas – 16h

> Sorteios Especiais

*Luciana Nascimento é jornalista

Comentar

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s