III Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial acontece em Aracaju

A programação foi divida em palestras, GT´s e apresentações culturais

por Geilson Gomes

Com a participação de vários segmentos da sociedade civil, a III Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial foi realizada na última sexta-feira, dia 29, no auditório da Escola Municipal Presidente Vargas, em Aracaju, apresentando temas relacionados ao reconhecimento, justiça, desenvolvimento e igualdade de direitos do povo negro.

Pelo turno da manhã aconteceu uma palestra com o tema “Aracaju na década dos afrodescendentes”, facilitada pelas professoras Valdecir Nascimento e Maria Nely dos Santos. Pesquisadora e integrante do NEAB (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros) da Universidade Federal de Sergipe, Maria Nely iniciou sua fala lançando uma pergunta à plateia: “Por que estamos aqui?”. Tal indagação suscitou nos ouvintes uma reflexão sobre a realidade negra em Sergipe.

“Sergipe reúne alguns ingredientes que tem em sua história a marca do Atlântico negro e nossos ancestrais afrodescendentes. Eles são fontes de toda a natureza e estão dispersos pelos municípios do Estado”, reflete.

Para ela, os participantes da conferencia têm a obrigação e o dever de fazer o resgate histórico e cultural da população negra. “Na década de 70 o afrocentrismo era discutido e difundido. O uso do termo negro se popularizou e deixou de ser pejorativo. As atitudes e as ações das décadas seguintes começaram a revirar muita coisa. Abrimos espaços que desaguam atualmente em novos caminhos”.

Já a professora Valdecir Nascimento enfatizou em sua fala o papel da mulher negra dentro da sociedade brasileira. “Nós, mulheres negras, temos um papel fundamental na luta e nos espaços. Nós temos que ser protagonistas. Precisamos fazer uma arqueologia negra, do que foi a luta e o papel  das mulheres e os negros nesse pais. Se isso não for feito, não vamos passar de figuras artísticas e culturais”.

A fala da professora Valdecir questionou o objetivo das conferências realizadas pelo movimento e as instituições públicas. “Já falamos tudo o que pode ser feito. Porém, é preciso compreender que as políticas públicas não enfrentam o racismo em sua totalidade. É importante pensar perspectivas e estratégias além das políticas públicas”, frisa.

A ativista do movimento Trans, Silvania Santos, conta que os temas apresentados pela conferência condizem com o momento atual da realidade brasileira. “A conjuntura no Brasil está complexa. Uma série de retrocesso está acontecendo pelo fato das pessoas que estão “lá em cima” (nos governos), são totalmente conservadoras”. Ela, que também é Conselheira Tutelar e moradora do bairro Bugio, analisa que a opressão às pessoas trans, negras e nordestinas são maiores. “Não estou falando como vítima, por isso estou contribuindo e lutando”.

O ativista do Coletivo Quilombo, Gerson Filho, informou que a conferência foi esquematizada em quatro eixos principais, produto das pré-conferencias realizadas nos bairros do Santos Dumont, Bairro Industrial, Santa Maria e na Comunidade Maloca. “Foram momentos oportunos, onde foi discutido novas propostas com a sociedade civil e o poder público do município, porém, ainda precisamos de mais propostas”.

Na parte da tarde os participantes se dividiram nos Grupos de Trabalho, discutindo vários temas relacionados ao universo negro. “Pela tarde vamos articular essas propostas. Temos ideias voltadas para educação realmente que não exclui o negro.  Mães sofrem com racismo dentro das instituições de ensino e não há manifestação ampla. Os professoras também não estão sabendo lidar com essa situação”.

A programação também contou com apresentações culturais e uma feira artesanal com produtos afros. O resultado da conferência será apresentada na Conferência Estadual pela Igualdade Racial, que está prevista para acontecer no dia 30 novembro.

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