5 motivos para ir ao Sercine

Foto – Pritty Reis

Elencamos 5 razões para o público acompanhar a sétima edição do Sercine, que acontece até o dia 28 de outubro

*por Geilson Gomes

O Sercine – Festival Sergipe de Audiovisual – começou a todo vapor. Durante todo o dia de ontem, 21, o público e os idealizadores imergiram em uma jornada de filmes, encontros, seminários, conversas, conhecimento, cultura e música. Quem não foi ao primeiro dia pode ficar tranquilo que a maratona está apenas começando.

Elencamos 5 motivos para acompanharmos de perto a sétima edição do Sercine. Porém, antes de revelar as razões, iremos traçar o caminho percorrido no primeiro momento. Tudo começou pela manhã de sábado, com o seminário ‘Conversas com o Cinema’, facilitado pelo professor da Unicamp, Elinaldo Teixeira. Pela tarde ocorreu a Mostra Latinoamericana de Curtas Universitários e à noite foi acionada a partida oficial do evento, com a exibição do longa-metragem ‘Açúcar’, dirigido por Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira. O dia terminou com o show da A Banda dos Corações Partidos.

Apresentação da A Banda Corações Partidos (Foto – Pritty Reis)

Açúcar

‘Açúcar’ é um filme que se passa em um decadente engenho de cana de açúcar. A herdeira do engenho se recusa a abandonar a casa grande e as terras deixadas pela sua família. O longa retrata uma realidade muito presente em nosso país, fruto de um histórico opressor. Executada como um elemento de fortalecimento da economia brasileira, a escravidão do povo negro é legitimada por centenas de anos em nosso país, à custa do sofrimento e assassinato de negras e negros.

O filme é bem dual. De um lado está a família herdeira do engenho e do outro os negros trabalhadores e moradores da comunidade que fica ao lado das terras dos “senhores”.  A dualidade também se apresenta na religião. A família branca do filme reproduz o discurso da classe que sufoca e mata todos os dias as domésticas, os terreiros e os “Zés” em nossa sociedade.

A luta por liberdade e independência em relação aos “senhores de engenho”, que também não é uma novidade em nossa história, é muito bem desenvolvida no filme, através de instrumentos, artimanhas e estratégias de vivências coletivas desenvolvidas pelos negros. As cenas que apresentavam a sagacidade e a religião negra, como forma de resistência aos mandos da elite branca, elevaram o longa. Os diretores usaram de elementos do terror para tratar temas da religiosidade negra, conectando com a loucura, ódio, revolta, corpo, noite, fogo e tambores. Afinal, quantas aparições habitam aquele engenho?

Abertura oficial no Centro Cultural (Foto – Pritty Reis)

Os benditos 5 motivos

1. O primeiro é o mais trivial de todos, mas não custa nada lembrar. Tem filme que só passa em festivais. Não adianta procurar no google, youtube e muito menos em plataformas alternativas. A ideia dos festivais é estimular o encontro dos apreciadores da sétima arte. Logo, para não perdermos a oportunidade de entrar em contato com o cinema não-comercial é preciso levantar do sofá, da cama e ir ao Sercine. Para se inteirar do muito que virá, acesse a programação na página do festival.

2. O Festival estimula os realizadores sergipanos. No dia 25, quarta-feira, serão lançados dois curtas produzidos por sergipanos: Clandestinos, realizado pela Cacimba de Cinema e Vídeo, e Dando asas a imaginação, dirigido por Arthur Felipe Fiel (sergipano) e João Marcos Nascimento. A exibição ocorrerá no Centro Cultural de Aracaju, após a Mostra Nordeste, que começa às 16h.

Idealizadores do Sercine (Foto – Pritty Reis)

3. Festivais são bons momentos de aprender, aprimorar, dialogar e conhecer novos caminhos e possibilidades de produção, exibição e distribuição de filmes. Os encontros e conversas representam os espaços de compartilhamento de conhecimentos. Amanhã, dia 23, vai acontecer o Encontro das Mulheres do Audiovisual, no Sesc Centro de Aracaju, às 19h.

4. A Mostra Infantil é uma boa pedida para as crianças. Ela acontece no Museu da Gente Sergipana, de 25 a 27 de outubro, sempre às 10h. Conforme os idealizadores do evento, nos últimos anos, a mostra Infantil vem lotando as salas de exibição.

5. Apoiar o movimento independente. Para os organizadores, o intuito do Sercine é possibilitar o contato a filmes que são produzidos de forma independente e que não chegam até as salas de exibição. Por isso, é mais que necessário estimular e chegar junto nesse festival, que acredita na força arrebatadora do cinema.

*Geilson Gomes é jornalista.

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