Dia das crianças na Casinha: 420 dias de ocupação e resistência

*por Liria Regina

“O dia das crianças é o dia mais importante pra gente, porque são elas que constroem isso aqui, que fazem parte da nossa guerrilha…”. Com essa frase, Juliana Aguiar, educadora popular e moradora da Casinha – Ocupação Resistência e Residência desde o seu início, transmite um pouco do sentimento envolvido pra realização do 2ª dia das Crianças na Casinha.

Mas o que é a Casinha?

Ali mesmo, no fundo da casa, ao lado de mais quatro crianças que chegaram durante a entrevista, converso com Juliana sobre isso.

O espaço que hoje é mais um local de resistência ali na avenida Chesf, conhecida faixa de gás, no conjunto Rosa Maria, já foi uma Unidade Básica da família, e esteve abandonado durante quatro anos, sem nenhuma utilidade. Juliana me conta que, há um pouco mais de um ano (no dia doze serão 420 dias de ocupação), ela se encontrou em um dilema: desempregada, não tinha como pagar aluguel, e também não se conformava com um futuro que a colocasse para simplesmente ir morar com seu companheiro por uma questão de dependência, ou retornar a morar com seus pais, em outra cidade.

Assim, ela e mais dois companheiros ocuparam aquele espaço com o intuito de que o mesmo servisse de moradia e também de um local que contribuísse culturalmente para a comunidade onde estava inserido, com a perspectiva de promover ações com o objetivo de proporcionar à vizinhança alternativas de educação, cultura e arte.

Hoje, a Casinha conta com novos moradores, mas segundo Juliana, o sentido da ocupação permanece o mesmo:minha perspectiva é pra comunidade, sou uma pessoa que vem da Universidade, uma pessoa formada que tive condições de estudar… acho que meu dever é pra sociedade”.

Dia das crianças na Casinha

Desde então, muita coisa já aconteceu ali na Casinha. Desde eventos pontuais (como o Minas no Front, ocorrido em março, e o espaço de vivência agroecológica, que acontecerá no final do mês, até espaços que os integrantes tentam fazer com que tenha uma periodicidade na realização.

“Tem a JAM, com música experimental, toda sexta músicos comparecem, todo mundo pega seu instrumento, compreendendo a música como processo transformador… Nas quartas estamos tentando manter discussões políticas, que podem ser com cinema também, teremos o cine ocupa (…)”.

Entre os acontecimentos que marcaram e marcam a trajetória da Casinha, temos o dia das crianças. No ano passado, foi um dia bastante movimentado, como disse Juliana: “Foi muito no improviso, muito no amor, cada um foi contribuindo… a gente nem esperava ter presente, e os presentes apareceram. Teve música, comida, apresentações, roda de conversa sobre paternidade na infância, teve dança, brincadeiras, palhaçaria… foi bem encantador, foi mágico, bonito. Elas é que são nosso foco, elas tem que ser ouvidas, fazer parte disso tudo”.

Pra esse ano, os moradores da ocupação tão com uma programação bastante recheada também. No dia 12, a partir das 10h, quem aparecer na casinha vai poder compartilhar de brincadeiras, jogos teatrais, vai poder acompanhar a reinauguração da sala de leitura Gigi Poetisa, vai rolar cinema, e também atrações musicais. Além de algumas outras surpresas. Um dos momentos mais esperado é a apresentação de Aninha MC, de 11 anos, e sua mãe, Negratcha MC, que recentemente lançaram o som “Mercado Negro” e que já adiantaram estar preparando um show com rap e funk pra todo mundo.

Vale lembrar que tudo isso será transmitido ao vivo pelo repórter mirim da comunidade, Mateus Tavares, que estará também apresentando o evento. Logo no fim dessa matéria tem um link com os cartazes da programação e também da música, vale conferir e somar pra fortalecer. Pois, assim como Juliana disse: Só o afeto transforma.

Afeto este que impulsiona todo esse processo de resistência que a Casinha vivencia desde o seu início. Recentemente um oficial de justiça esteve no local, porém nenhum dos moradores estava presente no momento, e o contato foi realizado com os vizinhos. Juliana me conta que, em meio a todos esses planos, existe a tensão pela possibilidade de uma reintegração de posse. Mas também afirma sentir que essa luta já não é somente dos moradores da casa, mas de toda vizinhança, que já possui uma relação de confiança com os moradores e que apoia a ocupação, assim como vem fortalecendo na construção do próximo dia 12 (exemplo disso é que, quando eu estava saindo de lá, Juliana conversava com um dos moradores sobre a divulgação que ele realizaria no bairro para a próxima quinta).

Em meio a todas essas questões  é mais do que importante manifestarmos nosso apoio a mais esse espaço de resistência! No dia 12 a Revista Rever é presença confirmada!

Vida longa a Casinha!

# O que: Dia das crianças na Casinha – Ocupação Resistência e Residência

# Quando: Dia 12/10 a partir das 10h

# Onde: Avenida Chesf, 29. Conjunto Rosa Maria. São Cristóvão/SE

 

*Líria Regina é midiativista, poeta e MC do grupo Guerrilheiras

 

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