Jaqueline Barroso e a beleza da alma

Jaqueline Barroso (Foto: Luciana Nascimento)

Atualmente, Jaque é uma das vozes da Banda Ibura e está se preparando para lançar seu mais novo projeto autoral

*por Luciana Nascimento

Resistir é preciso. E em momentos sombrios que rondam o país, reafirmar se torna necessário. Aos cortes nos programas sociais e todos os descasos que rondam o povo brasileiro, a luta pela afirmação de classe, raça e coração se tornam firmes em diversos tipos de arte. E é na música que ELAS fortalecem a beleza da sua existência.

Elas: as mulheres negras. A alma deste mundo. As flores da humanidade. Elas existem e resistem. E em Sergipe, elas estão em todos os lugares. Nas plantações de mangaba, nos tanques na beira do rio. Também estão nas feiras, nas varandas de casa, na beira do mar e nos palcos. E foi perto da praia, que a gente conheceu Jaqueline.

Barroso, 27 anos de idade. Um sorriso iluminado. Um rosto de menina. Os olhos de uma grande mulher. É pela voz que Jaqueline luta. É na sua voz que ela demonstra sua força e reafirma a existência e beleza da cultura afrodescente em Sergipe, que apesar de ser um estado com muitos negros, ainda é muito racista.

Atualmente, Jaque é uma das vozes da Banda Ibura e está se preparando para lançar seu mais novo projeto autoral e solo ainda no final deste ano: Descalça entre mundos.

Mil mulheres em uma

No meio das artes, Jaqueline insiste e informa a beleza da ancestralidade negra por aqui. Mas afinal, quem é ela? Você sabia que além de cantora, musicista e modelo, a jovem também é bióloga, doutoranda em Biotecnologia?

Muitas informações, não? A Revista Rever conversou com Jaque, e traz um pouco dessa moça talentosa.

Revista Rever – A gente tem muitas informações sobre você, mas conta: quem é Jaqueline Barroso?

Jaqueline Barroso –  Jaque é uma mulher decidida. Uma mulher correria. E é uma mulher que tem muitos sonhos dentro dela e que tem muita fé, de que esses sonhos irão se tornar realidade. Porque as coisas que eu carrego dentro de mim, sempre me mostram que isso é possível. Em nenhum momento, conquistar um sonho é sinônimo de facilidade. Pelo contrário. É muita dificuldade que se passa pelo caminho. Mas são dificuldades que mostram que a gente pode ser mais forte a cada dia. Jaqueline é essa moça sonhadora. Essa moça forte. É essa moça que, às vezes, chora, porque as coisas parecem ser bem difíceis. Mas é essa moça que sempre vai enfrentar as dificuldades com um sorriso no rosto e a voz interior dizendo que vai dar tudo certo.

RR – Você é cientista, além de cantora. Como é esse dilema de ter duas profissões totalmente distintas aos 27 anos de idade?

JB – Seguir essas duas profissões foi algo bem difícil para mim, mas que eu soube separar. Na verdade, sempre tive o sonho de ser artista. Sempre fui artista desde criança. Mas eu vim de uma família muito humilde. Eu vim de periferia e tudo era muito difícil. Então, eu não podia seguir a carreira de artista da maneira que eu gostaria. Porque eu precisava de dinheiro para me manter. Eu precisava de dinheiro para conseguir pagar as minhas contas e para ter a minha liberdade também, pois eu não ia ficar dependendo dos meus pais. Até porque eles nem podiam manter isso e eu também não queria. Eu comecei a estudar para ter uma outra carreira e eu me apaixonei pela vida científica. Gosto de ser cientista. Mas é assim: É aquela loucura. Aquela correria. Eu me empolgo quando eu estou no laboratório, eu me empolgo com o que eu estou descobrindo coisas novas; e ao mesmo tempo, no laboratório, estou pensando numa música. Numa composição. Quando saio do laboratório, já é correndo para ensaiar. Não é fácil, mas é você colocar na cabeça que vai dar tudo certo.

RR – E como anda a sua carreira artística em 2017?

JB – Estou às vésperas do meu projeto autoral, em que, toda a minha banda é de mulheres. Estou muito empolgada. Eu continuo no Ibura, mas eu estou com a “Jaque Barroso”, com meu projeto “Descalça entre mundos”. Esse projeto, eu vou cantar sobre a minha vida. Sobre a minha história. E vou cantar ao lado de mulheres, que eu acredito no trabalho e que eu admiro muito: Deise Raquel (percussão); Clara Macedo (guitarra); Janaína Vasconcelos (DJ responsável pelas bases). Eu espero que dê tudo certo e que eu consiga passar a mensagem às pessoas. Toda a emoção que eu quero transmitir com essas letras. Eu quero que as pessoas sintam a verdade nas músicas.

RR – O que você vê na música sergipana atualmente?

JB – Sergipe tem um potencial imenso. Tem bandas maravilhosas. Tem artistas fantásticos. Só falta o mundo descobrir a gente, sabe? Mas Sergipe tem história. Sergipe tem muita força e eu acho que a gente tem mesmo que ouvir música da terra e sentir isso. Nas minhas músicas eu coloco referências do Samba de Pareia, Samba de Coco, coloco referências da Mussuca de Laranjeiras para remeter o nosso povo. Música sergipana é vida. É maravilhosa.

*Luciana Nascimento é jornalista

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