I Encontro Negro de Entidades e Ativistas acontecerá no próximo sábado, 13, em Aracaju

Evento terá uma programação recheada de interações e intervenções negras

por Geilson Gomes

O I Encontro Negro de Entidades e Ativistas, que acontecerá no próximo sábado, dia 13 de julho, às 9h,  no Sindicato dos Petroleiros (SINDIPETRO), em Aracaju, promete ser uma promissora encruzilhada negra. Com uma programação pulsante de ideias e ações, o encontro busca juntar a negrada para conversar, se olhar e ser perceber enquanto atores coletivos no enfrentamento do racismo e do etnocídio do povo negro.

A ideia do Encontro não é recente. De acordo com Kwame Kwanzaa, integrante do Fórum de Entidades e Organizações Negras de Sergipe, anos atrás, na década de 80, negras e negros já se reuniam em movimentos e pautas unificadas. “Em Sergipe, estamos reeditando algo que já existiu. Não vivenciei outros tempos, mas pessoas da vanguarda sempre falam que o Fórum está passando por uma rearticulação”, diz Kwame.

Com um calendário de atividades que vem desde novembro do ano passado, o Fórum de Entidades Negras aglutina um grupo diverso de pessoas, organizações e coletivos. “Após o resultado das últimas eleições, sabíamos que teríamos que nos organizar, pois o enfrentamento seria bem maior. As pessoas organizadas no Fórum tinham e ainda têm uma concordância na avaliação do governo, que não está sendo bom para os negros. Esse Fórum é mais um campo de resistência”, conta Kwame.

Para os idealizadores, o tom do Encontro está bem escuro: reconhecer a força que vem da ancestralidade dos povos que enfrentam as marcas da escravidão e realizar ações que visam o avanço das pautas negras, tanto no terreno das políticas públicas, quanto nas organizações comunitárias em bairros periféricos.

Ser quilombo, uma possibilidade de ações

Mas o que é um quilombo se não um lugar de encontro, um espaço social onde negras e negros se reúnem para sobreviver e resistir à sociedade baseada no racismo estrutural.  Como diz Beatriz do Nascimento, historiadora e intelectual negra sergipana, os quilombos deixam de ser pensados enquanto territórios fixos, para ser resignificados em lugares comum de resistência negra, com culturas e práticas sociais diversas.

O racismo brasileiro é enfrentado a partir de variadas possibilidades de reação. Em seus escritos, Beatriz do Nascimento descreve que elas se reverberam em estratégias individuais de compreensão e efetivações de agrupamentos sociais.

Segundo Aila Cristhie, integrante Coletivo Beatriz Nascimento, a oportunidade será mais uma forma do movimento negro sergipano mostrar resistência. “Unir as organizações e ativistas negros de um Estado com o objetivo de combater o racismo é uma forma de aquilombamento. Beatriz Nascimento na década de 80 discutia sobre a importância de falarmos de nós mesmos. Para mim, esse encontro significa que independente do contexto político, precisamos estarmos unidos e em defesa das nossas pautas”, reflete Aila.

Nesse sentido, o I Encontro Negro de Entidades e Ativistas se propõe, durante a manhã e tarde de sábado (13), a ser mais um quilombo resistente, com assembleia, leitura da carta de apresentação, Feira do Mangaio, Ajeun (feijoada e música) e aprovação do calendário de ações para os próximos meses.

Para Dayse Ramos, do Movimento Negro Unificado (MNU), a expectativa é que um bom número de entidades e ativistas estejam presentes, independentes de estarem organizados ou não. “Pretendemos aprovar uma carta para efetivar as ações e fortalecer o Fórum.  Ativar nossas ações nas comunidades, nas periferias e nos guetos”, finaliza Dayse.

 

 

 

 

 

 

 

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