Folia, Bloquinho e Paredão

“A discussão sobre os paredões não é uma exclusividade de Aracaju. Diversas cidades do Brasil não sabem que fazer”

*por Rafa Aragão

“Como serão os futuros carnavais?”
( Baiana System)

Já é carnaval cidade! Aracaju já está acordada para as folias momescas. Se por alguns anos nosso pré-carnaval se limitava há uma única festa, em uma única avenida, agora quase todos os fins de semana de janeiro tem algum “bloquinho” tomando diversas ruas e bairros da cidade. No entanto, nem tudo é sol, suor e cerveja. Os paredões entraram na pauta e esquentou o debate sobre o carnaval de rua. Porém antes devemos olhar um pouco para organização dos bloquinhos.

Primeiro, o nome bloquinho é até bonito de se falar, um tanto carinhoso até, só que não cabe mais. A quantidade de gente que tem participado é superior a mil pessoas. E quem organiza tem que pensar nisso. Não dá pra entender como uma festa tem drone, mas não tem banheiro químico. A real é que a coisa cresceu, e alguns desses bloquinhos são bastante visados (e esperados). Não dá pra pensar no diminutivo.

Um dos reflexos desse crescimento e desorganização que alguns blocos apresentam é o trânsito. No finado Pré-Caju as ruas do percurso ficavam fechadas, ruas paralelas idem. Morador guardava cedo seu carro, ninguém entrava, ninguém saía. A rua só era liberada muitas horas depois do fim do evento. Nos bloquinhos a gente vê justamente o contrário. É carro tentando passar entre as pessoas, é carro parado atrapalhando o bloco passar. E ninguém pra orientar ou organizar. Situação que já gerou brigas, que leva a outro ponto que é a segurança, ainda bastante deficiente nos eventos de rua.

A parceria entre blocos e poder público precisa ser feita para que esse e outros transtornos sejam amenizados, tanto para os foliões como para moradores. Um mantra que todo político adorava para defender a finada prévia carnavalesca de outrora, era que ela “gerava emprego e renda, atraía turistas e etc”. Os bloquinhos atuais ainda não atraem turistas, mas, com certeza, movimenta a economia. Os ambulantes, os armarinhos, depósitos de bebida, costureiras, todos estão ganhando uma grana. E se a gente pensar que o estado tá em crise, uma pá de gente precisando de uma renda extra, é até uma burrice não pensar em como melhorar o circuito de blocos de rua.

Bota a mão no paredão

Todos esses problemas, entre outros, acabam sendo ofuscados pelo debate dos paredões. A discussão sobre os paredões não é uma exclusividade de Aracaju. Diversas cidades do Brasil não sabem que fazer. Uns querem criminalizar, outros apontam para regulamentação. Uma coisa é certa os paredões são uma realidade. E forte. Não é a toda que diversos artistas exaltam os paredões em música e videoclipe (Paredão da Metralhadora, Paredão das Amigas, Bum Bum no Paredão, Bota a mão entre outras). A banda baiana La Fúria em 2017 levou 50 paredões para estacionamento do Wet’n Wild, para gravação do seu dvd. Porém nem todos são aliados dos paredões.

Não chega a ser uma novidade som automotivo no carnaval. Foi justamente da ideia de botar um som num carro e rodar a cidade que Dodó e Osmar criaram a Fobica que deu origem ao trio elétrico. Porém será que o possível organizar a quantidade enorme de carros e seus sons cada vez mais potentes? Muita gente reclama que não consegue ouvi tantos paredões ao mesmo tempo. Em alguns momentos o som consegue abafar até o som do bloco. Uma solução que alguns estados apontam é incluir desfile de paredões de som no circuito do Carnaval.

Acredito que toda essa celeuma criada e discutida nas redes sociais passa primeiro pelos pontos que apontei acima. É preciso primeiro que os blocos, ou bloquinhos, resolvam seus problemas internos e que os mesmos junto com a população cobrem o devido apoio dos órgãos competentes. Não dá pra cobrar apenas dos Paredões, quando se vê apenas várias pessoas nas ruas sem saber por onde começa e quando termina o bloco.

O carnaval ainda quem faz é o folião, e Aracaju (re) descobriu que festa sem corda, sem abadá, mas com muita fantasia, glitter e povo na rua é muito mais divertida. É a volta ao passado que aponta para o futuro. E uma festa democrática não pode enxergar a solução na exclusão. O poder público precisa olhar para essa demanda e dá a devida atenção, se não os bloquinhos continuarão sendo “inho” e ai amigos não adianta reclamar do Paredão, porque eles já nasceu “ão”.

*Rafa Aragão é jornalista e DJ

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